Royal Blood – “How Did We Get So Dark?” (2017)

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Royal Blood – “How Did We Get So Dark?” (2017)
Warner Music Brasil
#Rock#AlternativeRock

Nota: 2,0

Eles foram a mais grata surpresa do último Rock in Rio. Pelo menos para o arqueólogo aqui, que nunca tinha sequer ouvido falar de Royal Blood. Quando se opta por esmiuçar o velho, muita coisa nova acaba passando batido. É a vida.

Cativado pelo show, corri atrás de seu primeiro e único trabalho. De cara percebi que ao vivo rola um peso adicional, o que é até compreensível, pois dificilmente uma banda em seu disco de estreia consegue desvencilhar dos limites impostos por quem entende e dita as regras do mercado. Era de se esperar, portanto, que o segundo trabalho do Royal Blood buscasse arrebanhar mais do que a galerinha que vê em Mike Kerr (vocal e baixo) e Ben Thatcher (bateria e percussão) uma espécie de Black Sabbath do século XXI e que acha o formato à la The Black Keys a oitava maravilha do mundo.

“How Did We Get So Dark?” vem repleto de inserções eletrônicas, timbragem nada orgânica (“Look Like You Know”), e, principalmente, um desejo de soar como o Muse clandestino dos últimos álbuns (“She’s Creeping”). Vem à mente a cena tão comum no cenário underground do músico de talento ímpar que toca em bandinhas cover porque tem que pagar as contas.

Obviamente, o Royal Blood não está na penúria, mas parece desesperado para conquistar um lugar nas paradas pop (“I Only Lie When I Love You”) e ser aceito nessa esfera obviamente mais lucrativa. Quem é do rock, achará que a banda afrouxou, “traiu o movimento, véio”. Quem é do pop, provavelmente, tem opções melhores, mais autênticas, para suas pistas de dança. Apenas duas aqui — a faixa título e a lenta “Don’t Tell” — se salvam. How did they get so crappy?

Marcelo Vieira

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