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Sabaton – “The Great War” (2019)

Sabaton – “The Great War” (2019)
Nuclear Blast
#PowerMetal#HeavyMetal

Para fãs de: PowerwolfRhapsody Of FireBlind Guardian

Nota: 9,5

A famosa marcha “Pompa e Circunstância”, composta pelo inglês Edward Elgar, além de estar presente na trilha sonora de 9 em cada 10 casamentos mundo afora, serve também para pensarmos sobre duas abordagens diferentes que podemos ter sobre a guerra. Se observarmos sob a lupa da “pompa”, veremos os grandes heróis, toda a glória e honra das batalhas e os feitos que entraram para a história. Mas se a lente escolhida for a “circunstância”, o dia a dia cruel e nada romântico surge: sangue e doenças, sofrimento nas trincheiras, a morte com sua face mais repulsiva. Os suecos do Sabaton resolveram escolher a primeira abordagem para contar a história da Primeira Guerra Mundial no mais novo álbum “The Great War”, e o resultado foi uma aula de história e de composição, para agradar a gregos e troianos, ou melhor… Aliados e Tríplice Entente.

Musicalmente, o disco não sai muito do script que o Sabaton vem apresentando nos últimos trabalhos: muitos coros, a voz grave e cheia de sotaque de Joakim Brodén, uma certa velocidade, e tudo permeado pelas mais variadas histórias que marcaram a Grande Guerra (como ficou conhecido o conflito até termos a Segunda Guerra Mundial). Analisando as faixas, destaques para “Fields of Verdum” e seu refrão repleto de rimas, “The Future of Warfare” – que abre o disco com coros bélicos e riffs poderosos e “The Attack of the Dead Men”, que surpreende pelo refrão anormalmente grave e riff de guitarra no contratempo.

Assim, o Sabaton desenvolveu uma linguagem musical e vem abusando dela ao longo de toda sua carreira, e vem conseguindo manter um padrão elevado de composição. Nesse sentido, em “The Great War”, sobram faixas muito criativas, embora o resultado seja um pouco inferior do último trabalho “The Last Stand”. Outras que merecem atenção são “The Red Baron”, que saiu como single, “The End of the War to End All Wars”, que é como se fosse uma balada para os padrões da banda e “82 nd All the Way”, que lembra muito “Shiroyama”, do “The Last Stand”.

Como nem tudo são flores, as poucas críticas que surgem de cara são: faltou um pouco de desenvolvimento nas faixas, a grande maioria fica na casa dos 3 minutos. Podia ter aumentado um solo aqui, pensado uma ponte ali, dobrado o refrão, algo nesse sentido. Além disso, o Sabaton fugiu muito dos extremos e não apresentou nenhuma música muito veloz nem uma balada genuína. Seria muito interessante um lamento de guerra lento e nostálgico, quem sabe? Por fim, é preciso cuidado ao apostar nessa fórmula de composição habitual, uma hora, o tiro pode sair pela culatra. Quem sabe uma solução seja ir mais para a circunstância e deixar a pompa um pouco de lado? Mas nada disso tirou o brilho e o tom épico do resultado.

Por fim, o disco também ganhou uma versão “History”, com narrações contando mais sobre os episódios em que cada música se refere, funcionando como uma pequena aula de história. Muito interessante a iniciativa didática da banda, que também tem um canal no YouTube onde cada música é destrinchada sob a luz da história, com relatos mais detalhados sobre os acontecimentos cantados.

Gustavo Maiato

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