Sacred Leather – “Ultimate Force” (2018)
CruzdelSur
#HeavyMetal, #NWOBHM
Para fãs de: Judas Priest, Accept, Tygers Of Pan Tang
Nota: 7,0
Desde o nome da banda, passando pela capa do álbum e dando uma sapeada nas fotos dos integrantes da banda – todos ostentando vastas cabeleiras, roupas de couro e tachinhas, o recado já está dado; a banda propõe uma incursão ao heavy metal dos anos 80, percorrendo as estradas que foram desbravadas e alicerçadas por Judas Priest, Accept, Iron Maiden, etc.
Os vocais são predominantemente exagerados e afetados, as guitarras desenvolvem riffs pré-históricos (inclusive na timbragem), que soam um tanto quanto ingênuos nos dias de hoje – pois não podemos negar que o Metal evoluiu e, com o tempo, as bases de guitarra se sofisticaram e ganharam mais peso. Finalmente, a cozinha emula aquela simplicidade e falta de groove que se ouvia no século passado com uma fidelidade talvez desnecessária – se nem os ícones acima citados fazem isso hoje em dia é porque algum motivo tem.
Enfim, é complicado capturar a essência daquilo que não se viveu, o heavy metal no início dos anos 80 era simplório, tosco, porque tornava música justamente os sentimentos e desejos de criar algo novo pelas mãos de garotos que começavam a tomar contato com seus instrumentos, saídos de seus quartos de subúrbio onde ouviam bandas setentistas. No entanto, aqueles garotos cresceram, se desenvolveram, reproduziram seu conhecimento musical e tornaram o Heavy Metal o estilo perene que temos hoje em dia – forjado também em um sem-número de subgêneros que daquele tronco inicial descenderam.
Voltando ao disco, lê-se no release que a música mais ambiciosa das 7 apresentadas neste álbum de estreia seria a power ballad “Dream Searcher” – que nada mais é que uma colagem de clichês do gênero, com vocais derivativos, refrãos cantados em coro, a bateria segurando a levada na caixa e no prato e as guitarras desenvolvendo aquelas vinhetas em terça, enquanto o baixo só marca as passagens das notas preguiçosamente.
Não há como se negar que o Sacred Leather entrega aquilo que promete, ao pé da letra. Agora, precisa ver se esta proposta é pertinente e digna de ser conferida, considerando o eterno legado das bandas aqui reverenciadas, cuja discografia encontra-se em catálogo e totalmente acessível.
Wallace Magri
