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Sanctuary no Brasil: show histórico em São Paulo prova que legado de Warrel Dane continua vivo

Sanctuary – Burning House, São Paulo/SP (30/08/2026)

Produção: Dark Dimensions
Texto: Matheus “Mu” Silva
Fotos: Rodrigo Faustino

Pela primeiríssima vez no Brasil, finalmente, o Sanctuary veio ao nosso país. Clássica banda de Heavy Metal de Seattle e a segunda mais importante da cidade, apenas abaixo do Queensrÿche em termos de relevância e tamanho, trouxe sua turnê de 40 anos para a América do Sul. A banda celebrou seu legado histórico e, ao mesmo tempo, deu continuidade à sua existência desde 2018, após o falecimento do lendário vocalista Warrel Dane.

Com produção da Dark Dimensions, o Sanctuary realizou uma única apresentação em São Paulo no último domingo (30).

Com a banda se posicionando no palco precisamente às 20h e aos gritos de “Sanctuary!”, enfim, tornou-se realidade a presença do grupo em nosso país. Para iniciar a apresentação, veio a poderosa “Arise and Purify”, emendada por “Frozen”, ambas do último disco registrado com Warrel Dane, o pesadíssimo The Year That Sun Died (2014).

Logo no início do show, a banda passou por uma breve falha técnica. Entretanto, sem interromper o espetáculo, os músicos foram ajustando os detalhes até deixar tudo perfeito. Além disso, lidaram com o imprevisto com profissionalismo e, ao mesmo tempo, esbanjaram felicidade por finalmente estarem tocando aqui.

Mesmo sendo a primeira apresentação da banda no Brasil, as atenções obviamente se voltaram para a mudança mais drástica da formação, personificada no atual vocalista, Joseph Michael. Assim como Berzan Önen, atual vocalista do Nevermore, Joseph encarou uma das tarefas mais difíceis — e talvez até ingratas — que um cantor pode receber: substituir um vocalista tão icônico quanto Warrel Dane, que foi marcante em duas bandas históricas.

E, tão logo a banda resgatou a clássica “Die for My Sins”, voltando aos primórdios do grupo, em 1988, no primeiro álbum, Refuge Denied, toda e qualquer apreensão foi por água abaixo. Afinal, Joseph simplesmente arrebentou tudo em sua interpretação, alcançando as notas mais altas com visível facilidade e esbanjando técnica.

Para mim, foi ainda mais gratificante porque Joseph esticou o microfone na minha direção, e eu cantarolei um trecho do poderoso refrão da música. Esse foi um daqueles momentos que não vou esquecer tão cedo.

Logo após “Seasons of Destruction” e “Veil of Disguise”, e seguindo com a apresentação entre brincadeiras e brindes com a plateia, que estava simplesmente em chamas, a banda dedicou uma sequência inteira ao emblemático segundo disco, o fenomenal Into the Mirror Black (1990).

Foram cinco músicas do álbum, ou seja, dois terços das faixas contidas no disco foram apresentadas. Consequentemente, o momento se tornou ainda mais histórico e emocionante.

E, para começar o atropelo que se seguiu, uma coisa chamou bastante a atenção durante a apresentação: o destaque absoluto do baixo de George Hernandez. O instrumento serviu de combustível para a introdução de, talvez, o maior clássico da banda, “Future Tense”.

A faixa apresentou o Sanctuary ao mundo por meio de seu clássico videoclipe, gravado no meio do nada. Assim como fez a cabeça de tantos headbangers ao longo dos anos, a resposta do público foi imediata. Foram vozes cantando em uníssono, muitos outros batendo cabeça e, acima de tudo, todos absolutamente maravilhados por finalmente testemunharem aquilo ao vivo.

Também não posso deixar de destacar o trabalho dos membros mais longevos da banda: o baterista Dave Budbill e o guitarrista Lenny Rutledge, ambos integrantes desde o início do Sanctuary. Os dois mostraram, mais uma vez, por que a banda não deve relegar seu nome às sombras do passado e precisa continuar existindo.

Afinal, ambos ainda demonstram uma entrega excepcional ao vivo, algo que ficou mais do que comprovado na avassaladora “Taste Revenge”, outro clássico incontestável de Into the Mirror Black. Com uma trinca histórica formada por “Long Since Dark”, “Epitaph” e “The Mirror Black”, veio certamente o momento mais, digamos, inusitado de toda a apresentação.

De todas as músicas existentes no mundo do Rock ‘n’ Roll, nem no meu sonho mais distante eu poderia imaginar que o Sanctuary tocaria “Breathe”, do disco mais importante da história do Pink Floyd, The Dark Side of the Moon (1973). Em uma releitura bastante próxima da original, a escolha surpreendeu mais pela ousadia do que pela execução. Ainda assim, valeu demais a pena, mostrando toda a versatilidade musical da banda.

E aí, sim, seguindo com seu cover mais conhecido, veio “White Rabbit”, do Jefferson Airplane. Aqui, entretanto, a versão do Sanctuary, imortalizada em Refugee Denied, é infinitamente melhor que a original. (risos)

Dedicando a próxima música ao eterno ex-vocalista, a banda seguiu com mais uma faixa de Refugee Denied: aquela que, para mim, é a melhor música do Sanctuary, “Battle Angels”. Essa foi mais uma passagem especialmente marcante. Afinal, tivemos a oportunidade de entrevistar Joseph Michael e, durante nossa conversa, comentei com ele que gostava de cantar essa música, mas que ela era difícil. Portanto, vê-lo debulhando a faixa ao vivo foi emocionante demais.

Finalizando a primeira parte do set, a banda tocou a faixa-título de seu disco de 2014, The Year That Sun Died. Porém, aqui aconteceu algo que foi, no mínimo, surpreendente.

As músicas dos dois primeiros álbuns são altíssimas para a voz, algo que Warrel abandonou na forma de cantar no Nevermore. Já esse disco é mais próximo da maneira como ele cantava em sua segunda banda. Entretanto, a forma como Joseph interpretou a faixa se aproximou demais da versão original.

O resultado foi assustador e, ao mesmo tempo, impressionante. Em diversos trechos, a impressão que se tinha era de estar ouvindo o próprio Warrel. Isso gerou até comentários entre os presentes, que chegaram a dizer que Joseph poderia ter assumido os vocais do Nevermore. E, verdade seja dita, depois de ter visto isso e mesmo aprovando totalmente a escolha de Berzan, confesso que teria sido interessante ver Joseph também no Nevermore.

Após uma breve pausa, a banda voltou para o bis com um dos maiores hinos de Refugee Denied, “Soldiers of Steel”. Aquela é uma música feita para os amantes do True Heavy Metal, com vários punhos para o alto. Assim, o Sanctuary encerrou o show de 90 minutos de forma estrondosa.

Se alguém me dissesse que nós, brasileiros, veríamos as duas bandas das quais Warrel Dane fez parte em um intervalo de apenas quatro meses, eu diria que era impossível. Até este domingo.

Em abril, já havíamos realizado o sonho de ver o Nevermore. Agora, quem esteve presente pôde finalmente riscar o Sanctuary da lista de sonhos impossíveis.

Foi um show histórico, impressionante e divertido demais. Além disso, a banda ainda atendeu a todo mundo que estava lá, mostrando o lado carismático que tomou conta da apresentação do início ao fim. Um dos melhores shows do ano!

Obrigado, Dark Dimensions, por realizar esse sonho antigo que tantos headbangers almejavam havia tantos anos.

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