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São Paulo em Chamas #75 – Arena Galeria, São Paulo/SP (30/08/2025)

São Paulo em Chamas #75 – Arena Galeria, São Paulo/SP (30/08/2025)

Produção: Impaled Records | Arena Galeria
Texto por Johnny Z.
Fotos por Leandro Cherutti (@leandro_cherutti)

No último sábado, 30 de agosto de 2025, a Arena Galeria, localizada no 5º andar da icônica Galeria do Rock em São Paulo, recebeu a 75ª edição do festival São Paulo em Chamas, reunindo quatro nomes potentes do metal nacional: Mortal Profecia, Gravedäncer, Faces of Death e Selvageria. O espaço se mostrou perfeito para esse tipo de evento, funcionando ao mesmo tempo como palco, ponto de encontro e área de confraternização. Ao ar livre, com ambiente acolhedor e democrático, a Arena Galeria cumpre com excelência seu papel de promover a música autoral independente, sendo descrita em suas redes sociais como “um novo monumento em defesa ao ROCK”.

Estar dentro da Galeria do Rock, um dos locais mais emblemáticos da cena paulistana desde 1963, adiciona ainda mais charme e identidade ao espaço. O público chega imerso em cultura urbana, cercado por lojas de discos, roupas, acessórios e estúdios de tatuagem, o que reforça a atmosfera do local. A Arena Galeria aproveita isso oferecendo shows, exposições e eventos culturais em um espaço bem planejado, com palco a céu aberto, áreas amplas para confraternização e estrutura de alimentação e bebidas. A maioria dos eventos é gratuita, com possibilidade de contribuição voluntária, e alguns shows fechados cobram ingresso, sempre mantendo a acessibilidade como prioridade.

O público percebe imediatamente a energia única do local, que mistura a vibração do rock com um clima descontraído e acolhedor, refletido nos elogios constantes nas redes sociais à organização, qualidade das apresentações e interação entre os participantes. Com eventos acontecendo principalmente nos finais de semana (os shows vão das 18h às 22h), mas com funcionamento diário (das 9h às 22h), a Arena Galeria se consolidou como um dos principais pontos para shows intimistas em São Paulo. Valoriza artistas locais, proporciona experiências memoráveis e mantém eficiência sem perder o charme, tornando-se parada obrigatória para quem ama rock e metal.

Nesse sábado, dia 30 de Agosto, o que vimos no Arena Galeria foi algo inesquecível! Todos os ingressos vendidos antecipadamente, tornando o evento SOLD OUT! Ou seja, mais de 300 ingressos vendidos e um verdadeiro #chupa para quem fala abobrinha do underground nacional! Vamos aos shows!

Mortal Profecia:

A noite teve início com a banda Mortal Profecia, formada em 1989 em Porto Feliz, São Paulo. Com uma sonoridade Old School Death Metal, a banda apresentou faixas de seu mais recente lançamento, o ótimo álbum From the Ashes (2024), que resgata a essência do death metal dos anos 90 com maestria. O vocal gutural e as guitarras pesadas dominaram o palco, conquistando os fãs presentes que faziam rodas brutais de pura celebração ao metal! Músicos competentíssimos, que sabem como lidar com o público underground saíram vitoriosos e ganharam, com certeza, muitos fãs que ainda não os conheciam devidamente (eu me incluo).

Gravedäncer:

Em seguida, Gravedäncer, projeto capitaneado por Armando Exekutor (também conhecido por seu trabalho no Flageladör, Enxöfre e Primitive), trouxe ao palco seu Black/Thrash/Speed Metal visceral, cru e cheio de fúria, com influências de horror e ocultismo, o que agrada em cheio os adeptos das vertentes tradicionais do metal extremo. A banda, formada em 2020, apresentou faixas de seu álbum de estreia The First Rite (2024), cativando o público com sua energia e presença de palco. Sua mistura demoníaca de Motörhead com Venom e Possessed, só elevou o o nível do caos no Arena Galeria. Excelente apresentação. Confesso que também não conhecia o som dos caras, e me agradou muito!

Faces of Death:

Um dos principais nomes do Death/Thrash Metal brasileiro, e uma das bandas principais da noite, levou um grande público ao Arena Galeria e entregou um show de peso, com som agressivo e letras de forte crítica social. Atualmente, a banda aposta em uma sonoridade mais voltada ao Death Metal dos anos 90, mas sem abrir mão da forte influência do Thrash que a acompanha desde a formação, há mais de três décadas. O quarteto — formado por Laurence Miranda (vocal/guitarra), Maurício Filho (guitarra), Sylvio Miranda (baixo) e Igor Nogueira (bateria) — entregou não apenas a melhor apresentação da noite, como também um dos melhores shows nacionais que este redator presenciou em 2025. Os caras estão redondinhos!! (uns literalmente hahaha)

Sem exageros ou bajulação — já assisti a outros shows do grupo —, nesta noite a banda simplesmente destruiu, transformando o centro da cidade em um verdadeiro pandemônio. O som ecoava pesado, alto e cristalino a quarteirões dali, como relatou um amigo que encontrei ao final do evento, quando seguia para o metrô. Esse mesmo amigo, no entanto, não conseguiu entrar no festival devido a um problema lamentável: a portaria da Galeria do Rock encerrou o expediente das lojas e impediu que algumas pessoas subissem, mesmo com ingresso comprado.

Um fato inadmissível, que precisa ser registrado e corrigido para os próximos eventos. Afinal, a força da cena não pode ser manchada por falhas de organização desse tipo. Vale um adendo, nem as bandas e muito menos o Arena Galeria tiveram culpa desse episódio, foi única e exclusivamente da Galeria do Rock.

Destaque para a trinca ensurdecedora daquele que considero o melhor e mais potente álbum da banda, Evil: a faixa-título, “Blood Cross” e “Stronger Than You”. O setlist também trouxe a estreia ao vivo da nova música “Terror em Barbacena”, lançada recentemente como single acompanhado de um brilhante videoclipe, e que integrará o próximo álbum do grupo.

Naturalmente, não faltaram os petardos de From Hell (2018) e Usurper Of Souls (2020), dois trabalhos já elevados ao status de clássicos na discografia da banda. Faixas como “Priest From Hell” — responsável por abrir o show com impacto devastador —, “New World Order”, “King Of Darkness” e a monstruosa “Killer… In The Name Of God” despejaram peso e fúria nos ouvidos do público, que se amontoava diante do palco vibrando, cantando, gritando, pulando e abrindo rodas como se não houvesse amanhã.

Para fechar, uma versão bem descontraída de “Orgasmatron” trouxe fãs e amigos para cima do palco, todos cantando naquele inglês macarrônico em que nem eles sabiam ao certo o que estavam vociferando. Um momento de pura celebração ao metal!

Como disse, já assisti a vários shows da banda, mas este em especial me levou a fazer questão de ir até cada um dos integrantes ao final e parabenizá-los — e agradecê-los — pela verdadeira surra sonora que aplicaram com sucesso (risos).

Selvageria:

Por conta de imprevistos familiares, consegui assistir apenas às duas primeiras músicas da banda. Ainda assim, conhecendo-os tão bem quanto conheço, sei que encerraram a noite com o mesmo brilhantismo e energia de sempre, entregando mais uma verdadeira aula de resgate ao Speed/Thrash Metal retrô brasileiro — e digo “retrô” sem qualquer tom pejorativo, muito pelo contrário —, reforçado por suas letras em português. Um show deles é sempre uma certeza: você sabe exatamente o que vai receber, e nada nesse mundo os fará mudar essa premissa. Ainda bem!

A 75ª edição do São Paulo em Chamas foi um sucesso, reunindo grandes nomes do metal nacional em um ambiente intimista e de altíssimo nível. A Arena Galeria vem se consolidando como um dos principais espaços para shows de metal nesse formato em São Paulo, proporcionando aos fãs uma experiência única e inesquecível. Com o tempo, certamente a casa ficará ainda mais bem equipada — um sistema de P.A. mais robusto seria ideal — e oferecerá ainda mais entretenimento para os apreciadores de música pesada e de qualidade.

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