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Satyricon – Carioca Club, São Paulo/SP (13/11/2024)

Satyricon – Carioca Club, São Paulo/SP (13/11/2024)

Produção: Estética Torta
Assessoria: Lex Metalis Assessoria

Texto por Heverton Souza
Fotos por André Simões (@andresantos_mnp)
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*Fotos gentilmente cedidas por Metal No Papel e Heavy Metal Online

Mesmo com a proximidade do verão, o meio de novembro apresentou um clima frio na capital paulista, que ganhou ares ainda mais gélidos na noite de quarta-feira (13) com a vinda dos noruegueses do Satyricon. Um dos maiores nomes do black metal escandinavo dos anos 1990, a banda é uma entre dezenas que atravessaram o oceano para participações em festivais na América Latina e foi “puxada” para sua terceira vez no Brasil, mesmo no meio da semana.

Contando com seus fundadores Satyr (vocal e guitarra) e Frost (bateria), o time que completa a formação ao vivo nesta turnê inclui Anders Hunstad (teclados), Steinar Gundersen e Attila Vörös (guitarras). Até o fechamento desta matéria, não tivemos informações sobre o baixista que acompanhou a banda nesta passagem pela América do Sul, já que, na Europa, o posto tem sido ocupado por Frank Bello, da banda americana Anthrax.

Sem casa cheia, mas com um público considerável para uma quarta-feira, a banda subiu ao palco pontualmente às 20h30, sem firulas. Sob um backdrop simples com imagens de corvos e uma iluminação fria, o set começou com a morna “To Your Brethren in the Dark”, do último álbum da banda, Deep Calleth Upon Deep (2017). Contudo, o “aquecimento” logo deu lugar à energia quando a banda emendou com o clássico Nemesis Divina, faixa-título de seu maior sucesso, lançado em 1996. Era impossível não se impressionar com a destreza e a velocidade dos bumbos de Frost, mesmo para quem já havia visto a banda antes.

Quando o público finalmente pôde cantar junto, a oportunidade veio com “Now, Diabolical”. Após essa música, Satyr interagiu com os paulistanos, ressaltando que, ao cruzar continentes e viver em turnês, o que mais se guarda na memória não são os lugares bonitos ou a culinária local, mas o público. Ele desafiou os paulistanos a serem o melhor público da turnê na América Latina.

Depois de “Black Crow on a Tombstone”, a pista começou a ovacionar o nome da banda, deixando Satyr visivelmente emocionado. Faixas mais recentes como “Deep Calleth Upon Deep” e “Our World, It Rumbles Tonight” abriram caminho para “Repined Bastard Nation”, do álbum Volcano (2002), mostrando que o set list contemplaria toda a discografia da banda. Logo após, a frieza escandinava dos anos 1990 voltou com “Hvite Krists død” e “Walk the Path of Sorrow”. Ao vivo, clássicos de mais de 30 anos e músicas mais recentes soaram coesas e atemporais, reforçando a trajetória de três décadas do Satyricon.

Durante o show, Satyr trouxe uma reflexão curiosa, citando o hit “Hate to Say I Told You So”, da banda sueca The Hives. Ele relembrou o lançamento de Rebel Extravaganza (1999), álbum que marcou uma guinada na sonoridade do Satyricon. Na época, o disco foi criticado por se afastar do black metal tradicional, mas Satyr destacou que a escolha foi intencional, para romper com o caminho gótico que o gênero seguia. Como parte do discurso, a banda executou “Filthgrinder” e “Die By My Hand”, seguidas da hipnótica “To the Mountains” e da empolgante “The Pentagram Burns”.

Na reta final, “Fuel for Hatred” trouxe uma explosão de energia, preparando o público para o clássico máximo: “Mother North”. Os rostos nostálgicos de vários quarentões, que cantavam enquanto se lembravam do clipe exibido no programa Fúria Metal, da MTV, foram um espetáculo à parte. Por alguns minutos, parecia que todos esqueceram os problemas do dia a dia, imersos no poder transformador da arte. Para encerrar, o black n’ roll típico do Satyricon se fez presente com “K.I.N.G.”.

O show contou com uma iluminação lindamente planejada para momentos específicos, som cristalino e performances impecáveis. Frost, mesmo pouco visível atrás do kit de bateria, continuou sendo um espetáculo à parte com sua técnica inigualável. Apesar da ausência de músicas como “Havoc Vulture”, “Forhekset” e a belíssima “Phoenix”, o público foi presenteado com duas horas intensas de uma viagem pela carreira de um dos maiores nomes do heavy metal mundial.

Setlist:

Intro
To Your Brethren in the Dark
Nemesis Divina
Now, Diabolical
Black Crow on a Tombstone
Deep Calleth Upon Deep
Our World, It Rumbles Tonight
Repined Bastard Nation
Interlude (Black Wings and Withering Gloom intro)
Black Wings and Withering Gloom
Hvite Krists død
Walk the Path of Sorrow
Filthgrinder
Die by My Hand
To the Mountains
The Pentagram Burns
Fuel For Hatred
Mother North
K.I.N.G.

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