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Satyricon – “Deep Calleth Upon Deep” (2018)


Satyricon
 – “Deep Calleth Upon Deep” (2018) 

Napalm Records | Hellion Records Brazil
#BlackMetal#OccultRock#HeavyMetal

Para fãs de: ImmortalDarkthroneGhost

Nota: 9,5

Tem aquele tipo de fã de Metal que se considera guardião da pureza de determinado sub-gênero, lance que pega forte nas regiões em que habitam as hordas dedicadas ao Black Metal, em que, basta uma de suas bandas cultuadas optarem por experimentações para serem consideradas hereges e suas respectivas obras incluídas no Códex dos infernos. Tudo bem, cada louco na sua.

Prefiro seguir com aqueles que admiram bandas e seguem suas carreiras em toda sua diversidade – nos altos e baixos – a fim de compreender as propostas que apresentam aos fãs, em busca de transformação e novas experiências. Por isso coloquei o play do Satyricon para tocar sem medo do que estaria por vir.

E, realmente, foi uma experiência e tanto, mesmo que a capa “chutada” não seja exatamente um convite atraente para uma audição otimista. De todo modo, sem julgar o livro pela capa, no geral, as músicas apresentadas neste trabalho são bem densas, com andamentos arrastados, predominância de composições fundadas em riffs e convenções de guitarras, contando com boa produção e mixagem, que deixaram tudo muito polido (talvez polido até demais).

A dupla Satyr e Frost conta com músicos convidados tocando, além dos instrumentos convencionais, também cello, clarinet, mellotron, backin vocals gregorianos, contrabaixo e outras ambientações climáticas.

O álbum tem início com “Midnight Serpent”, apresentando excelentes fraseados de guitarra e andamentos complexos de bateria, além das típicas linhas de vocais de Satyr, que vociferam “Liberate, extirpate, pull up by the root/Let another song reverberate/Above the winds soaring/Turn to the sun and let the cloak drop from the ground” (Libere, extirpe, puxe pela raiz/Deixe outra canção reverberar/Acima dos ventos ascendentes/Vire para o sol e deixe o manto brotar do solo”) , como uma boa nova pagã e gélida que se seguirá ao longo da audição desta obra.

“Blood Cracks Open The Ground” caminha entre o Black Metal e o Metal Tradicional, não muito diferente do que ouvimos em trabalhos da segunda fase da banda, iniciado com o “Rebel Extravaganza/Volcano”. O mesmo ocorre me “To Your Brethren In The Dark”.

Já em “Deep Calleth Upon Deep” temos a presença dos tais cantos gregorianos, que tornam tudo muito interessante e moderno, esquema Black Metal soturnão combinando com elementos tradicionais e algo de post-punk, mostrando que quem foi pilar da segunda onda do Black Metal no início da década de 90 pode abrir novas frentes para o estilo na década que está por vir.

Por falar nisto, “The Ghost Of Rome” vem com andamento e arranjos que lembram bastante o que vem praticando a banda Ghost, naquele clima Occult Rock, com diversas passagens aceleradas repletas de fraseados de guitarra naquela timbragem típica da banda liderada atualmente pelo Cardinal Copia.

A coisa acelera consideravelmente em “Dissonant” e “Black Wings”, quando dá para sentir um pouco aquela pegada Black Metal que a banda despejou aos montes, de forma esplêndida, em seus dias de apogeu no Black Metal Norueguês. O trabalho se encerra com “Burial Ritual”, que sintetiza a sonoridade atual do Satyricon pautada na diversidade dentro do estilo que forjou ao longo de sua existência. E, neste trabalho demonstra coerência entre passado, presente e aquilo que ainda pode nos oferecer no futuro – que indica ser promissor.

Wallace Magri

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