Savage Mania – “Demonic Assault” (2025)
Fireflash Records | Shinigami Records
#ThrashMetal
Para fãs de: Slayer, Kreator, Exodus, Onslaught
Texto por Caio Siqueira Iocohama
Nota: 8,5
Existe uma máxima que raramente falha quando o assunto é Metal. É muito difícil sueco errar. O Savage Mania, formado em Bollnäs em 2019, ajuda a manter essa fama. Originalmente lançado de forma independente em 2025, Demonic Assault agora ganha lançamento físico pela Fireflash Records e Shinigami Records. São pouco menos de 27 minutos de Thrash Metal old school, direto, rápido e com uma sonoridade excelente, bem mixada, sem perder aquele acabamento cru que combina perfeitamente com a proposta.
Depois da breve faixa de introdução, a pancadaria começa sem cerimônia em “Undead Rebirth”. De início, a música engana um pouco, com um riff mais lento e pesado que chega a encostar no Doom Metal. Entretanto, isso dura pouco. Logo entra uma guitarra rápida, acompanhada por uma bateria violenta, numa pegada que lembra o Slayer de Reign In Blood. Na reta final, aquele riff mais arrastado do começo volta um pouco acelerado e, assim, fecha a faixa com bastante peso.
“The Face Of Death” mantém o acelerador no fundo, com riff rápido, bateria acompanhando na mesma velocidade e bons momentos de pedal duplo. Além disso, é aqui que a produção chama bastante atenção. Tudo soa claro e pesado, mas sem aquela limpeza excessiva que tiraria a graça de um disco desse tipo. Dessa forma, a mixagem consegue preservar a sensação old school sem parecer uma gravação ruim ou artificialmente envelhecida.
“Master Of Hell” poderia ter saído de Show No Mercy. A influência do primeiro Slayer é escancarada e, sinceramente, isso aqui está longe de ser um problema. Afinal, o riff, a velocidade e a forma como a banda ataca a música carregam aquela “urgência” do Thrash Metal do começo dos anos 80. Logo depois, “Remorse” abre com um pedal duplo que lembra “Overkill”, do Motörhead, só que um pouco mais rápido, antes de cair novamente naquele ataque de guitarras que domina o álbum.
Se até aqui as referências já estavam claras, “Storm Of Steel” deixa tudo ainda mais óbvio. A faixa tem muito do Kreator de Total Death e do Exodus de Strike Of The Beast, principalmente pela forma como o riff rápido empurra a música. Por sua vez, “Death And Decay” não muda a fórmula e nem precisa. Continua rápida, agressiva e com os riffs mantendo o nível alto. A essa altura, já fica evidente que a banda não veio procurar variedade, e sim manter a porrada funcionando.
“Fasttrack” é daquelas em que o nome praticamente faz a resenha sozinho (risos). São menos de dois minutos de correria, agora com uma pegada mais próxima do Thrash/Crossover e aquele espírito Punk aparecendo de forma bem mais clara. Portanto, é curta e direta.
Então chega “Demonic Assault”, fechando o disco exatamente do jeito que ele começou: sem dar folga. A faixa segue a mesma escola das anteriores e talvez justamente aí esteja a característica mais curiosa do álbum. Se parar para analisar, várias músicas são tão próximas em andamento e estrutura que Demonic Assault quase parece uma única composição de 27 minutos dividida em capítulos. É uma espécie de música “progressiva” de Thrash Metal, só que sem progressividade nenhuma (risos): apenas riff, velocidade e pancadaria.
Isso poderia ser um defeito em um trabalho mais longo. Aqui, porém, não é. O disco termina antes que a repetição comece a cansar e, consequentemente, transforma essa uniformidade em identidade. O Savage Mania não está tentando reinventar o Thrash Metal, nem esconder as referências. Slayer, Kreator, Exodus e aquela escola old school estão por toda parte. Ainda assim, o importante é que os suecos executam a fórmula muito bem.
No fim, aquela máxima do começo continua valendo. É muito difícil sueco errar. Demonic Assault é curto, violento, muito bem produzido e entrega, acima de tudo, uma pancadaria sem folga para os ouvidos.

