Ícone do site METAL NA LATA

Saxon – Bar Opinião, Porto Alegre/RS (13/03/2019)

Banda: Saxon
Local: Bar Opinião, Porto Alegre/RS
Data: 13/03/2019
Produtora: Abstratti Produtora

Texto por Sergiomar Menezes
Fotos por Diogo Nunes

Antes mais nada, gostaria de deixar uma coisa clara por aqui: se você pretende ler uma resenha imparcial, focada em termos técnicos, altamente profissional, esqueça. Por mais que o Metal na Lata sempre adote essa postura, dessa vez não tem como não deixar de lado essa característica tão necessária. E isso se dá simplesmente por que estamos falando de um dos shows mais aguardados pelos headbangers gaúchos há muito, mas muito tempo. Mais precisamente há 18 anos! Em 2001, o Saxon tinha uma data marcada para este mesmo Bar Opinião, mas a produtora à época (que não era a Abstratti Produtora), preferiu trocar o lendário grupo inglês pelo Sepultura (!?). Lembro que eu mesmo liguei para tal produtora e perguntei o motivo do cancelamento. Mas enfim, o que importa é que finalmente, um dos maiores nomes do Heavy Metal de todos os tempos estava prestes a se apresentar na capital do Rio Grande do Sul. Tinha tudo para ser uma noite memorável. E foi!

Um bom público (cerca de 900 pessoas) compareceu em uma quarta feira bastante agradável no Bar Opinião. Se levarmos em consideração as condições financeiras, podemos dizer que foi um bom número, mas confesso que fiquei um pouco decepcionado, vez que a importância e relevância do Saxon são quase imensuráveis. Mas a única coisa que posso fazer por quem lá não esteve é lamentar, pois não tenho nenhuma dúvida em afirmar que os que lá estiveram, presenciaram uma das maiores celebrações de Heavy Metal que Porto Alegre já teve a honra de receber. E na humilde opinião deste que vos escreve, foi sim, o show mais foda do estilo já acontecido por aqui. E olha que já assisti nomes como Iron Maiden, Judas Priest, Helloween, Black Sabbath, entre outros.

Sem muita conversa, precisamente ás 21hs, começa a tocar “It’s a Long Way to the Top If You Wanna Rock N’ Roll” do AC/DC, que vem servindo como introdução para o show do quinteto britânico nessa turnê. Logo em seguida, a pequena intro “Olympus Rising” vem para aumentar ainda mais a ansiedade dos presentes, até que Biff Byford (vocal), Doug Scarret (guitarra), Paul Quinn (guitarra), Nibbs Carter (baixo) e Nigel Glockler (bateria) entram no palco e de cara já mandam ver “Thunderbolt”, faixa título do mais recente e excelente álbum do grupo lançado em 2018. Nesse momento, o que se viu no Opinião foi um misto de euforia, alegria, emoção e muita felicidade. Alguns pareciam não acreditar que estávamos ali, diante de um nome lendário do metal, ainda mais depois de tanto tempo de espera. Não foi raro ver muitos enxugando as lágrimas, o que aconteceu por diversas vezes ao longo da apresentação. Inclusive, por parte deste que vos escreve.

Logo na seqüência, “Sacrifice”, faixa-título do 20º álbum do grupo, que mostrou ainda mais a força e consistência do grupo ao vivo. “Wheels of Steel”, primeiro “clássico” da noite, colocou todo mundo pra cantar junto. O que impressiona muito em um show do Saxon é a presença de palco do baixista Nibbs Carter. O cara não pára um segundo, além de auxiliar de forma precisa nos backing vocals. Se na faixa anterior, o público já foi à loucura, o que dizer sobre a execução de “Strong Arm of the Law”? Punhos cerrados e tome “ Stop! Get Out! We Are the Strong Arm of the Law”! Não é necessário dizer que Biff tinha o público nas mãos. Outra coisa que cabe e muito salientar é que Biff, apesar dos seus 68 anos de idade, coloca muito vocalista metido a rock star, no bolso. Em seguida, outro clássico inigualável: “Denim and Leather”!, seguida de um pouco de novidade, com “Battering Ram”, faixa do álbum homônimo, lançado em 2015. Um início avassalador!

Então era chegado um dos momentos mais belos e emocionantes do show. “Frozen Rainbow”, presente no primeiro álbum da banda “Saxon”, de 1979. Que música espetacular! E o que dizer da performance do baterista Nigel Glocker? Com 66 anos, o músico mostrou uma técnica e pegada impressionantes, mostrando por que é um dos bateristas mais reverenciados por quem realmente entende do assunto. Em seguida “Backs to the Wall” emendando a dobradinha do primeiro álbum do grupo, antecedeu a grande homenagem que o Saxon fez ao Motörhead em seu mais recente trabalho. Após o vocalista fazer referência a turnê que ambas as bandas protagonizaram em 1979. “They Played Rock n’ Roll” poderia estar facilmente em qualquer disco do Motörhead, tamanha a entrega e emoção colocada pelo gruo nessa faixa, seja na gravação como na performance ao vivo. Os riffs inconfundíveis de “ Power and the Glory” vieram para mostrar o grande entrosamento dos guitarristas Doug Scarret e Paul Quinn. Uma das duplas mais precisas e cheias de feeling do Heavy Metal! Se Paul é mais na dele, Doug também não tem uma grande performance de palco. Mas o que esses dois compensam tocando, ah meu amigo…

No setlist programado originalmente, estavam listadas “Hungry Years” e “Dogs of War”. Mas poucos momentos antes, Biff “trocou uma ideia” com o público perguntando quais faixas deveriam ser tocadas. E no lugar dessas duas tivemos as sensacionais “Ride Lie the Wind” (cover de Christopher Cross), “Broken Heroes” e “Motorcycle Man” Uma trinca dessa, o que dizer? Se a primeira ficou imortalizada pelo grupo, a segunda voltou ao set depois de muito tempo. Já a terceira, uma das músicas mais fodas e rápidas da banda! Um verdadeiro hino!

“747 (Strangers in the Night)”, outro momento inesquecível! E nessa faixa, pude perceber algo que me chamou bastante a atenção. Perto de onde eu estava, um cara olhava pro alço, colocava as mãos na cabeça, passava nos olhos, colocava de volta na cabeça, como não acreditando no que estava vendo. Não apenas por essa ser uma das faixas mais legais da carreira do Saxon, mas porque, muito provavelmente, ele tinha uma história com essa faixa. Assim como a maioria dos presentes que ali estavam, cada qual com a sua em particular. Na seqüência, “ And the Band Played On” e “Lionheart”, momentos também marcantes, antecederam aquele momento “inédito” onde Biff pergunta se estamos cansados, se queremos mais e então rasga o setlist. Mesmo sabendo que isso sempre acontece, é algo que sempre tive a vontade de presenciar.

O show se aproximava do fim, e então tivemos “To Hell and Back Again”, “Dalas 1 P.M.” e “Crusader”. Precisa dizer a reação da platéia? Três faixas monumentais sendo executadas de forma perfeita por uma banda não menos que espetacular. Embora as três sejam excelentes, confesso que “Crusader” me deixou com aquela sensação de nostalgia, quando ouvia minha fitinha K7 e tentava cantar junto refrão da música. Um momento que não tem como não se emocionar. A banda então deixa o palco ao gritos de “ Saxon, Saxon, Saxon”.

Obviamente, que o quinteto volta e encerra a apresentação com três faixas icônicas. “Heavy Metal Thunder”, onde Biff e Carter pareciam que iriam perder o pescoço, além de mostrarem que o show parecia estar apenas começando, “Never Surrender” e aquela que, na opinião deste humilde redator e fã do grupo, é um dos maiores clássicos da história do Heavy Metal: “Princess of the Night”. Que momento, meus amigos! Não teve uma única alma presente ao show que ficou parada nesse momento! Nenhuma! Acredito que até o pessoal do bar, seguranças, tenham entrado nessa viagem emocionante ao ver/ouvir uma música que nunca, mas nunca ficará velha! E assim, chegava ao fim essa verdadeira celebração do Heavy Metal!

Não tenho palavras para descrever o que se viu essa noite no Opinião. Uma noite mágica, inesquecível e marcante. Fica muito difícil tentar dizer em palavras por aqui. Não foi raro ver amigos de longa data, ao final do show, se abraçando, emocionados. E não poderia ser diferente. Parafraseando aquela famosa propaganda de TV, “tem coisas que só o Heavy Metal faz pra você”. E essa é uma delas…

Fica aqui meu agradecimento ao Metal na Lata por me proporcionar realizar a cobertura de uma das bandas mais importantes da história, bem como à Abstratti Produtora por desfazer uma das maiores injustiças das quais o público metal gaúcho já tinha sofrido. Foram dezoito anos na espera dessa reparação que finalmente aconteceu. Muito, mas muito obrigado mesmo. E mais uma vez, obrigado ao Diogo Nunes pelas fotos, numa parceria com o site Road To Metal.

Setlist:

Olympus Rising (intro)
Sacrifice
Wheels of Steel
Strong Arm of the Law
Denim and Leather
Battering Ram
Frozen Rainbow
Backs to the Wall
They Played Rock n’ Roll
Power and the Glory
Ride Like the Wind
Broken Heroes
Motorcycle Man
747 (Strangers in the Night)
And The Band Played On
Lionheart
To Hell and Back Again
Dalas 1PM
Crusader
Heavy Metal Thunder
Never Surrender
Princess of the Night

Sair da versão mobile