Scars – “Predatory” (2020)
Brutal Records | Sony Music Entertainment | Voice Music Gravadora
#ThrashMetal, #HeavyMetal
Para fãs de: Kreator, Exodus, Death Angel, Artillery , Forbidden, Annihilator, Suicidal Angels
Nota: 9,0
Se você está nesse mundo pesado há pouco mais de uma década, com absoluta certeza se lembra (ou até teve um) do adesivo “Eu Apoio o Metal Nacional” e, mais ainda, da existência de um certo grupo paulistano chamado Scars, que desde os seus primórdios lá na primeira metade dos anos 90 provocou alvoroço com o lançamento do split “Ultimate Encore” (1994), com as bandas Distraught e Zero Vision. Mas como dentro do Heavy Metal as coisas são inesperadas, do dia para noite, o que era barulhento e agressivo se tornou silencioso e calmo com o encerramento das atividades da banda em 2008, após o lançamento de dois excelentes trabalhos: “The Nether Hell” (2005) e “The Devilgod Alliance”.
A sorte que os ciclos estão se movendo a todo instante e após a “morte” sempre há uma ressurreição. Em 2018, a banda resolveu incendiar tudo retomando a carreira com uma nova formação, dois singles digitais muito bem aceitos pela crítica/fãs e diversos shows, aguçando bastante a curiosidade dos headbangers, até que finalmente a chegada de “Predatory”, o seu tão sonhado novo álbum completo de estúdio, veio para nos surpreender ainda mais!
Duas coisas muito boas me chamaram bastante atenção ao longo das diversas vezes que escutei o álbum. Primeiro, nota-se que a banda se manteve bastante fiel ao seu estilo e jeito de tocar, com as composições transmitindo a energia do palco para o estúdio de forma moderna e pesadíssima. Com toda certeza, todos suaram bastante a camisa para chegar no excelente resultado final. Sem contar, também, com a magistral produção de Wagner Meirinho que não só deixou a sonoridade mais encorpada como manteve uma bem equilibrada mistura de ‘old school’ com o modernidade.
Segundo, a evolução que se ouve de “Devilgod Alliance” para “Predatory” é brutal! Por mais que traga o jeitão old school citado anteriormente, mesclando bem as escolas americanas e germânicas, você consegue notar toques modernos de Heavy Metal tradicional aqui e acolá, solos melódicos super bem trabalhados sem escalas mirabolantes ou exageros.
É claro que você deve estar se perguntando: “Cadê a porra do ThrashMetal?” Ah, meu amigo, esse vem em formas de golpes assassinos na faixa título (que baixo espetacular!), em “These Bloody Days”, que carrega uma até surpreendente influência de Overkill, a rifferama a lá Exodus em “Ancient Power” e por ai vai! O Thrash Metal aqui não se resumiu somente a pancadaria, mas sim a melodia e técnica sem deixar de ser Thrash Metal! Coisa de gênio!
Já em “Ghostly Shadows”, “Beyond the Valley of Despair” e “Violent Show”, “The 72 Faces Of God” temos uma interessante mistura de Kreator com Suicidal Angels, ou seja, brutal, mas com harmonias e excelentes refrões daqueles que você sai berrando quase que imediatamente. Alías, os vocais de Regis F. aqui são destaques a parte, pois o cara simplesmente cantou de forma agonizante, visceral e brutal que a cada estrofe vociferada sentimos o ódio e revolta em doses cavalares por trás das letras. Os elogios não ficam só para Regis, Marcelo Mitché (baixo) se mostrou um monstro das quatro cordas, Alex Zeraib (guitarra) com todo seu peso descomunal na mão direita, João Gobo descendo o cacete impiedosamente na bateria e Thiago Oliveira (guitarra solo), que como poucos soube dosar sua incrível habilidade técnica em prol da música.
Ainda há espaço para mais alguns momentos dignos de nota, como nas guitarras a la Yngwie Malmsteen da pequena instrumental, “The Unsung Requiem”, talvez a única mais “mirabolante”, e na cadenciada “Sad Darkness of the Soul”, que traz um falso respiro, tudo graças ao seu peso descomunal e eloquente, somados a uma temática sombria.
O fechamento vem com as já conhecidas “Armageddon” e “Silent Force”, que aqui entraram como material extra, já que ambas foram lançadas de forma digital em 2018 após a retomada da carreira. Inferiores ao restante do álbum? De forma alguma! Castigam sem dó nossa carcaça!
Contemple o passado, diga adeus ao hiato e brindemos juntos o caos da nova era de um verdadeiro gigante. A espera foi longa, mas valeu a pena. “Predatory” coroa toda a raça, garra e amor que o grupo tem para os seus fãs e ao que faz, muitíssimo bem, diga-se de passagem.
Scars is Back, Bitch!
William Ribas
