Self Disgrace – “Fetus in Fetu” (2020)
Malevolence Records
#ThrashMetal, #Crossover
Para fãs de: Nervosa, Exodus, Nuclear Assault, Slayer
Nota: 9,5
Quando comecei a comprar cds juntando aquele trocado do lanche da escola, dos centavos que sobravam da ida ao mercado da vila, eram por dois motivos: resenhas nas revistas MetalHead,, Rock Brigade e Roadie Crew ou vendo as capas nas lojas de disco . Ao primeiro contato com “Fetus in Fetu”, terceiro álbum da banda italiana Self Disgrace, foi de total desaprovação, uma arte que me passou a crueza de algo de fundo de quintal, de iniciantes que apenas queriam chocar, mas por obrigação do oficio, apertei o play.
Os primeiros segundos de uma guitarra acústica e dedilhada, para a entrada de uma bateria tribal, com vozes invocando satanás começam a te carregar ao um mantra arrepiante. Foi nesse contexto que “Deliverance”, a faixa de abertura do novo álbum do Self Disgrace, dilacerou todas minhas veias fazendo jorrar adrenalina numa carcaça já acostumado com a agressividade costumeira do estilo! As vocalizações caóticas e a energia negra crescente em forma de um espiral metálico absolutamente envolvente, me mostraram que o que os olhos não veem, o corpo sim, sente!
Calcado no Thrash Metal, mas não preso em arames, o grupo acrescenta diversas vertentes ao seu estilo, fazendo com o que o som ganhe dinâmica e não soando repetitivo. Você, que terá coragem para adentrar nesse mundo brutal e gritado, encontrará aqueles belos riffs certeiros, urros e variações vocais da excelente Dielle Green, uma frontwoman de mão cheia, que usa muito bem a voz, e uma cozinha pulsante, que mais do que jogar grave na nossa cara, sabe muito bem ser técnica quando necessária.
Os destaques desse “Reign In Blood” fora de época depende do humor e dia. Em alguns, “In Chains” e sua dinâmica misturada que carrega a bandeira do Crossover hasteada, já em outros temos a dupla “Never Born” e “The Mansion”, onde o lado cru mais agressivo faz as honras e alegria dos thrashers de plantão.
Por ser um álbum curto com aproximadamente 30 minutos, o ‘repeat’ é inevitável, sendo um belo convite para ouvirmos de camarote a sinfonia da destruição e caos dessa, até aqui para mim, desconhecida perola italiana.
William Ribas
