Sepultura – “Quadra” (2020)
Nuclear Blast
#ModernThrashMetal, #GrooveMetal, #GrooveThrashMetal
Para fãs de: Death Angel, Testament, Machine Head, Exodus
Nota: 10
E eis que mais um álbum novo do Sepultura surge, e como consequência, aquela velha ladainha de comparação com o passado sempre acaba entrando em qualquer discussão sobre a banda, certo? Errado! Se você veio até aqui achando que iria ler viuvices ou comparações, perdeu seu tempo.
Temos que ser francos, de “Kairos” (2011) para cá a banda vem numa crescente enorme! Tudo bem que “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” (2013) não foi assim tão grandioso, mas foi sim um grande ponto de mudança quase que como um recomeço na carreira da banda. Foi a partir daí que começaram a se superar em todos os sentidos, deixando de lado aquela pegada mais Hardcore que vinha desde o “Against” (1998), trazendo mais melodia, técnica, musicalidade e muito peso munido de criatividade. “Machine Messiah” mostrou bem isso e agora “Quadra” escancarou esse óbvio! Sim, eles acertaram bonito!
Querem um “culpado”? Dou dois! O monstro Eloy Casagrande (baterista), que não só calou minha boca anos atrás como me mostrou que atualmente não existe baterista melhor. A entrada dele parece que soltou o freio de mão que a banda tinha, com todo respeito ao excelente trabalho de Jean Dolabella. Não só nas composições mas na facilidade de criação de ritmos e quebradas quase que esquecidas por completo após a saída de Iggor Cavalera em 2006. O outro é o Sr. Andreas Kisser que a cada lançamento mostra ser um “ás” como compositor, pois como guitarrista todos sabemos que sempre foi.
De brinde ainda temos os vocais de Derrick que, com todos os nuances e timbres expostos aqui, abrilhantaram todo o álbum e o baixão de Paulo até mais bem explorado e bem audível em certas faixas, tudo isso graças a produção que soube como poucos explorar o melhor de cada músico!
As faixas agora estão claramente mais coesas, cheias de energia, com inserções orquestrais – ora angelicais ora sinistras/macabras – dando outra dimensão as mesmas e descaradamente muito melhores do que tínhamos antes. E não só nesses detalhes que a melhora é notada, a produção estupenda de Jens Bogren, os solos e o peso voltaram a calcar cada uma das 12 faixas em “Quadra”. Aquelas ‘rifferamas’ que tanto gostamos estão presentes em TODAS faixas, o que numa primeira audição fará, com certeza, você ouvinte dar aquela risadinha de lado e pensar: “Puta merda! Ó os caras de volta!”.
Evoluído sim, mas não menos brilhantes e pesados! “Quadra”, em termos de grandiosidade, para mim, poder ser colocado num patamar de um “Beneath The Remains” (1989), “Arise” (1991) ou “Chaos A.D” (1993), sem problema nenhum. Sim, meus caros, para mim é o Santo Graal da fase Derrick Green (vocal). Os céticos podem vir a me chamar de exagerado, não ligo, mas duvido me provarem o contrário após ouvir esse trabalho impecável. Estou aguardando ansiosamente (risos).
Foi muito dito que “Quadra” teria 4 partes distintas, mas confesso para você que nas primeiras audições eu não notei porcaria nenhuma de “partes” de tão bem feito e harmonizado que está o negócio. Você escuta da primeira a última faixa numa tacada só, e ao término volta tudo de novo. Me fala algum álbum recente que te fez fazer isso?
Enfim, Derrick, Andreas, Paulo e Eloy não só acertaram em cheio como, também, criaram um novo ‘masterpiece’ com o slogan sonoro “foda-se” para quem achava que eles jamais conseguiriam tal fato.
Da porradaria Thrash Metal de “Isolation”, primeiro single liberado, passando pela quebradeira monstruosa de “Means To An End”, com seus leves toques de “Chaos A.D”, na majestosa “Last Time”, com sua pequena introdução cheia de dedilhados nos levando a uma cacetada tão brutal que chega até a sangrar os tímpanos, na tribal e percussiva “Capital Enslavement”, também trazendo aqui o melhor de “Roots” (1996) e “Chaos A.D.”, na rifferama Thrash “Ali” (Andreas solta a mão bonito aqui!), que mais parece uma homenagem ao boxeador Mohamed Ali pois é um verdadeiro soco na cara do ouvinte, na pesadíssima “Raging Void”, cheia de elementos mais progressivos caminhando de mãos dadas junto com os riffs ultra pesados e seu refrão grandioso, na quase que uma “Kaiowas” mais demoníaca dos anos 2020 em “Guardians Of Earth”, que descamba numa porradaria cheia de fúria antecedendo a instrumental vibrante e pesadíssima “The Pentagram”, deixando bem claro que a banda hoje não precisa de ninguém além dos quatro atuais membros (sem contar no solo de Andreas que aqui chega a arrepiar), na propositalmente esquisita em seu início “Autem”, mas contagiante conforme seu desenrolar onde o pau literalmente come pra valer, na pequena instrumental homônima em dedilhados de violão, na exuberante, cadenciada e mais atmosférica “Agony Of Defeat”, com um belíssimo trabalho de vocais/backing vocals e orquestrações, até o fechamento com a super encorpada e quase épica “Fear, Pain, Chaos, Suffering”, que traz a vocalista Emmily Barreto (Far From Alaska) mandando ver junto com Derrick num dueto dos infernos, temos a certeza que estamos diante de um novo clássico.
Sim meus amigos, eles se re-encontraram e fizeram bonito pra valer e, agora, creio que muita gente das antigas (me incluo nessa), enfim, poderá dizer que algumas novas músicas ficarão marcadas em suas memórias, pois existia muito espaço esperando por elas há algum tempo.
Johnny Z.
