Setembro Negro (Dia 1) – Vip Station, São Paulo/SP (05/09/2025)
Produção: Tumba Productions
Texto e fotos por Matheus “Mu” Silva
Após um descanso em 2024, o tradicional festival anual Setembro Negro voltou com mais uma edição neste ano. Realizado em São Paulo/SP, o evento reuniu 30 bandas de diferentes estilos, países e regiões do Brasil, reafirmando toda a diversidade que o Metal mundial tem a oferecer. Sob produção da Tumba Productions, o festival se consolidou como obrigatório no calendário dos fãs de música pesada, sempre gerando expectativa e entregando edições cada vez mais consistentes. A mudança de local, do tradicional Carioca Club para o Vip Station, também se mostrou uma decisão acertada: a casa conta com um palco secundário, o que permitiu a alternância de shows com apenas 10 minutos de diferença entre as apresentações, tornando a experiência ainda mais dinâmica.
Desde 2002, o Setembro Negro é um dos eventos mais tradicionais do Brasil. Em seus primeiros anos, foi mais focado em bandas extremas, sempre trazendo nomes inéditos ao país — geralmente duas ou três atrações internacionais — intercaladas com grupos nacionais. Foram 10 edições seguidas até 2012, com shows históricos, como o do Dissection, em 2005. Após um hiato de seis longos anos, o festival retornou em 2018 em novo formato, com dois dias de duração, e já em 2019 expandiu para três dias, abrindo espaço para mais vertentes da música pesada, como Stoner, Grindcore e até mesmo Heavy Metal. Assim, fortaleceu ainda mais sua importância e relevância.
Nota do autor: Infelizmente, por conta do trânsito intenso na zona sul devido ao The Town, não foi possível chegar a tempo para o show do Necrofilosophy. A cobertura se inicia a partir do Thulcandra.
Às 19h10, no palco Maioral, começou a apresentação do Thulcandra, primeira atração internacional da noite e certamente uma das mais aguardadas do festival. Pela primeira vez no Brasil, a banda bávara trouxe seu Black Metal melódico incrivelmente bem trabalhado, fortemente influenciado pelo Dissection em seu auge. Ativa desde 2003 e cada vez mais em evidência, é o projeto paralelo do guitarrista Steffen Kummerer, também conhecido por seu trabalho no renomado Obscura. Em turnê do excelente Hail the Abyss (2023), entregaram um show impecável, repleto de técnica e melodias intensas e cativantes. Com 50 minutos de set, executaram músicas como Fallen Angels Dominion, Hail the Abyss e Spirit of the Night, confirmando seu momento de destaque na cena extrema mundial e saciando a expectativa dos fãs brasileiros.
Às 20h10, no palco Infernal, foi a vez do Vermin Womb despejar seu Deathgrind niilista. A banda norte-americana de Denver/Colorado fez um show caótico e cheio de ódio. A potência sonora beira o inacreditável: se em estúdio já soa extremo, ao vivo é ainda mais devastador, com blast beats furiosos e riffs incessantes. Em 40 minutos, e com músicas curtas — a maioria com menos de três minutos —, a banda espremeu tudo o que podia em um dos momentos mais intensos da noite, recebendo ótima resposta do público.
Às 21h00, também no palco Infernal, subiu ao palco o Primordial. Se o show anterior foi sobre brutalidade desenfreada, aqui a musicalidade seguiu o caminho oposto. Em sua segunda passagem pelo Brasil, a banda irlandesa de Folk/Black Metal trouxe seu som épico e grandioso, fortemente influenciado pelo Bathory em sua fase Viking. Ativos desde 1991 e divulgando o álbum How It Ends (2023), corresponderam à expectativa com um set muito bem selecionado. Com 60 minutos de duração, tocaram faixas como No Grave Deep Enough, To Hell or the Hangman, The Coffin Ships e Empire Falls, reforçando a imponência de sua música e proporcionando uma verdadeira viagem por contos heroicos embalados por sonoridades sombrias.
Setlist:
As Rome Burns
No Grave Deep Enough
Gods to the Godless
To Hell or the Hangman
Victory Has 1000 Fathers, Defeat Is an Orphan
The Coffin Ships
Empire Falls
Às 22h10, o The Crown incendiou o palco Infernal. Formada em 1990 sob o nome Crown of Thorns, a banda sueca alterou para o nome atual em 1998. Seu Death/Thrash Metal é intenso e pesadíssimo, mantendo quase toda a base da formação original: Johan Lindstrand (vocal), Marcus Sunesson e Marko Tervonen (guitarras), além do baixista Mattias Rasmussen e o baterista Mikael Norén, ambos desde 2022. Em turnê do devastador Crown of Thorns (2024) e em sua primeira vez no Brasil, entregaram o show mais enérgico da noite. O palco secundário se transformou em um verdadeiro inferno lotado, com moshs constantes. O setlist contou com faixas como Angels Die, Blitzkrieg Witchcraft, Churchburner, Total Satan e o encerramento apoteótico com 1999 Revolution 666, cantada em coro pela plateia, deixando a banda impressionada.
Às 23h10, no palco Maioral, o Agalloch encerrou a primeira noite. Formada em 1995, a banda norte-americana alia Black Metal a elementos folk de forma única e envolvente. Uma apresentação no Brasil parecia um sonho distante, especialmente após o fim do grupo em 2016. O mais próximo que os fãs tiveram foi um rápido show acústico de John Haughm no Overload Music Fest, em 2017. Mas com o retorno oficial em 2023, o desejo finalmente se realizou em 2025. A recepção foi ensurdecedora, e a banda retribuiu com um set que percorreu toda a sua discografia. Destaques para Limbs, The Wilderness (raramente executada ao vivo), As Embers Dress the Sky, Not Unlike the Waves e Falling Snow. O encerramento foi ovacionado, consolidando a vinda como uma das decisões mais acertadas da produtora.
Setlist:
Limbs
Ghosts of the Midwinter Fires
As Embers Dress the Sky
Hallways of Enchanted Ebony
The Wilderness
Dark Matter Gods
Not Unlike the Waves
Odal
Falling Snow
Our Fortress Is Burning… II: Bloodbirds
O primeiro dia do Setembro Negro foi surpreendente. Organização impecável, todas as bandas no horário, som de excelente qualidade e a possibilidade de sair para tomar um ar mostraram o cuidado da produção em oferecer uma experiência completa. O Vip Station ficou absolutamente abarrotado — pessoalmente, nunca havia visto o local tão cheio. Amanhã tem mais!

