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Six Feet Under – “Torment” (2017)

Six Feet Under – “Torment” (2017)
Metal Blade Records

Nota: 6,0

É notório o declínio do Six Feet Under nos últimos anos. De referencial de todo um cenário, o grupo passou para o segundo escalão de forma abrupta e inevitável. Após a sua total reformulação no álbum “Undead” (2012), parece que o SFU se perdeu. E não estamos falando em incompetência, pois a nova formação é composta por ases em seus respectivos instrumentos, mas sim em um recesso criativo longo e implacável.

Vejamos “Torment”, seu mais recente álbum. O disco em questão não é necessariamente ruim, quer dizer, é ruim para os padrões do Six Feet Under, mas ainda assim consegue ser melhor que algumas das infinitas e enfadonhas edições de “Graveyard Classics”, principalmente as duas últimas. O grande problema de “Torment” reside, principalmente, na qualidade da gravação.

O negócio é tão polido e pasteurizado que coloca a banda lado a lado com qualquer bandeca Metalcore que existe por aí, talvez se diferenciando apenas pelo vocal de Chris Barnes, que ainda responde por um dos melhores guturais da história. Onde foi parar o peso primitivo, a nojeira e a depravação tão costumeiras ao grupo? Será que os tempos politicamente corretos estão pesando? Prefiro crer que não.

“Torment” é um álbum que se arrasta por intermináveis 47 minutos, que mais parecem algumas horas. As composições mornas, insossas, carentes daquela violência original, causam sonolência às vezes. O “groove” artificial e a ausência de um momento épico, de um clímax, enterram o disco na mesmice, na indiferença.

Existem bons momentos, não se pode negar: “Sacrificial Kill” e sua pegada quase Doom, “Schizomaniac” (relembrando os gloriosos tempos), “Slaughtered as They Slept” e “Roots of Evil”, momentos estes que resgatam um pouco da urgência perdida e dissipada pelo caminho, mas que em um disco composto por doze faixas, acabam por soar irrelevantes.

“Torment” evidencia uma banda com o cerne criativo seriamente comprometido, o que é lamentável, já que estamos falando de uma formação surgida pós-Cannibal Corpse e que competia em igualdade nos primórdios. A triste realidade parece apontar para um caminho sem volta: os “sete palmos”.

A nota é pelo conjunto da obra e pelo respeito que ainda tenho pelo SFU. E que capa mais mequetrefe é essa? Parece um projeto para novo vilão dos “Power Rangers”! O fundo do poço é logo ali.

Ricardo L. Costa

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