Skumlove – Whisky A Go-Go, Los Angeles, CA, USA (07/12/2019)

Flyer Skumlove
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Banda principal: Skumlove
Bandas de abertura: World Wide Panic, Talus, Heaven Below e A Trigger Within

Texto e fotos por Wallace Magri

A Sunset Strip é uma região de Hollywood West, em Los Angeles, muito conhecida em virtude de seus bares e strip clubs com apresentações ao vivo, que já viram circular por suas casas os então desconhecidos The Doors, Led Zeppelin, Aerosmith, etc. nos anos 60 e 70 e que se tornou o epicentro da cena Glam Metal dos anos 80, quando diariamente era possível assistir a shows do WASP, Motley Crue, Ratt, Faster Pussycat, LA Guns, Hollywood Roses e, mais tarde, Guns N’ Roses no Troubadour, Roxy, Cathouse, Rainbow Bar e Whisky a Go Go.

Algumas décadas se passaram, alguns dos bares fecharam, mas outros tantos continuam com as portas abertas, revezando noites que contam com bandas covers, grandes nomes do Metal que por ali surgiram (Faster Pussycat fez o show do Ano Novo na semana anterior no Whisky) e também um frenesi interessante de bandas iniciantes, a maior parte delas dedicadas ao Modern Metal e Alternative Metal.

Foi assim que, em plena segunda-feira, rolou o show do Skumlove no Whisky a Go Go, com quatro bandas convidadas, oriundas da cena local: World Wide Panic, Talus, Heaven Below e A Trigger Within. Apesar do dia escolhido não ajudar muito, o público fiel compareceu em bom número ao local.

O Whisky a Go Go é um bar bastante comum, com mesas espaçosas, sofás vermelhos e confortáveis para sentar, comer e tomar uns drinks, enquanto música de qualidade toca nas pick-ups ou ao vivo em seu palco de boas dimensões para uma apresentação de rock, com uma pista que deve comportar cerca de 100 a 150 pessoas.

Quando cheguei, o show do World Wide Panic já havia começado e havia uns gatos pingados na plateia se entretendo bastante com a presença de palco e verborragia bem humorada do baixista e vocalista Lane Steele, que não poupou esforços para agitar durante o show, com destaque para o cover de Alanis Morrisette, “You Oughta Know” e para a música que encerrou a apresentação de meia hora, “Party”, quando o figura saiu do palco, foi para a plateia, andou nervosamente ao redor, inclusive me deu um esbarrão esquema moshpit, e voltou ao palco para agradecer ao público que ia chegando.

Por conta do atraso na chegada, não tive acesso ao setlist do World Wide Panic e também, como eu acabava de chegar com aquela cara de estranho no ninho, não quis perturbar o pessoal da banda. O clima no bar parece bem amistoso, mas sendo eu um forasteiro naquelas paradas, resolvi ficar na minha e me concentrar na resenha dos shows, vivenciando aquele ambiente mágico e imaginando os tempos em que meus ídolos circulavam por lá, entre apresentações concorridas, tragos de whisky e muito Rock and Roll e Metal rolando a noite toda.

O que deu para notar é que o Whisky a Go Go continua sendo um espaço dedicado a manter a cena underground local viva e operante e, aparentemente, há um clima de camaradagem entre os integrantes de bandas, que, após suas apresentações, permanecem nas plateia ou sentados nas mesas dando uma moral para os que estão se apresentando. Talvez criar uma cena queira dizer justamente isso: união de verdade, bandas fazendo apresentações em conjunto e prestigiando o trabalho dos demais, o que torna viável aos bares apostarem em bandas novas e de material autoral. Afinal, o dono do bar tem que vender bebidas e ingressos para poder sobreviver e bandas iniciantes contam com pequena quantidade de fãs, o que leva ao adágio “a união faz a força” – que sirva de exemplo para o pessoal aqui no Brasil, principalmente para os mais afetados que, basta gravar um clipe e aparecer na Roadie Crew e logo se tornam divas inatingíveis aos demais “simples mortais”, sobrepondo-se à importância de manter a cena metal viva no Brasil.

A seguir o Talus entra no palco, que é uma formação recente, mas seus músicos já integraram outras bandas locais e tocam um Alternative Metal bem intenso, lembrando o Janes Addiction e o A Perfect Circle muitas vezes, valendo destacar a voz marcante e a presença de palco de Liz Duenas, uma latina miúda, mas cheia de potência vocal, o que fica evidente na música que fechou a apresentação da noite “Hopeless In September”.

Setlist Talus:

Amiglabe
Tomb
The Swell
Sun Mortar
Vellum
Hopeless In September

Já o Heaven Below possui boa rodagem na cena local, capitaneada pelo guitarrista e vocalista Patrick Kenninson e contando com a guitarrista Nikkis Stringfield (que também toca com a The Iron Maidens e Femme Fatale) e que possui uma técnica acima da média, além de fenomenal presença de palco. Além disso, puta que pariu, a mina é bonita pra caralho e cheia de estilo em sua performance, sem dúvidas foi um dos grandes destaques da noite, principalmente quando levou alguns vocais na música “Devilina And The Damage Done”. A banda encerrou sua apresentação enérgica e regada no Modern Metal com uma cover pesadona de “We Will Rock You”, do Queen.

Setlist Heaven Below:

Nesfarious Angels
The Congregation
Devilina And The Damage Done
When Daylight Dies
Falling From Zero
Be All End All
We Will Rock You (Queen)

Uma das coisas que também chama a atenção é a qualidade do som do Whisky a Go Go, embora conte com uma mesa de som simples, certamente ela é operada por profissional que tem grande conhecimento de causa, evitando que os instrumentos embolem ou que a microfonia atrapalhe a audição da apresentação ao vivo. Isso dá bem um dos traços da cena local: o lance é profissional de ponta a ponta, palco, mesa de som, respeito aos horários, qualidade dos músicos, presença de palco, enfim, nada é entregue meia-boca, ou do jeito que dá.

A penúltima banda a se apresentar é o A Trigger Within, que roubou a cena nesta noite, muito em virtude da energia que a banda impõe ao vivo a suas composições e a presença de palco do baixista (não tenho o nome dele) e do vocalista, Jimmy Trigger, que tem tudo para se tornar o mais novo rockstar surgido na Sunset Strip, com linhas vocais bem semelhantes às de Sebastian Bach e performance inspirada. A cozinha adiciona bastante groove às músicas, como ocorre no hit “A Time To Kill”, que inclusive é o título de um de seus EPs (vale conferir no Spotify, se você é chegado em Modern/New Metal).

Setlist A Trigger Within:

Intro (Carmina Burana)
Bend Or Break
Graves
The Wasted
Survive
Battle Wounds
Become The Ghost
A Time To Kill

Skumlove é um figurão da cena de Los Angeles, que já tocou com bastante gente festejada no meio, conhece deus e o mundo em Hollywood, é brother dos caras do Fear Factory, Orgy, entre outros, e de todos os donos das casas de shows em LA, uma vez que também trabalha como promotor de eventos, além de ser um incansável batalhador da cena underground do Metal na California.

Sua banda toca um Industrial Metal bem basicão, cheio de partes dançantes na linha EBM e que, no geral, inclusive pela montagem do set (com duas dançarinas) lembra bastante o Rob Zombie.

Foi só Mr. Skumlove entrar no palco para a diversão começar. Já estava ficando tarde e um pessoal já havia debandado, o que não tirou a energia e bom humor da banda, que durante uma hora embalou vários “semi-hits” tais como “Antiamerican Idol” e “New Perverted”.

No cover de “Balls To The Wall” e em “New Perverted”, um pessoal das outras bandas sobe no palco e festejam juntos. “I Am Your Dog” fecha a noite em alto astral com a certeza de que a semana será menos entediante depois de um descarrego destes em plena segunda-feira de Exú.

Para quem, como eu, viu a experiência “de fora”, vindo do Brasil, foi impagável ouvir música autoral de novas bandas ao vivo num dos locais que é o templo da Heavy Music americana, aonde certamente habitam os espíritos de grandes nomes do Rock/Metal e de seus fãs baladeiros, que frequentavam diariamente os shows que ocorreriam na Sunset Strip no passado, tornando o palco do Whisky a Go Go um centro de irradiação de potência e energia que mantêm viva a gema do Metal.

Setlist Skumlove:

Into
Anti American Idol
The Infected
Dig You Like A Grave
I Come For Your Children
Devil May Sing
Welcome To My Hell
Son Of A Gun
Balls To The Wall (Accept)
Dirty French Machine
Dysfunctional Doll
Devil vs Darling
New Pervected
I Am Your Dog

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