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Slash feat. Myles Kennedy & The Conspirators – Espaço das Américas, São Paulo/SP (25/05/2019)

Banda principal: Slash feat. Myles Kennedy & The Conspirators
Banda de abertura: Republica
Local: Espaço das Américas, São Paulo/SP
Data: 25/05/2019
Produção: Mercury Concerts
Assessoria de imprensa: Catto Comunicação

Texto por Johnny Z.
Fotos por Johnny Z. e Ricardo Matsukawa

Que o Espaço das Américas realmente é um excelente lugar para shows grandes isso não tenho dúvidas. Não só pela excelente iluminação e pelo ótimo som (pelo menos onde eu estava não tive queixas), mas sim pela sua ótima localização e facilidade de acesso por conta de transporte público é um ponto muito positivo para quem opta por ir de metrô já que se encontra há poucos metros da estação Barra Funda. Sempre fui lá de carro, mas dessa vez optei pelo metrô e confesso que em todos os shows lá, de agora em diante, sempre irei dessa forma. Rápido, tranquilo e com gasto mínimo. Fica a dica.

Cheguei ao local em torno das 20hs e pude notar uma grande número de pessoas tanto na pista normal como na pista premium. Não vou entrar no mérito se é correto, benéfico ou não essa divisão, mas como profissional tenho que agradecer e muito à Mercury Concerts e a Catto Comunicação por liberarem a pista premium para nós da imprensa. Isso facilita muito e, logicamente, temos “um pouco” mais de conforto para trabalharmos. Esse “um pouco” entre aspas foi por causa que até lá estava quase que totalmente tomado por fãs ensandecidos não só pela atração principal, mas sim pela banda de abertura: o República.

Já tinha assistido ao Republica abrindo para os alemães do Accept (Heavy Metal) ano passado e desde lá pude notar que é uma ótima banda, com excelentes músicas, músicos competentíssimos e simpáticos mas que nem sempre se encaixam na proposta da atração principal. E isso não foi o que aconteceu na abertura para o Slash, pois as sonoridades de ambas são extremamente compatíveis e caiu no gosto do público geral. Logicamente, muitos fãs da banda deram um show a parte, cantando tudo, agitando demais, parecendo em certas horas que era a banda principal, mas o interessante foi que praticamente todos gostaram do que viram e curtiram a apresentação.

Na primeira faixa, “Brutal & Beautiful” o som estava um pouco embolado e estourado, mas logo foi se nivelando. O destaque pessoal fica por conta do vocalista Leo Beling que mais uma vez me mostrou ser um BAITA vocalista, tanto de timbre, atitude e desenvoltura no palco. Canta muitíssimo bem!

A sonoridade da banda, que já tem três álbuns lançados no currículo, é uma grande mescla de influências que vão desde The Cult, Rolling Stones, Led Zeppelin, até Metallica, AC/DC, Black Sabbath e pasmem, Paralamas do Sucesso, Titãs e Ultraje a Rigor. Não dá para dizer que não são autênticos e em minha opinião bem pessoal é um ponto mega positivo para a banda.

As faixas “Black Wings”, “Beautiful Lie”, o excelente cover “Head Like A Hole” (Nine Inch Nails) e “Take It”, ao meu ver, se sobressaíram das demais, mas no geral foi uma apresentação coesa, honesta e bem agradável.

Setlist Republica:

Brutal & Beautiful
Black Wings
Death For Life
Head Like a Hole (Nine Inch Nails)
Take It
Beautiful Lie
Endless Pain
El Diablo


Pontualmente as 21hs30, uma pequena introdução mecânica foi executada para que Slash entrasse no palco sozinho e dali em diante foi uma gritaria só. Com a entrada de Myles Kennedy tivemos mais gritaria e nessa hora dei uma pequena olhada para trás e até me assustei, pois estava tudo completamente LOTADO. Os demais músicos, Todd Kerns (baixo/backing vocals), Frank Sidoris (guitarra base) e Brent Flitz (bateria), esse último com a camiseta da seleção brasileira de futebol, também foram ovacionados e só provou que a banda não é um mero ‘projetinho’ solo, mas sim uma banda querida de verdade!

“The Call of the Wind” deu início a apresentação de forma empolgante por ser uma das melhores faixas do bom “Living The Dream”. Caros fãs fanáticos (me incluo nisso, só que tenho pés no chão), peço muita calma nessa hora, ok? (risos) Para mim, o álbum está um pouco abaixo dos outros e realmente 4 ou 5 faixas nele são dignas de nota na opinião desse quem vos escreve. Respeitem-na, ok? Fico feliz que essas faixas dignas foram todas executadas e vocês saberão quais foram no desenrolar desta resenha.

Todos já sabem que, depois da volta de Slash ao Guns N’ Roses, seus shows com os Conspirators são focados somente no material próprio e, eventualmente, uma ou outra faixa do “gigante” pode aparecer no setlist. Tenho algumas ressalvas quanto a isso e um sentimento totalmente ambíguo. Acho plausível e inteligente essa decisão de Slash e cia se focarem em seu próprio material, pois material eles tem de sobra para fazer um belo show, mas não tem como desvincilhar o nome “Slash” de “Guns N’ Roses”. É desumano e impossível de acontecer. Por conta disso, tivemos apenas “Nightrain” já quase ao final da apresentação. Não que não tenha sido um ótimo show, mas poderia ter sido mil vezes melhor se tivéssemos mais umas 3 faixas emblemáticas, não é mesmo? Ainda mais por conta do solo interminável de “apenas” 17 minutos de duração que Slash fez durante a faixa “Wicked Stone”, onde foi visível o cansaço de todos (músicos e público). Mais uma opinião pessoal minha vai de encontro a primeira premissa de tocar material próprio. Se tirasse esses solos intermináveis (ah, na faixa “Anastacia”, também teve um enorme!) daria para colocar mais faixas próprias como “Ghost”, por exemplo.

Nitidamente, faixas dos dois primeiro álbuns, “Slash” (2010) e “Apocalyptic Love” (2012) foram mais bem recebidas, mas “My Antidote”, “Boulevard of Broken Hearts”, “Mind Your Manners” e a maravilhosa “Driving Rain”, todas de “Living The Dream”, fizeram a alegria de todos presentes com execuções perfeitas e empolgantes. Vale destacar a presença de palco, backing vocals e a empolgação de Todd Kerns que agitou todo mundo e engrandeceu demais na hora que fez os vocais principais nas faixas “We’re All Gonna Die” e “Doctor Alibi”. O cara é realmente um monstro! Frank Sidoris, por mais respeito que tenhamos por ele, acaba sempre sendo apenas um coadjuvante, mas mantem firme a base no palco, o que é de extrema responsabilidade. Brent Flitz arregaça na bateria, desde os tempos de Vince Neil, Union e Alice Cooper, e nessa noite o cara sentou a marretada sem dó! Myles Kennedy, o outro “chefão” da parada, estava um pouco mais na dele, não agitou tanto e estava um pouco até apático (não confunda com antipático, pois o cara é só sorrisos), mas sua voz impecável como de costume. Talvez o peso dos constantes trabalhos ininterruptos (Alter Bridge, Slash e carreira solo um atrás do outro) somados com a falta de tempo para descansar esteja pesando um pouco ao vocalista.

O que falar de Slash? O cara é um ícone e pode tocar apenas uma nota que já sabemos que é ele! Seu timbre, jeito de tocar, técnica, sonoridade, presença de palco e atitude dispensam comentários. O cara é um monstro e sempre terá qualquer plateia nas mãos com seus riffs e solos, e aqui não foi diferente. Só não exagerar como fez em “Wicked Stone”, que está beleza (risos).

Outros destaques da noite ficaram por conta de “Halo”, “Standing In The Sun”, “Back From Cali”, “By The Sword”, a linda e emocionante “Starlight” e as arrasa quarteirões “Nightrain” (já citada), a porrada “World On Fire” e a belíssima/estupenda “Anastasia” fechando a noite.

Eu, veja bem, estou dizendo por mim, tiraria algumas faixas como a baladinha insossa “The One You Loved Is Gone” e “Serve You Right”, e colocaria “Ghost” e “Rocket Queen” (Guns N’ Roses), só para citar algumas. Não esquecendo, claro, dos solos intermináveis na ótima “Wicked Stone” que poderiam se transformar em faixas como “Sweet Child O’ Mine” e “Paradise City”, facilmente.

Som muitíssimo bem timbrado e equalizado, iluminação impecável, público insano e banda mega coesa no palco deram todos juntos um excelente show à parte nesse sábado. E que tenhamos cada vez mais outras aulas de Hard Rock como essa e mais shows de todas suas bandas principais.

Setlist Slash feat. Myles Kennedy & The Conspirators:

The Call of the Wild
Halo
Standing in the Sun
Apocalyptic Love
Back From Cali
My Antidote
Serve You Right
Boulevard of Broken Hearts
Shadow Life
We’re All Gonna Die (Todd Kerns nos vocais)
Doctor Alibi (Todd Kerns nos vocais)
The One You Loved Is Gone
Wicked Stone / Solo de Guitarra
Mind Your Manners
Driving Rain
By the Sword
Nightrain (Guns N’ Roses)
Starlight
You’re a Lie
World on Fire
Anastasia

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