Sleep Token – “Even in Arcadia” (2025)
RCA Records
#Metalcore #AlternativeMetal #ProgressiveRock #ProgressiveMetal
Para fãs de: Dayseeker, Polyphia, Bad Omens, Deftones
Texto por Lucas David
Nota: 8,0
O que fazer depois de escrever uma história de sucesso que conquistou o mundo e deixou todos com sede de mais? Essa é a pergunta que o Sleep Token tem enfrentado nos últimos anos. A resposta veio sem hesitação: mirar ainda mais alto, dobrar as apostas e expandir seu universo sonoro. É nesse espírito que nasce “Even in Arcadia”, um trabalho que intensifica cada elemento já conhecido da banda e eleva sua música a uma dimensão quase extra-humana.
Quando falamos de Vessel (vocais) e companhia, nunca se deve esperar algo simples ou previsível. Já na abertura, “Look to Windward”, a banda entrega uma jornada de oito minutos repleta de camadas. São tantos detalhes que ouvir a faixa apenas uma vez não basta: dos acordes dissonantes cantados por Vessel às orquestrações grandiosas e aos riffs abissais, tudo se encaixa com perfeição.
“Emergence” surge como uma fusão delicada de todos os estilos que o grupo explora, culminando em um breakdown poderoso e em um solo de saxofone que acrescenta ainda mais beleza e sofisticação. Já “Dangerous” aposta em uma atmosfera mais sensual, lembrando e ao mesmo tempo superando algumas ideias apresentadas em “This Place Will Become Your Tomb” (2021).
Embora não seja tão ousado quanto “Take Me Back to Eden” (2023), o novo álbum apresenta novidades interessantes. Em “Caramel”, Vessel aborda de forma direta os efeitos nocivos de fãs excessivamente intrusivos. A faixa começa leve e dançante, mas se transforma abruptamente em uma explosão de Black Metal/Shoegaze, com gritos estridentes e guitarras cortantes que demonstram a versatilidade do grupo.
“Gethsemane”, por sua vez, traz um ar completamente novo. Vessel explora timbres vocais inéditos enquanto a banda adota um ritmo funkeado incomum em sua discografia, lembrando algo próximo ao que o The Home Team faz. Estranho? Sem dúvida. Mas funciona.
Se há momentos em que a fórmula vacila, eles aparecem em músicas mais simplistas, como “Past Self”, onde a pegada pop com sintetizadores e bateria eletrônica deixa a sonoridade menos consistente.
Felizmente, esses tropeços são facilmente eclipsados pelos momentos de brilho absoluto. “Even in Arcadia” não é o melhor álbum da história, mas reforça a identidade única do Sleep Token e amplia ainda mais sua aura de grandeza. No fim, é um disco que só poderia ter sido feito por eles — e isso, por si só, já é uma enorme virtude.

