Ícone do site METAL NA LATA

Snow – “Fast N’ Heavy Loud N’ Slow” (2021)

Snow“Fast N’ Heavy Loud N’ Slow” (2021)
Red Garage Records | Bruxa Verde Produções
#Hardcore, #SludgeMetal

Para fãs de: Black Flag, Crowbar, Eyehategod

Nota: 8,5

Música suja, desagradável (no bom sentido) e hostil para tempos sujos, desagradáveis (no literal sentido) e realmente hostis. Essa é a fórmula básica, mas não única e nem tão simples empregada no inóspito e rústico primeiro trabalho do Snow.

“Fast N’ Heavy Loud N’ Slow” é desses discos — escarros — paulada certeira nos cornos que, vez ou outra se fazem necessários seja em oposição aos tempos, à indústria, aos preceitos e a qualquer regra (dogma ou lei) que se fazem uteis em tempos de utilidade duvidosa. Pouco ou nada polido, menos ainda macio ou elegante e sim, visceral, cru, azedo — direto como se propõe a ser, muito embora tenha relevos aqui e ali e muita fumaça (de origem orgânica e industrial).

É certo que seria mais simples dizer que a sonoridade adotada pelo nosso florianopolitano aqui, está mais para um pesadelo musical, que para um delírio cósmico regado a riffs prolongados, na verdade, o Snow é literalmente uma afronta contra as bandas educadas e limpinhas que se dizem “descoladas” e livres de enquadramentos musicais. Tão logo, se são bons modos que você espera, uma produção cristalina e uma banda recatada, fique distante desse disco, pois o primeiro esporro “Skate Fast Die Hard” passa a quilômetros de ser um cartão florido de boas-vindas.

Rodrigo “Rod” Neves (guitarras, vocais e bateria) não economiza no peso, menos ainda na urgência e rispidez que injeta nas composições que, como já dito, vez ou outra se permitem a ter relevos; intercalando cadencia em meio a ataques frenéticos bem arranjados. Há também uma calculada porção melódica e experimental, mas nada que destoe do conceito planejado e posto em prática no trabalho, conceito esse explicito no jocoso e cabível titulo: “Fast N’ Heavy Loud N’ Slow” (Rápido e pesado, alto e lento).

“Escape From Brasil”, “Prensado”, “Crying Eyes” e “Perfect Lies” dão a exata dimensão do poder bélico do Snow — sendo a primeira, a faixa mais longa e digamos, “estudada” do disco, um meio-termo entre Stoner e Sludge. Enquanto as demais citadas são concisas e fieis ao espírito de “FNHLNS”. “Paradoxical Conflicts”, “Nowhere Fast” e “Good Vibes From Hell” (amei esse título) encerram o compêndio que, embora curto (26 minutos) consegue dilatar e expor as ambições do Snow.

Colaboraram com o disco (à distância) Andrez Machado (guitarra solo) e Rodrigo Borba (baixo). Em resumo mais um nome promissor despontando na cena dedicada à música torta, brisada e não ortodoxa. O Snow merece atenção pela honestidade com a qual trabalha e pela energia natural e ríspida que deposita em sua música. Ouçam o disco e incomodem os acomodados — música suja para tempos sujos — desajustada para os desajustados.

Fábio Miloch

Sair da versão mobile