Solitary – ‘’The Truth Behind the Lies’’ (2020)
Metalville Records
#ThrashMetal, #SpeedMetal, #Metal
Para fãs de: Testament, Slayer, Sacred Reich
Nota: 9,0
Apesar dos britânicos do Solitary caminharem para a sua terceira década de carreira – são 26 anos de jornada – sua discografia não é tão elástica quanto o tempo de existência da banda. “The Truth Behind The Lies”, mesmo sendo apenas o quarto álbum de estúdio completo da banda, se apresenta como sendo muito mais que um mero número. Tentarei provar isto por meio de alguns argumentos a seguir.
Quando você ouve “I Will Not Tolerate”, é possível que saia com uma única certeza em mente: a de ter acabado de ouvir uma música com total vocação para hino do Thrash. Explosiva como uma granada, assim podemos definir a faixa de abertura. Com solos afiados e uma ‘cozinha’ bem precisa, a banda destila fúria e inconformismo na construção de suas melodias. “I Will Not Tolerate” nos faz pensar sobre a necessidade de substituirmos o nosso medo pela raiva, tornando esta emoção primária em força motriz, a fim de não assistirmos as nossas casas se tornarem cinzas enquanto cruzamos os braços. É uma música que nos convoca a um grito de resistência, de maneira a não mais tolerarmos passivamente as influências nefastas daqueles que nos enganam com ilusões e nos dividem com o ódio.
Já a faixa “Abominate” nos surpreende positivamente com a capacidade da banda de se utilizar de um Thrash contemporâneo, porém, configurado sob as bases mais clássicas do estilo Bay Area. Fica muito perceptível que, logo após o solo visceral banhado em wah wah na metade da composição, algo bastante semelhante ao Machine Head, em seus áureos tempos, é notado. Não foi à toa que esta música veio a ser o primeiro single lançado na divulgação de “The Truth Behind The Lies”. Eis que estamos diante de uma faixa extremamente matadora, capaz de causar perda de fôlego nos menos condicionados. Após algumas insistentes audições, elegi esta faixa como a minha favorita deste álbum.
Ao ouvir as composições “The Truth Behind The Lies” e “Catharsis”, observamos uma sinalização que continua indicando para o ouvinte não criar expectativas de desaceleração no ritmo. Não há descanso nem pausa. Não há como repousar diante de riffs incendiários e de uma bateria que mais parece uma artilharia no front de guerra. “Spawn Of Hate” encerra este ótimo álbum com linhas de guitarra a la At The Gates e um pegajoso refrão que, com certeza, vem a ser o mais grudento de todo o disco, sem que isso seja considerado um demérito, deixando bem claro.
Observamos a influência direta de Testament e Slayer no trabalho do Solitary, no entanto, existe uma roupagem muito própria e personificada. Estamos diante de uma altíssima qualidade sonora do início ao fim. À medida que evoluímos na audição deste belo trabalho de estúdio, percebemos que o Thrash Metal está mais vivo do que nunca, sendo o Solitary uma das mais vigorosas e legítimas representações do estilo em nossos dias.
André Nasser
