
Banda principal: Soto
Local: Teatro Odisséia, Rio de Janeiro/RJ
Data: 04/05/2019
Produção: OnStage Agência
Texto: Marcelo Vieira
Fotos: Daniel Croce
Fui um dos muitos a criticar Lobão quando este atribuiu ao Rio de Janeiro a alcunha de “túmulo do rock”. Passados uns bons anos, fui obrigado a rever meus conceitos. Pode nem ser túmulo de todos os rocks, mas do hard rock é o pacote funerário completo, com direito a caixão, flores e papelada relacionada a esta triste cerimônia.
Não que o Soto seja hard rock; está longe disso. Mas como figura central de uma banda cujo som “metal-virtuoso-modernão” ainda não caiu nas graças do público brasileiro — ainda que a formação conte com dois músicos brasileiros, o baterista Edu Cominato e o guitarrista multitarefas BJ —, Jeff Scott Soto, o cara que desde os anos 1980 não sabe o que são férias, deveria mobilizar muito mais do que os cerca de cem presentes na noite do último sábado, 4 de maio, no Teatro Odisseia. Motivos para ir não faltavam, mas enquanto o carioca se prender às razões para deixar de ir ou fazer uso das desculpas mais absurdas e sem pé nem cabeça, poucos eventos vingarão.
Houve quem culpasse o timing. A turnê, anunciada com menos de dois meses de antecedência, chegou antes de “Origami”, novo álbum do SOTO com lançamento previsto para o final de maio. Isso não impediu, no entanto, que Jeff e cia. — o prodígio espanhol Jorge Salan (guitarra) e o novato Tony Dickinson (baixo) completam o escrete — arriscassem novidades como “Give in to Me” (cover de Michael Jackson, originalmente gravada em 2016, dedicada ao falecido baixista, David Z), “BeLie” e a faixa título, essas duas já disponíveis nas plataformas digitais. Dos trabalhos anteriores, destaque para as ótimas “Freakshow” e “Weight of the World”.
A promessa de “muitos clássicos no repertório” feita por Jeff nas redes sociais se materializou através da inclusão de destaques de sua carreira solo (“Soul Divine”, “Eyes of Love”) e de medleys dedicados ao supergrupo W.E.T. (“Watch the Fire”, “Learn to Live Again” e “One Love”) e ao Talisman, que teve nada menos que dez músicas reunidas no que seria o ápice da apresentação. Começando com “Break Your Chains”, o pot-pourri contou com sons de praticamente todos os álbuns do saudoso grupo, com uma ênfase óbvia e necessária no primeirão, de 1990. As letras de “I’ll Be Waiting” e dos covers “Frozen” (Madonna) e “Crazy” (Seal) estavam na ponta da língua. A cartada final veio na forma de “Stand Up”, da trilha sonora do filme Rock Star (2001), também cantada a uma só voz.
Pedidos incessantes de “I Am A Viking” eram respondidos com “Yes, you are!” por Jeff, que também teve de aturar a turma do funil aos berros: ao primeiro “I love you, motherfucker!”, um cordial “Yes, I love you too, motherfucker!”. A paciência foi se esvaindo, no entanto. “Eu amo os bêbados da plateia.” Não, Jeff. Sabemos que não. Ninguém os ama. É impossível. Que você sirva de exemplo para eles: virou duas caipiroskas (“As melhores coisas do Brasil são as mulheres e a caipiroska!”) e ainda deu um gole seguido de cara feia no Jägermeister alheio: “Isto é uma merda!”. Onde eu assino?
O Metal Na Lata agradece à OnStage Agência pela parceria.
Setlist:
Hypermania
Freakshow
21st Century
Drowning
Wrath
Weight of the World
Soul Divine
BeLie
The Fall
W.E.T. Medley (Watch the Fire, Learn to Live Again, One Love)
Origami
Detonate
Eyes of Love
Give in to Me
Cyber Masquerade
Livin’ the Life
Risk
Talisman Medley (Break Your Chains, Day by Day, Give Me a Sign, Colour My XTC, Dangerous, Just Between Us, Mysterious, Frozen, Crazy, I’ll Be Waiting)
Stand Up











