Soulfly – “Ritual” (2018)

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Soulfly “Ritual” (2018)
Nuclear Blast
#GrooveMetal#ThrashMetal#DeathMetal#Hardcore

Para fãs de SepulturaCavalera ConspiracyMachine HeadPantera

Nota: 9,0

Embora as comparações com sua antiga banda sejam inevitáveis, é indiscutível que Max Cavalera encontrou seu nicho musical, moldando e acomodando seu estilo adequadamente a cada disco lançado. O Soulfly é sua casa, onde ele reina absoluto e se entrega totalmente à sua arte.

“Ritual”, seu mais novo álbum, trás peso, violência e groove, como de praxe, mas também se encontra mais direto, melhor emoldurado no Metal tradicional que Max tanto admira. Sem toda aquela esquizofrenia de outrora, o material soa coeso, repleto de cadência e até alguma melodia a mais.

A banda toda está em sua melhor forma, entregando o melhor de si na concepção de autênticas peças de brutalidade, onde houve uma fusão bastante pertinente do clássico com o contemporâneo. Eu sei que já disse isso em outra ocasião, mas atingiram um nível mais elevado, encontrando um ponto de equilíbrio homeostático em seu trabalho.

“Ritual” é orgânico, místico e selvagem, canalizando toda sua fúria em uma perspectiva Thrash/Death e HC que é impossível passar incólume. Definitivamente, indiferença não é uma opção aqui. Boa parte do que encontramos em “Ritual” é cortesia de Marc Rizzo (guitarra), que leva o disco nas costas com seus riffs e fraseados perfeitos, técnicos e vigorosos. O cara tá tocando uma barbaridade! O novo baixista, Mike Leon, que se juntou ao time há algum tempo, é correto e meticuloso, fornecendo uma base densa e consistente às composições, fazendo a diferença na hora do “pega pra capar”. Max Cavalera é realmente um descobridor de talentos nato.

Mas e o herdeiro, Zyon Cavalera, nos bumbos? Rapaz, se eu te disser que ele está quase no nível do tio, não será mero exagero. O garoto senta a mão nos tambores, criando genuínos cânticos tribais de guerra, espancando o instrumento com louvor. É quase uma sessão de violência doméstica. Max eu não preciso nem dizer: gerencia a “porra toda” impecavelmente. Um gestor do caos, em suma!

A abertura com a faixa título é perfeita, edificada em cadência tribal ancestral, fomentada em peso concreto. A partir daí, esteja preparado para ser açoitado inexoravelmente. “Ritual” é quase uma unanimidade em destaques, mas posso mencionar “Dead Behind the Eyes”, contando com os vocais grotescos de Randy Blythe (Lamb of God), cuja agressividade imposta salta aos olhos; “Under Rapture” é mais uma que conta com um convidado dos mais ilustres, Ross Dolan (Immolation), que mostra a Max como fazer uma “canja” Death Metal em poucos minutos. Talvez seja a faixa mais pesada e devastadora do trabalho.

Não se iluda com a serenidade inicial de “Demonized”, pois será emboscado por uma das mais brutais composições da história do Soulfly. Talvez o único “desarranjo”, mas que é notório em se tratando do Sr. Cavalera, é o ato final com “Soulfly XI”, espaço este onde Max reserva um tempinho para viajar, com direito a linhas de sax e percussão intercaladas e sobrepostas no intuito de criar um cenário climático, porém que só soam desnecessárias e, por vezes, cansativas, mas que não denigrem a imagem de um trabalho que beira a perfeição. O ápice do Soulfly é aqui!

Ricardo L. Costa

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