Stephen Pearcy
Frontiers Music srl
Nota: 7,5
A essa altura do campeonato, seria totalmente desnecessário dizer aqui quem é Stephen Pearcy. Mas, como as gerações de fãs do hard rock sempre estão se renovando, lá vai: Pearcy foi, é e sempre sera a voz do RATT. Isso ninguém discute. Por mais que o vocalista tenha saído e voltado á banda que ajudou a criar, aquele timbre característico que eternizou faixas emblemáticas como “Round and Round”, “In Your Direction”, “You’re in Love”, “Body Talk”, “Back For More”, “Lack of Communication”, “Scene of the Crime”, “Dangerous But Woth The Risk”, “Looking For Love”, “You should Know By Now”, entre tantas outras, lhe pertence. Mas é preciso que se diga a verdade. Stephen Pearcy nunca foi um grande vocalista. Assim como boa parte dos vocalistas da cena americana, ele sempre teve um apelo muito maior no carisma e em suas performances do que pela voz. Mas longe de se dizer também que ele não canta nada… Bem longe disso. Na real, as músicas do Ratt sempre combinaram com seu timbre, criando uma sonoridade bastante peculiar.
Neste seu novo trabalho solo (enquanto aguardamos ansiosos por um novo álbum do RATT, tendo em vista que recentemente, os três remanescentes da formação original – Pearcy, Warren DeMartini e Juan Croucier – venceram a batalham judicial pelo uso do nome da banda contra o baterista Bobby Blotzer), o vocalista aposta naquilo que sempre permeou sua carreira. Uma pegada hard rock, por vezes “maliciosa”, por outra mais pesada. Nas treze faixas que compõem o álbum, o Pearcy contou com a participação dos guitarristas Erik Ferentinos e Chris Hager, do baixista Matt Thorn e do baterista Greg D’Angelo (ex-White Lion), e a banda deu conta do recado, com sobras. As guitarras, como não poderia deixar de ser, tentam resgatar os áureos tempos do estilo, mais precisamente daquela sintonia perfeita que existia entre DeMartini e o saudoso Robin Crosby (R.I.P.). Claro que isso é impossível de acontecer, mas a dupla atual mostra que sabe o que está fazendo.
Podemos destacar “Ten Miles Wide”, um hard rock com uma levada cadenciada e belos riffs, além de um refrão bem característico, “Shut Down Baby”, com aquela “malícia” que citei antes, o peso de “Dead Roses”, bem como as linhas de guitarra de “Hit Me With a Bullet”. “Want Too Much” é uma faixa um pouco diferente, e tem um refrão que nos aproxima do que Pearcy fez no Arcade. “Jamie” tem linhas de baixo mais próximas do hard/heavy, mas tem um refrão tipicamente Hard. “Passion Infinity” são faixas semelhantes, e encerram o trabalho. “Smash”, apesar de bom, serve de um aperitivo de luxo para o que pode vir por aí, agora que a batalha pelo nome da banda acabou. Ao lado dos riffs de DeMartini e Carlos Cavazo, do peso do baixo de Juan Croucier e, provavelmente, da pegada mais pesada de Jimmy DeGrasso, os bons tempos do “Ratt n’ Roll” voltarão!
Sergiomar Menezes
