Stoned Jesus – Jai Club, São Paulo/SP (25/10/25)
Produção: Caveira Velha Produções | Solid Music Entertainment
Abertura: Pesta
Texto e fotos por Matheus “Mu” Silva
Pela terceira vez no Brasil — e oito longos anos após sua última passagem por aqui —, os ucranianos do Stoned Jesus finalmente voltaram ao país. Com produção da Caveira Velha Produções em parceria com a Solid Music Entertainment, e promovendo seu mais recente lançamento, “Songs to Sun” (2025), a banda realizou seis shows em território nacional, sendo o penúltimo em São Paulo, neste sábado (25). A noite ainda contou com a abertura da banda Pesta.
Com a casa abrindo às 19h, às 19h30 teve início a apresentação do Pesta, de Belo Horizonte/MG. A banda pratica um Stoner Metal na linha do Cathedral e, sinceramente, não haveria escolha melhor para abrir o evento: o som deles bebe da mesma fonte que o Stoned Jesus, dialogando perfeitamente com a proposta da atração principal — um verdadeiro aquecimento para o que viria a seguir. Divulgando o recém-lançado “The Craft of Pain” (2025), o grupo apresentou faixas como “Mirror Maze” (executada pela primeira vez ao vivo) e “Shadows of a Desire”, além de sons já conhecidos como a pesadíssima “Moloch’s Children”, que abriu o show, e a derradeira “Witch’s Sabbath”, ambas do álbum “Faith Bathed in Blood” (2019). Em um set de 35 minutos, com poucos agradecimentos e muita entrega, o Pesta fez o que sempre faz: deixou a música falar por si. Já os vi ao vivo em outras ocasiões, e continuam impecáveis — o show é pesado e hipnótico, reafirmando o grupo como um dos melhores do estilo na atualidade.
Após uma rápida troca de palco, às 20h30, começou a apresentação do Stoned Jesus. Antes de iniciarem, os músicos se abraçaram, como um time prestes a entrar em campo. Com a plateia entoando gritos de “Jesus Chapado” — uma brincadeira com o nome da banda —, o vocalista e guitarrista Igor fez sinal de silêncio ao público, de maneira amistosa, antes de darem início à viagem sonora com “Bright Like the Morning” (“Seven Thunders Roar”, 2012). O público entendeu o clima e explodiu junto à banda no momento certo, dando início à celebração, que seguiu com “Porcelain” (“Father Light”, 2023).
Após essa faixa, o grupo ajustou o som e aproveitou o momento para comentar a delicada situação em seu país natal, devastado pela guerra. Igor destacou que estavam recolhendo doações para ajudar famílias ucranianas afetadas, gesto que foi calorosamente aplaudido pelo público.
Seguindo o set, veio “Shadowland” (“Songs to Sun”, 2025), muito bem recebida pela plateia, que já cantava praticamente toda a letra. A sequência com “Thessalia” (“Pilgrims”, 2018) trouxe um peso descomunal e característico da banda, levando todos a bater cabeça. Igor, por sua vez, elogiava constantemente a nova formação do grupo, que realmente destruiu do começo ao fim da apresentação.
Em um momento mais introspectivo, dedicaram “Thoughts and Prayers” (“Father Light”, 2023) às famílias que sofrem com os conflitos, desejando o fim da guerra — um instante de emoção que mergulhou o público em uma atmosfera intensa. A seguir, veio “Silkworm Confessions” (“The Harvest”, 2015), celebrada e cantada em coro do início ao fim. Mostrando bom humor, Igor brincou que, se o público achou essa pesada, a próxima seria ainda mais — tão pesada que ele precisaria até tirar os óculos para tocar. A piada arrancou risadas da plateia antes de iniciarem “Black Woods”, do primeiro álbum, “First Communion” (2010). Com seus quase 12 minutos, a faixa soou monumental e ainda mais densa ao vivo.
Para incendiar de vez o Jai Club, veio “Here Comes the Robots” (“The Harvest”, 2015), que abriu uma imensa roda de mosh, incentivada pela banda. O momento serviu de combustível para uma execução matadora. Logo em seguida veio o ápice da noite: “I’m the Mountain” (“Seven Thunders Roar”, 2012), a canção mais conhecida do grupo. Com seus 16 minutos, ela levou o público a uma viagem hipnótica, alternando entre passagens suaves e explosões sonoras, em uma performance magistral. O público acompanhou em uníssono, encerrando a primeira parte do set em êxtase.
Após alguns minutos e sob gritos de “Jesus Chapado”, o trio retornou para o bis com “Low” (“Songs to Sun”, 2025) e a querida “Electric Mistress” (“Seven Thunders Roar”, 2012). Durante o solo desta última, um fã mais empolgado acabou agarrando a perna de Igor, o que o desconcentrou brevemente, mas ele não perdeu o ritmo e seguiu até o fim com energia total, encerrando o show de 80 minutos de maneira eletrizante.
O Stoner Metal vive um excelente momento — e nesta noite, duas grandes representantes do gênero mostraram força total. O Pesta segue consolidando seu nome na cena, enquanto o Stoned Jesus justificou plenamente a longa espera de seu retorno ao Brasil. A formação atual funcionou de forma impecável, o set foi bem construído, abrangendo toda a carreira, e o público lotou o Jai Club em uma celebração que uniu peso, emoção e comunhão.

