Suffocation – “Live in North America” (2021)
(Relançamento 2025)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#BrutalDeathMetal
Para fãs de: Immolation, Morbid Angel, Disgorge (EUA)
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 10
Seguindo com o trabalho de relançamentos, a Shinigami Records trouxe, pela primeira vez ao Brasil, o segundo disco ao vivo do Suffocation, Live in North America (2021), gravado durante a última turnê da banda pelos EUA, em 2018, contando com a participação do lendário vocalista Frank Mullen. Por ser a primeira prensagem nacional, torna-se um item ainda mais indispensável em qualquer coleção séria do gênero.
Formado em 1988, em Long Island/NY, o Suffocation ajudou a redefinir o Death Metal, agregando blast beats brutais e coesos, riffs técnicos e o gutural mais cavernoso — técnica da qual Frank Mullen é um dos precursores — mudando para sempre a forma de desenvolver o estilo. Clássicos eternos como Effigy of the Forgotten (1991), Breeding the Spawn (1993) e o absoluto Pierced from Within (1995) elevaram o Death Metal a outro patamar. Este disco ao vivo foi uma forma de celebrar a história de Frank na banda, já que ele vinha se ausentando ocasionalmente e decidiu encerrar sua trajetória da melhor maneira possível. Com ele nos vocais, a última vez do Suffocation no Brasil havia sido em 2013, no Extreme Hate Festival, em um show histórico — eu estava lá.
Ao dar o play, a primeira coisa que se destaca é a gravação impecável. Ao vivo, o Suffocation já é impressionante, mas aqui tudo foi captado com extremo cuidado, tornando um deleite a audição de cada faixa. E, falando em música, o setlist também é sensacional. O disco começa com Frank anunciando que aquela seria sua última apresentação e, logo em seguida, detonando com o clássico “Thrones of Blood” (Pierced from Within, 1995), iniciando o massacre sonoro em Massachusetts, onde parte do álbum foi registrado. A sequência é de tirar o fôlego: mais duas faixas do Pierced… (“Pierced from Within” e “Breeding the Spawn”), “Catatonia”, do primeiro EP Human Waste (1991), além de material intermediário da discografia, como “Surgery of Impalement” e “Souls to Deny”, ambas do álbum homônimo de 2004.
Na época, a banda estava em turnê de seu então mais recente disco, …Of the Dark Light (2017). No entanto, diante da ocasião, optar por um set recheado de músicas mais conhecidas e admiradas foi uma decisão certeira. E, claro, não poderiam faltar os clássicos do primeiro álbum, que dominaram o repertório: as monumentais “Liege of Inveracity”, “Jesus Wept”, a faixa-título e o encerramento apoteótico com “Infecting the Crypts” — talvez a música que mais revolucionou o Death Metal, com seus andamentos precisos e breakdowns, técnica que seria explorada à exaustão em diversos subgêneros. O público soa ensandecido na gravação, ciente de estar presenciando o fim de um capítulo essencial da história da música extrema.
Live in North America, em uma palavra, é obrigatório. Um verdadeiro testamento da música extrema executada em seu auge. O resultado final é facilmente um dos melhores discos ao vivo do gênero neste milênio. Tanto pelo setlist, quanto pela qualidade sonora e pela escolha das músicas, este registro do Suffocation é uma obra que deve ser ouvida, estudada e admirada por qualquer fã de Death Metal — e até mesmo de suas ramificações. Indispensável.

