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Suotana – “Ounas II” (2025)

Suotana – “Ounas II” (2025)

Reaper Entertainment | Shinigami Records
#MelodicDeathMetal #BlackMetal #EpicMetal

Para fãs de: Wintersun, Ensiferum, Kalmah, Children Of Bodom

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,5

Sete anos após “Land of the Ending Time” e dois anos depois de “Ounas I”, os finlandeses do Suotana retornam com “Ounas II”, um álbum que encerra um arco conceitual iniciado anteriormente e mergulha de vez nas paisagens geladas, rios congelados e florestas ancestrais que inspiram a banda. A proposta é bem épica e cinematográfica, equilibrando agressividade e melodia com uma produção clara e detalhista. Por outro lado, esse polimento excessivo acaba, em alguns momentos, amenizando a crueza que o tema poderia transmitir. Ainda assim, o resultado final é envolvente e muito bem construído.

A abertura instrumental “The Flood (In Memoriam)” funciona como uma névoa que lentamente se ergue antes da tempestade, preparando o terreno para “Foreverland”. Aqui, riffs incisivos, teclados envolventes e vocais rasgados se entrelaçam com bastante energia, resultando em um híbrido entre o power metal mais melódico e o death/black metal, sem cair no exagero e mantendo uma identidade própria e vibrante.

Outro ponto forte do álbum é “Winter Visions”, marcada por riffs e melodias cativantes que parecem feitas para brilhar ao vivo. “Twilight Stream” mantém o alto nível com camadas atmosféricas muito bem trabalhadas, enquanto “The Crowned King of Ancient Forest” surge como uma das músicas mais grandiosas do disco, combinando majestade e melancolia em doses certeiras.

O ápice de “Ounas II” chega com “1473 Ounas”, uma faixa de dez minutos que sintetiza toda a ambição do trabalho. A participação especial de Zoë Marie Federoff-Šmerda (agora ex-Cradle Of Filth) adiciona uma dimensão emocional inspirada e poderosa, e a construção da música alterna intensidade, contemplação e explosões melódicas de forma envolvente.

Como bônus, a banda inclui uma versão de “Hatebreeder”, dos seus saudosos conterrâneos do Children of Bodom. A releitura destoa um pouco do clima geral do álbum, mas não de forma negativa: ela traz um impacto interessante para a sonoridade e evidencia as influências diretas do Suotana.

Por não estar familiarizado com sua sonoridade, após ouvir “Ounas II”, que me agradou bastante, voltei à primeira parte da obra (“Ounas I”, lançada em 2023 e que gostei ainda mais que essa atual) para entender melhor a trajetória sonora da banda. Percebi que, sem qualquer conotação pejorativa, o grupo recorre a fórmulas já exploradas, mantendo uma certa similaridade entre seus trabalhos. Isso, no entanto, parece fazer parte da proposta estética do Suotana: permanecer fiel às suas raízes e à sua identidade sonora sem se desviar do caminho que traçou.

“Ounas II” não pretende reinventar o melodic death metal, mas cumpre com excelência o papel de transportar o ouvinte para paisagens nórdicas repletas de história e atmosfera. É um álbum feito com emoção e técnica, ideal para quem busca melodias envolventes, riffs precisos e climas épicos e viajantes, sem abrir mão do peso. Faixas como “Winter Visions”, “1473 Ounas” e “The Crowned King of Ancient Forest” resumem perfeitamente a força do disco e são paradas obrigatórias para entender por que o Suotana continua sendo um nome relevante na cena contemporânea. Falta apenas que mais ouvintes saiam da bolha e passem a explorar novas (e boas) alternativas como esta.

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