T3nors – “Naked Soul” (2023)
Frontiers Music
#MelodicRock #AOR #HardRock
Para fãs de: Perfect Plan, Work Of Art, Find Me, Pride Of Lions
Nota: 6,5
Disparando seu gerador aleatório de bandas para todos os lados a Frontiers junta desta vez três das maiores vozes atuais do estilo AOR/Rock Melódico: Robbie LaBlanc (Blanc Faces, Find Me, East Temple Avenue), Toby Hitchcock (Pride Of Lions, Solo), Kent Hilli (Perfect Plan, Giant, Restless Spirits, Solo). Completam o time: Francesco Savino (guitarra: False Memories), Saal Richmond (teclados), Jacopo Martignoni (bateria) e Alessandro Del Vecchio que, além de selecionar os músicos, toca baixo, teclados e guitarras adicionais, faz vocais de apoio e ainda compõe (informação não constante) e produz o álbum. E é aí que mora o perigo…
Antes de entrar nesta seara é importante ressaltar que não há problema algum em existir vários vocalistas em um projeto. O importante é criar músicas com alma e paixão que utilizem o talento individual como combustível para explorar melhor as qualidades deles, mas muitas vezes, infelizmente, uma equipe de compositores cria um punhado de músicas no piloto automático sem identificação alguma com esses mesmos vocalistas, apenas pelo fato de fazerem referência ao estilo pelo qual eles são conhecidos.
Mas qual das opções acima estamos lidando aqui? Vamos lá…
Um dos pontos positivos são os arranjos e melodias vocais. Sua criação e distribuição permitem que as vozes se complementem mantendo a possível identificação individual delas. Outro ponto positivo é a qualidade e experiência dos três vocalistas que não apenas remetem aos grandes nomes da história do AOR/Rock Melódico como dão tons, cores e elevam o patamar de qualquer canção que venham a participar. A junção desses pontos positivos fará a alegria dos entusiastas do estilo.
Vale ressaltar que não há dúvida com relação aos músicos que participam e muito menos do talento, qualidade dos arranjos e produção de Del Vecchio. A grande questão aqui é a música.
Claro que ela é cheia de melodias e refrãos empolgantes, e, como escrevi antes, o trabalho dos vocalistas as valoriza demais, mas com as fórmulas e padrões estabelecidos pela Frontiers, não apenas neste, mas em vários outros projetos, há dificuldade da conexão do ouvinte, de ser memorável… Aqui as músicas passam e não ficam, não marcam.
Eu sei que às vezes é difícil encarar uma mudança ainda mais quando o mercado responde positivamente ao “mais do mesmo”, mas a Frontiers precisa contar com compositores e produtores externos, inclusive músicos que tenham marcas pessoais e possam demonstrá-las nos projetos, e não as esconder, para que ela possa tirar melhor proveito do seu próprio produto.
Sem identidade, sem canções que marquem, os projetos podem tomar ares de esquecíveis, o que não deveria acontecer, pois todos eles possuem qualidade, mas, infelizmente, acabam não atingindo toda a sua plenitude.
Uma pena!
João Paulo Gomes

