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Tales From The Porn – “H.M.M.V.” (2017)


Tales From The Porn
 – “H.M.M.V.” (2017)

Animal Records
#HardRock#GlamMetal#HairMetal

Para fãs de: PoisonRattMotley Crue

Nota: 10

Yes, nós temos hard rock! Em inglês, totalmente anos 80, sem nenhuma influência de nada moderno. Do traço de união Brasil-Estados Unidos surge “H.M.M.V.”, estreia do Tales From The Porn, banda de São Paulo que encontrou em Stevie Rachelle (Tuff) o vocalista ideal — o timbre à la Alice Cooper e a dificuldade de encontrar bons cantores de hard rock no país justificam a escolha. Tecnologia é foda: Stevie nunca encontrou Andy Sun (guitarra), Bruno Marx (guitarra), Bento Mello (baixo) e Ed Avian (bateria) pessoalmente, tendo gravado sua parte em Los Angeles. O resultado são nove faixas com capacidade de nos transportar para aquele período em que o Glam Metal dominava o mundo.

Essa proposta de máquina do tempo é jogada na nossa cara já na abertura com “Back To The 80’s”. Gang vocals, bateria com reverb, solos que fariam nomes como Chris Holmes e Mick Mars aplaudirem de pé e uma letra que entrega o saudosismo sem se permitir afundar no brega são os ingredientes que não me deixam mentir. O som parece feito sob medida para quem ama não apenas Poison, Mötley Crüe e outros nomes do primeiro escalão, mas também para quem dá sobrevida aos cults Babylon A.D., Vain e o próprio Tuff — “Hot Girls, Fast Cars” não cairia mal como bonus track de “What Comes Around Goes Around” (1991).

A faixa homônima ao grupo cita AC/DC, inclui o famoso “2, 3, 4” de “Born To Be My Baby” do Bon Jovi e reafirma o compromisso do TFTP de rejeitar por completo qualquer coisa que tenha vindo após 1992. “Perfect Love” tem Ratt no DNA, e “Girls Wanna Party (In Augusta Street)”, uma justa homenagem ao local onde o rock acontece na capital paulista, tem o melhor refrão do álbum. É ouvir e visualizar as botas e os saltos ponta de agulha descendo a rua, desviando dos ambulantes vendendo bebida barata e da galera que deu PT no meio-fio.

A reta final traz uma releitura barra-pesada de “Danger Zone”, sonzaço de Kenny Loggins da trilha sonora de Top Gun – Ases indomáveis (1986), e “Scary Movie”, que incorpora outro clichê do hard oitentista: o fascínio pelas coisas aterrorizantes que o anoitecer e ruas desertas podem proporcionar. É nesse clima semelhante a sons como “Dream Warriors” (Dokken) que “H.M.M.V.” chega ao fim, depois de nos proporcionar meia hora de vislumbres de uma época que marcou, sobretudo, pela importância visual — o TFTP, inclusive, supervaloriza esse aspecto — e pela qualidade musical responsável pela playlist que faz nosso coração glam bater mais forte.

Se é verdade que alguns discos já nascem clássicos, temos aqui um exemplo. O Brasil precisava de uma banda como o TFTP e de um disco como “H.M.M.V.”, não apenas por uma questão de resistência — quem vive o hard rock, sabe que o gênero tem bons representantes no país, ainda que condenados a uma vida inteira tocando no underground e mantendo-se em empregos regulares —, mas por uma questão de necessidade. Citando um bastião do glam nacional em famoso canal a cabo da TV: “Chega de depressão no rock brasileiro.”

Marcelo Vieira

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