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Tankard – “Chemical Invasion” (1987) (Relançamento 2026)

Tankard – “Chemical Invasion” (1987)
(Relançamento 2026)

Noise Records | Rapture Records | Marquee Records | Voice Music
#ThrashMetal

Para fãs de: Kreator, Destruction, Sodom, Exumer

Texto por Johnny Z.

Nota: 9,0

Vamos ser diretos: em 1987 o thrash alemão já estava começando a se levar perigosamente a sério… e o Tankard, felizmente (ou não), nunca recebeu esse memorando.

Enquanto Kreator e Destruction soavam como se o fim do mundo estivesse acontecendo no quintal da sua casa, o Tankard parecia mais interessado em transformar o apocalipse numa desculpa para mais uma(s) rodada(s) de cerveja. E Chemical Invasion, o segundo disco da banda, é exatamente isso: caos alcoólico com riffs acelerados e uma cara de quem claramente não dormiu direito — nem pretende.

Não se engane achando que isso aqui é só piada. O álbum até tenta ser mais “sério” do que Zombie Attack (1986), e de fato existe uma evolução perceptível na estrutura das músicas. O “problema” é que o Tankard nunca consegue — e provavelmente nunca quis — abandonar completamente a sensação de que tudo pode descambar para uma zoeira a qualquer segundo. E, honestamente? Isso é parte do charme… ou da bagunça, depende do seu nível de paciência. O meu é meio quinta série, então… (risos)

A faixa-título, “Chemical Invasion”, até ensaia uma atmosfera mais ameaçadora, mas logo o disco te puxa de volta para o território familiar: riffs rápidos, vocais gritados de forma quase cartunesca e aquela energia de bar às 3 da manhã onde ninguém mais sabe por que está ali, mas todo mundo continua.

“Traitor” e “Don’t Panic” mostram que a banda sabia sim escrever thrash competente, com riffs cortantes e uma pegada que não devia nada aos colegas mais “respeitáveis” da cena. O detalhe é que, no Tankard, sempre parece que alguém vai tropeçar no próprio amplificador a qualquer momento — e isso não é exatamente um insulto. É quase uma assinatura estética.

E então temos “For a Thousand Beers”, que já entrega tudo no título: exagero, repetição proposital e uma espécie de orgulho em não levar absolutamente nada a sério além da própria velocidade. Se você procurar profundidade filosófica aqui, vai sair sóbrio e decepcionado (risos).

A produção ajuda e atrapalha ao mesmo tempo. Tem aquele som cru típico da época, o que dá personalidade, mas também deixa certas passagens soando como se a banda estivesse ensaiando dentro de uma garagem prestes a desabar. Ainda assim, isso combina perfeitamente com a proposta caótica do grupo.

O ponto central de Chemical Invasion é simples: o Tankard nunca tentou ser o mais técnico, o mais pesado ou o mais sombrio. E esse disco é a prova disso. Eles preferiram ser reconhecíveis, barulhentos e levemente irresponsáveis — e, no contexto do thrash alemão, isso já é quase uma rebeldia própria.

Então, Chemical Invasion não é o álbum que você usa para convencer alguém da “genialidade” do Tankard. É o álbum que você coloca quando já desistiu de convencer alguém de qualquer coisa e só quer velocidade, sarcasmo e aquela sensação de que o mundo pode acabar… mas antes ainda dá tempo de mais uma cerveja e mais thrash visceral sem medo de ser feliz. E talvez isso seja exatamente o ponto.

Corra atrás desse relançamento nacional, em slipcase, pois vale cada centavo não gasto em cerveja no fim de semana (risos). Puro suco (de cevada) do caos!

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