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Terrorizer – “Caustic Attack” (2018)


Terrorizer
 – “Caustic Attack” (2018)

The End Records
#Grindcore, #DeathMetal

Para fãs de Napalm Death, Repulsion, Lock Up, Nausea

Nota: 10

E Deus criou o Grindcore. Aliás, vou além: não só criou, como também integra uma das mais emblemáticas e essenciais formações do gênero.

Existem duas eras distintas na música extrema: AT (antes do Terrorizer) e DT (depois do Terrorizer), e se o Napalm Death é creditado como o fundador do estilo, o Terrorizer foi quem aperfeiçoou e deu ao mesmo a noção de todo seu potencial destrutivo. Este é talvez um dos momentos mais aguardados por todos os entusiastas desta vertente maldita e politizada da música.

Oriundos de uma trajetória irregular, assolados por mudanças de formação e longos períodos de intervalo entre os lançamentos, eis que finalmente “Caustic Attack” se torna uma realidade. É até difícil descrever em palavras este momento, mas vamos lá! Esta é a retomada de poder do Terrorizer e ponto. Simples assim! Após este disco, não há páreo, não há equivalência e somente a hegemonia americana no estilo prevalecerá. Pode soar exagerado, mas imagine um disco empolgante, milimetricamente e cirurgicamente concebido para destruir, humilhar e devastar do alto de todo o peso e brutalidade que você pode imaginar.

A atual formação (que já nem é tão atual assim) é de um poderio absurdo. Samuel Molina (baixo e vocal), Lee Harrison (guitarra) e o remanescente dono da banca Pete Sandoval (bateria) vieram pra mostrar o quão miseráveis e insignificantes nos somos, pois o que fora criado em “Caustic Attack” é a mais pura excelência em Grindcore.

De cara eu já elaboro um pertinente questionamento: como um sujeito baixinho, de frágil constituição física e afligido por graves problemas na coluna consegue fazer um negócio desses? Sim, Pete Sandoval é uma anomalia, um evento da natureza impossível de ser explanado. O cara deve ter uns dois pares de cromossomos a mais, sei lá. A bateria não é um mero instrumento percussivo, mas um apêndice de seu corpo. Uma extensão de sua alma. As linhas de bateria deste disco são as mais perfeitas e implacáveis que ouvi nos últimos tempos. Coisa de gênio.

Samuel Molina e Lee Harrison são impecáveis em seus postos, mas acabam sucumbindo perante a bestialidade de Sandoval, tanto é que Harrison – outro monstro nas baquetas em sua banda de origem, o Monstrosity; aqui responde pelas seis cordas, pois simplesmente não dá para substituir a perfeição.

Você deve estar pensando que é devaneio onírico da cabeça desse pobre redator, e é até natural, mas ouça por apenas alguns segundos “Invasion”, “Conflict and Despair”, “Infiltration” ou “Poison Gas Tsunami” e tente contra argumentar. É incontestável que “Caustic Attack” é o capítulo que faltava na história da banda. É a redefinição, o renascimento mais poderoso que nunca. Dá um pau com taco de baseball e soco inglês nos dois antecessores, só não superando, por questões óbvias, o disco de estréia, pois aquilo jamais será superado. E mais uma lacuna é preenchida na vindoura listinha…

Ricardo L. Costa

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