Tesla – “Homage” (2026)
Frontiers Music | Shinigami Records
#HardRock
Para fãs de: Cinderella, Great White, Bad Company
Texto por: Caio Siqueira Iocohama
Nota: 7,5
Dezenove anos depois dos dois volumes de Real to Reel (2007), o Tesla volta a mergulhar nas músicas que ajudaram a formar sua identidade. Homage reúne treze covers e apenas uma composição inédita, “Never Alone”, em um repertório que passeia por Queen, Bob Seger, Elvis Presley, James Brown, Creedence Clearwater Revival e outros nomes que dispensam apresentações.
“Never Alone” abre o álbum com uma parte acústica antes da entrada das guitarras e é, sem qualquer vergonha, aquele estereótipo do Glam Metal “farofa”. E funciona. A música tem uma pegada simples e melódica, servindo bem como a única inédita do trabalho. O que chama atenção mais uma vez é Jeff Keith. O tempo parece passar para todo mundo, menos para a voz do sujeito, que se mantém praticamente idêntica há anos e continua em altíssimo nível.
Na sequência, “Bring It On Home” (Sam Cooke) mantém um pouco dessa mesma atmosfera, agora em formato de baladinha, enquanto “Spread Your Wings” ficou realmente bonita. O clássico do Queen ganhou uma versão respeitosa, e o vocal mais rouco de Jeff combinou muito bem com o instrumental. É justamente essa característica que faz boa parte de Homage funcionar: em vez de tentar imitar os cantores originais, Keith leva as músicas para o seu próprio terreno.
“Night Moves” (Bob Seger) é clássica das clássicas e recebeu uma bela homenagem. Não há necessidade de inventar demais quando a composição original já é desse tamanho, e o Tesla entendeu isso. “If I Can Dream” (Elvis Presley) também funciona bem justamente por mostrar um lado um pouco diferente do vocal de Jeff, que em alguns momentos soa mais grave. O resultado ficou interessante e ajuda a variar um álbum que, naturalmente, trabalha bastante com músicas mais lentas e sentimentais.
“Come And Get It” é outra que ficou muito boa. A original do Badfinger já tem aquela vibe leve e bonita, e o Tesla foi bastante fiel à proposta, sem tentar transformar a canção em algo que ela não é. Logo depois vem o grande momento do disco: “I Got You (I Feel Good)”. A música de James Brown já nasce mágica, mas a versão do Tesla ficou sensacional. É divertida, solta e cheia de energia, daquelas releituras em que dá para perceber que a banda estava realmente se divertindo enquanto tocava. Para mim, é o ponto alto de Homage.
“Give A Little Bit” (Supertramp) ficou legalzinha e mantém o álbum em terreno confortável. “I Love You (2026 Version)” (Climax Blues Band) e “The Ballad Of Curtis Loew” (Lynyrd Skynyrd) seguem o passeio pelas influências do grupo sem quebrar o clima do trabalho. Aqui fica cada vez mais claro que Homage funciona muito mais como uma coleção de músicas que o Tesla gosta de tocar do que como uma tentativa de reconstruir os clássicos. E, nesse caso, isso está longe de ser um problema.
Na reta final aparece outra música clássica das clássicas: “Have You Ever Seen The Rain” (Creedence Clearwater Revival). O vocal rouco de Jeff combinou muito bem com o estilo de John Fogerty, deixando a versão com a cara do Tesla sem tirar dela aquilo que a tornou tão conhecida. “I’d Rather Go Blind” (Etta James) também ficou legal e preserva o tom mais emotivo que domina boa parte do repertório.
“Mind Your Own Business” (Hank Williams Sr.) foi uma escolha interessante para encerrar o disco. Enquanto grande parte de Homage carrega um sentimento mais melancólico, a última faixa muda completamente o clima e fecha tudo com uma pegada blues bem mais animada. Depois de tantas baladas e músicas sentimentais, é um encerramento que dá outra energia ao álbum e faz o trabalho terminar em bom nível.
No fim, Homage é exatamente o que o título promete: uma homenagem. Não é um disco feito para mostrar como o Tesla consegue desconstruir clássicos ou reinventar músicas conhecidas, e sim para celebrar canções que fazem parte da formação da banda. Algumas versões apenas cumprem bem esse papel, enquanto outras, especialmente “I Got You (I Feel Good)” (James Brown), ganham vida própria. Com Jeff Keith cantando em altíssimo nível e uma seleção praticamente impossível de dar errado, o Tesla entrega um álbum divertido, nostálgico e extremamente agradável de ouvir.





