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The Bridge Fest – Niterói/RJ (11/06/2022)

Bandas: Repressor, Far Beyond Empire, Switchback e Tellus Terror
Local: Sala Nelson Pereira dos Santos, Niterói/RJ
Data: 11/06/2022
Produção: The Bridge Press

Texto por Will Menezes
Fotos por Gustavo Maiato

O sangue do metal no cenário carioca já voltou a circular após o pico maldito da Covid-19, e a força motriz que tem bombeado o levante do cenário underground segue ascendendo firme e forte! No sábado do dia 11 de junho tivemos a realização do The Bridge Fest, em Niterói – RJ. Com uma produção de som e palco incríveis na confortável Sala Nelson Pereira dos Santos

Repressor

A noite foi aberta com os niteroienses do Repressor, com seu death/thrash cheio de energia e competência. Com uma lírica em português, a banda aborda questões sociais e políticas com o pé na porta, sem meias palavras, como em “Cabral” e “Arapuca”.

A banda apresentou o som do seu álbum mais recente, “Monguitê”, que eu fui ouvir após o evento e recomendo fortemente! O show foi bem conduzido com um thrash que derreteu qualquer camada gélida da noite fria, remetendo a boas referências de músicas regionais, com batuques, apito e influências afro-brasileiras em “Vitória no Sangue”. Excelente ponto de exploração na sonoridade dos caras, especialmente para os mais saudosos dos tempos do Roots.

 

Far Beyond Empire

Em seguida, tivemos a Far Beyond Empire. Apesar de jovem no cenário, o quarteto já tem uma trajetória e comportamento de titã. Os cariocas têm uma pegada de death com influências modernas em um som autoral muito competente.

Eu já conhecia o trabalho do vocalista Hugo Purcino, mas estava em uma noite especialmente inspirada. Com uma presença de palco e interação com o público excelentes, Hugo trouxe um fluxo novo de sangue para a noite, mostrando maestria tanto nos guturais quanto nas partes limpas da voz.

O instrumental também merece elogios, com destaque para o contrabaixo presente e visceral de André de Lemos, que preenchia o ambiente com tanta pressão que parecia que havia uns 4 instrumentistas na cozinha. Destaques para “Who Watches the Watchers” e “Blindfolded”. Show excelente, de uma banda sensacional.

 

Switchback

Na sequência, tivemos a presença dos veteranos do Switchback. A banda foi bastante ativa nos anos 90, e sacudiram o pó há cerca de 5 anos para retornarem aos palcos, e atualmente divulgam o EP “Batendo de Frente”.

Numa pegada de punk rock/hardcore/rock n’ roll noventista, entramos numa atmosfera “motorheadiana” para agradar o pessoal mais tradicional. Destaque para “Sobreviventes ao Caos”, “Sem Acordo”, e uma “Jack’n Coke” para o saudoso Lemmy.

 

Tellus Terror

Fechando a noite, tivemos a maior das surpresas. O Tellus Terror entrou para agredir o público na jugular. Com um black/death sinfônico absurdamente bem executado, o quinteto trouxe sua dose de sombras e agonia para coroar a noite. Da estrutura de palco, ao corpse paint, à execução, tudo pareceu cuidadosamente planejado e feito com esmero.

Sinceramente, há muito tempo eu não ouvia um black tão bonito e bem executado, e saí de lá perplexo com a ciência de que esses caras são meus conterrâneos. Da versatilidade do Felipe nos vocais, beberam da fonte do black norte-europeu para entregar músicas extremamente bonitas, agressivas, complexas e bem executadas.

A presença de palco foi fora de série (apesar da pouca conversa e interação com o público), e a qualidade do instrumental foi de cair o queixo. Realmente merecem alcançar degraus cada vez mais altos.

 

O The Bridge Fest foi um baita festival. Uma pena que o frio afugentou alguns e o público não se apresentou com tanto vigor, mas certamente foi demonstrado que a cena vive na cidade de Niterói, e que o sangue do metal autoral corre firme pelas veias do Rio de Janeiro. Parabéns a produção pela estrutura, local, escolha das bandas e controle de qualidade durante o evento.

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