The Gathering – Audio, São Paulo/SP (15/10/2026)

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The Gathering – Audio, São Paulo/SP (15/10/2026)

Produção: Honorsounds | Till Dawn They Count
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Quatro anos após sua última passagem por aqui e em sua quarta visita ao nosso país, o The Gathering voltou ao Brasil. Desta vez, a clássica banda holandesa trouxe a turnê que celebra os 30 anos do icônico Mandylion (1995). Para tornar tudo ainda mais especial, o grupo reuniu músicos da formação que gravou o disco na época. Assim, o guitarrista Jelmer Wiersma e a eterna vocalista Anneke van Giersbergen voltaram a dividir o palco com os antigos companheiros. Afinal, Anneke marcou época na história da banda.

O show começou pontualmente às 21h, com um trecho da instrumental “Mandylion” e os integrantes se posicionando no palco. Logo depois, a banda iniciou a apresentação com “Eleanor”. Tão logo Anneke entrou em cena, a Audio veio abaixo! A reação mostrou por que o público brasileiro está entre os mais apaixonados por Metal. Além disso, a resposta ao clássico foi simplesmente impressionante.

Na sequência, vieram o peso massacrante de “Fear the Sea” e “In Motion #1”, ambas também do “Mandylion”. As músicas exaltam o lado mais progressivo da banda, que sempre se destacou pela identidade musical. Nesse sentido, sua sonoridade exala fortes influências dos anos 1970, principalmente do Pink Floyd. Portanto, acompanhar a técnica e a precisão dos músicos foi um deleite absoluto.

Entretanto, é impossível falar dessa apresentação sem destacar a importância de Anneke em todo esse cenário. Em meio ao peso e à viagem sonora, ela conduziu o espetáculo como ninguém. Pulou, dançou, sorriu, animou a plateia e bateu cabeça. Enfim, não faltam palavras para exaltar sua atitude no palco. Graças a essa entrega, cada música ganhou ainda mais significado, especialmente para quem sonhava em vê-la cantando novamente esse material. A prova veio quando a vocalista tentou conversar com o público e recebeu uma ovação ensurdecedora.

Depois de reservar alguns segundos para falar sobre a celebração de “Mandylion”, a banda apresentou outro clássico absoluto: “On Most Surfaces”, do importantíssimo “Nighttime Birds” (1997). Mais uma vez, tanto o grupo quanto a plateia protagonizaram um momento explosivo.

A partir dali, o The Gathering apresentou parte do repertório como um quinteto, respeitando o contexto histórico. Afinal, Jelmer deixou a banda após “Nighttime Birds”. Ainda assim, a energia continuou crescendo, principalmente durante a performance eletrizante de “Broken Glass”. Logo depois, veio uma interpretação impecável de “Waking Hour”, com sua atmosfera introspectiva. Dessa maneira, o grupo evidenciou toda a sua dinâmica musical e uma inteligência composicional sem igual.

O espetáculo ganhou outro capítulo especial quando chegou a vez de “How to Measure a Planet?”, de 1998. Para representar essa fase, a banda executou uma dobradinha histórica com “Probably Built in the Fifties” e “Liberty Bell”. Esta última, aliás, não era tocada pelo próprio grupo desde 2007. Em uma noite na qual tudo era motivo de celebração, resgatar uma música tão importante da discografia foi uma escolha mais do que acertada.

Na sequência, o passeio pela fase de Anneke continuou com “Analog Park”, do álbum “if_then_else” (2000). Assim, a apresentação percorreu diferentes momentos da carreira do The Gathering sem perder o fio condutor daquela noite especial.

Com Jelmer de volta ao palco, a banda retomou a celebração de “Mandylion”. Antes da próxima música, Anneke revelou que “In Motion #2” era uma das favoritas do grupo. A partir daí, reinou o peso característico dos anos 1990, um dos principais trunfos da sonoridade da banda.

Enquanto isso, o canto dos pássaros preparava o terreno para o que viria a seguir: a eterna “Leaves”. Além de ser um dos maiores clássicos do grupo, a música proporcionou, na minha opinião, uma das melhores performances vocais da carreira de Anneke. Vê-la cantando foi simplesmente apoteótico! Assim que os primeiros versos ecoaram, já havia pessoas ao meu lado chorando. Sem dúvida, foi um daqueles momentos que justificam a existência de uma apresentação ao vivo.

Em seguida, “Sand and Mercury” deu espaço para a cozinha instrumental brilhar novamente. Logo depois, o guitarrista René Rutten precisou apenas dos primeiros acordes de “Strange Machines”, a clássica faixa de abertura de “Mandylion”, para arrancar ainda mais energia do público. Mesmo após tantos momentos intensos, ninguém demonstrava cansaço. Pelo contrário, a plateia celebrou a música com entusiasmo redobrado. Dessa forma, a banda encerrou tanto a homenagem ao álbum quanto a primeira parte do repertório em grande estilo.

Após uma breve pausa, o grupo retornou para o bis com “Travel”. Na sequência, veio “Third Chance”, que também não era tocada desde 2007 e ficou de fora de boa parte dos shows da reunião. Portanto, sua inclusão representou uma surpresa especial preparada para os fãs sul-americanos.

Para fechar a noite, o The Gathering escolheu “Saturnine”, uma das músicas mais conhecidas de sua trajetória. Mais uma vez, o público fez sua parte e praticamente encobriu os vocais de Anneke com a força de seu canto. Diante daquela reação, a própria vocalista pediu que todos entoassem novamente o refrão final como forma de despedida. Naturalmente, a plateia atendeu ao pedido de imediato.

Assim terminou um show de 115 minutos, marcado por felicidade, lágrimas e, acima de tudo, pelo prazer de reviver um momento fundamental na história da banda e do próprio Metal. Foi uma celebração genuína, na qual músicos e fãs compartilharam a emoção de reencontrar uma parte importante do passado.

Em uma entrevista recente, Anneke comentou que a celebração terminará em janeiro e não terá continuidade. Inicialmente, a proposta era realizar apenas alguns shows. Entretanto, a iniciativa ganhou proporções enormes, embora a intenção sempre tenha sido homenagear um período marcante da trajetória do grupo.

Diante disso, o show desta quinta-feira foi histórico. O que o The Gathering fez no palco foi digno de aplausos, e a banda mereceu todo o carinho recebido do público. Afinal, não é todo dia que temos a oportunidade de testemunhar uma reunião tão significativa, especialmente quando ela envolve músicas que marcaram a vida de tantas pessoas.

Quem esteve na Audio jamais se esquecerá do que essa noite proporcionou. Para mim, foi um dos melhores e mais importantes shows realizados em nosso país nos últimos vinte anos. Foi indescritível.

Setlist:

Mandylion (Intro)
Eléanor
Fear the Sea
In Motion #1
On Most Surfaces (Inuït)
Broken Glass
Waking Hour
Probably Built in the Fifties
Liberty Bell
Analog Park
In Motion #2
Leaves
Sand and Mercury
Strange Machines
Travel
Third Chance
Saturnine

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