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The Mission – Carioca Club, São Paulo/SP (30/10/2022)

Headliner: The Mission
Abertura: Gene Loves Jezebel
Local: Carioca Club, São Paulo/SP
Data: 30/11/2022
Produção: Dark Dimensions
Assessoria: JZ Press

Texto e vídeo por Johnny Z.
Fotos por Léo B. Muniz

Não é só de Metal pesado que gostamos e a importância de sempre sairmos da bolha, curtindo sonoridades e estilos diferentes, é de suma importância, e desde meus tempos de adolescente eu sempre fui um grande adepto – para não dizer um fã die hard – do New Wave, Pop, Synth Wave, Dark Rock, Gothic Rock, Post-Punk ou seja, aquela vibe que – junto ao Hard Rock – dominou aquela década com unhas e dentes. Bandas como o The Sisters Of Mercy, The Mission, Fields Of The Nephilim, Bauhaus, Joy Division, Dead Or Alive The Bolshoi, etc, sempre foram bandas de cabeceira no meu amadurecimento como gente fora do nicho do Metal, especialmente as duas primeiras.

Infelizmente nunca consegui assistir ao The Mission ao vivo, mas dessa vez eu estava confiante que realizaria esse sonho. Pois bem, não só realizei como acabei trabalhando no evento como assessor de imprensa do mesmo (e também do primeiro show realizado uma semana atrás no mesmo local LOTADO) graças a chance que me foi dada pela Dark Dimensions. Pode soar estranho o assessor do evento fazer a resenha do show que trabalhou e divulgou, mas me perdoem: NÃO ESTOU NEM AÍ para o que possam pensar. Eu sou um fã de música boa, sou assessor de imprensa e também sou Redator aqui no Metal Na Lata – que é meu -, então porquê não posso unir o útil ao agradável? Não me venha com falso moralismo para cima de mim, ok? Já vi gente descendo o sarrafo em artista brasileiro PARA MIM e depois trabalhando com o mesmo na maior cara de pau como se nada tivesse acontecido. Eu não, eu não vou descer o sarrafo em absolutamente NADA não porquê eu estava envolvido, mas sim por ter sido uma noite (quase) PERFEITA em (quase) todos os sentidos.

O convidado especial da noite, o grupo inglês Gene Loves Jezebel, entrou no palco com uns 15 minutos de atraso que não atrapalhou em nada. Antes de mais nada devo dizer que essa “encarnação” do Gene Loves Jezebel é a versão de Michael Aston e não a de seu irmão e ex-parceiro Jay Aston que estão numa disputa nada amigável, mas ao memo tempo sem barraco ou maiores entraves por conta do nome. Ok, causou uma certa dúvida nos fãs logo que foi noticiada a presença da banda como convidada, mas logo tudo foi sanado e ‘a melhor’ das encarnações aportou no Brasil para uma apresentação que esquentou um Carioca Club não tão cheio ainda.

Não é uma banda ruim, muito pelo contrário, é bem compatível à atração principal, mas suas músicas se parecem tanto entre si que não tem como se sentir num eterno ‘looping over and over again’. Acompanhando o elétrico Michael (o cara não parava um minuto, dançando, pulando e tendo tremeliques o tempo todo) tivemos os ex-Bulletboys Nick Rozz (guitarra), Chad McDonald (baixo) e o baterista do Faster Pussycat, Chad Stewart. Infelizmente, o que me pareceu foi que após o ‘looping’ infinito do setlist, o público só queria saber de abrir a porcaria do celular para acompanhar a apuração da eleição presidencial em nosso país. Foi um show correto, interessante e divertido, que aqueceu muito bem o público que já estava em grande número. Meus destaques ficaram para as execuções perfeitas de “Desire” e “The Motion Of Love”, os grandes sucessos da banda e me perdoem os fãs da banda, as únicas que realmente todos os “normais” lá conheciam bem (risos).

Vale duas menções que seguiram-se durante toda a noite: a iluminação e o som excelentes! Era tão nítido e cristalino que pareciam CDs tocando nos falantes! Palmas para os profissionais que mandaram muito bem em suas funções.

Setlist Gene Loves Jezebel:

Heartache
Always A Flame
Bruises
Downhill Both Ways
Beyond Doubt
The Cow
Suspicion
Loving You Is The Best Revenge
Twenty Killer Hurts
Gorgeous
Desire (Come And Get It)
The Motion of Love

 

Sem muita demora, os lordes Wayne Hussey (vocal/guitarra), Simon Hinkler (guitarra), Craig Adams (baixo) e o ‘novato’ Alex Baum (bateria) tomaram de assalto o lugar que todos ali aguardavam ser preenchido com maestria, classe e muitíssimo bom gosto. Apresentando a “Deja-Vu Tour”, uma espécie de “Greatest Hits” no formato ao vivo, o The Mission não só fez bonito, como também fez uma plateia – incluindo os tiozões e esse que vos escreve – tirar o pé do chão e dançar como se não existisse amanhã. Faz muito tempo que não ia a um show e não me divertia dessa forma, dançando!

Um setlist impecável, só com verdadeiros clássicos do bom gosto, fez a noite do domingo especial (exceto pelo resultado das eleições, que já todos tinham em mãos e alguns poucos gritos por todo o Carioca). Muito chato! Muuuuuito chato isso! Bandeiras, xingos, gritos como torcidas de futebol. Não atrapalhou, foi até moderado perto do que eu esperava que seria, mas tenho que deixar claro: DESNECESSÁRIO. Mesmo se o resultado fosse outro, falaria a mesmíssima coisa. Torcer para político é o fim da picada. Se eu quisesse ver palhaço eu iria a um circo!

Voltando ao show, o mais importante naquele momento, esse tipo de show você vê todo tipo de fã, desde os mais descolados, os roqueiros, casuais, tiozões, casais, tr00zões, todos convivendo em perfeita harmonia.

Achei que teríamos um Wayne Hussey ‘abrasileirado’, já que mora no Brasil há mais de 20 anos, inclusive sendo casado com uma brasileira, mas parece que ele dormiu ou se esqueceu completamente das aulas de português (risos).

Clássicos tocados numa perfeição absurda, outras com roupagens mais “modernas”, como algumas regravações que foram lançadas na última coletânea da banda, “Resurrection – The Best Of”, de 2019, mas em nada deixaram a desejar. Um fato interessante que muita gente notou era a performance do ‘novato’ baterista Alex Baum, que descia o braço na sua bateria. Os onipresentes Simon HinklerCraig Adams sempre são um show a parte, com aqueles jeitões todo “classudos”, com chapéu e tudo mais, mas mostrando uma precisão impressionante em suas partes.

Faixas como “Into The Blue” e “Garden Of Delight” passaram um pouco batidas para uma parcela do público, mas para quem as conhecia, foram como um verdadeiro “deja-vu”, pois foram executadas com tanto feeling que dava para sentir o coração pulsando junto com elas.

Não necessita falar que os pontos altos foram as sensacionais “Severina”, “Like A Child Again”, “Butterfly On A Wheel”“Wasteland”, certo? Dois covers deram o ar da graça: “Like A Hurricane”, de Neil Young, e “Tomorrow Never Knows”, do “The Beatles”. Confesso que preferia que essa última fosse trocada pelo cover do U2, “All I Want Is You”, ou até mesmo faixas lindas de sua extensa discografia/carreira, como “Kingdom Come” ou  “Blood Brother”, executadas em outros shows da turnê, mas tudo bem.

Um fato interessante se deu na execução da faixa “Naked And Savage”, onde Craig e Wayne tocaram um pequeno trecho da faixa “Marian” da época em que estavam no The Sisters Of Mercy, sendo reconhecida rapidamente e ovacionada por todos presentes.

Fechando a aula de esmero e bom gosto, tivemos “Deliverance” e “Tower Of Strenght”, ambas com a presença dos músicos do Gene Lovez Jezebel – visivelmente alegrinhos (risos), fazendo com que essa última faixa se estendesse além da conta.

Fico feliz em poder tido essa chance de ver essa incrível instituição da música no palco, feliz de ter feito parte de um trabalho em prol do show, mas ao mesmo tempo triste por saber que o The Mission está fazendo sua última e derradeira turnê, declarado pelo próprio Wayne no palco. Só nos resta torcer que isso não seja verdade, pois eles estão muito bem de saúde, cheios de vigor, energia e tocando feito jovens quase setentões! Quem me dera chegar nessa idade como esses ingleses! AULA MEUS AMIGOS! AULA!

Obrigado Dark Dimensions pela organização, pelo bom gosto e por ter me de dado a chance em fazer parte do time, e claro, como fã, ter presenciado e realizado um grande sonho de infância!

Setlist The Mission:

Tadeusz (1912-1988) / Beyond The Pale
Hands Across The Ocean
Into The Blue
Met-Amor-Phosis
Garden Of Delight
Swoon
Severina
Like A Child Again
Afterglow
Like A Hurricane (Neil Young)
Butterfly On A Wheel
Wasteland
Tomorrow Never Knows (The Beatles)
Naked And Savage
Deliverance
Tower Of Strength

 

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