The Town – Autódromo de Interlagos, São Paulo/SP (07/09/2025)

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The Town – Autódromo de Interlagos, São Paulo/SP (07/09/2025)

Produção: Rock World/Rock In Rio/The Town
Assessoria: Approach Comunicação
Bandas: Bruce Dickinson, Bad Religion e Green Day

Texto por Ricardo Brigas
Fotos (Bruce Dickinson) por Wes Allen/The Town
Fotos (Bad Religion) por Alessandra Rosato
Fotos (Green Day) por Diego Padilha/The Town

O The Town é, sem dúvida, um dos maiores festivais do Brasil. Idealizado por Roberta Medina, filha de Roberto Medina (criador do Rock in Rio), o evento teve sua grandiosa estrutura montada dentro do Autódromo de Interlagos. São cinco palcos distribuídos ao longo do espaço, além de um parque de diversões com roda-gigante, montanha-russa e até uma tirolesa que passa em frente ao palco. O público também conta com diversas opções de restaurantes, uma cervejaria montada em um caminhão, torneiras de chope instaladas em paredes, vários pontos de hidratação e muitas outras atrações.

O paddock foi destinado ao staff de apoio, funcionando também como área de descanso e alimentação, além de abrigar a sala de imprensa, que oferecia boa estrutura, energia elétrica e internet estável. Para nós, que estávamos na cobertura, o único ponto negativo foi a limitação de fotógrafos no pit — compreensível diante do alto número de credenciados. (*)

(*) (Nota do Redator-Chefe) situação infeliz e lamentável que poderia ter sido evitada caso a produção tivesse controlado essa questão já no início do credenciamento. Assim, os profissionais não precisariam se deslocar até o local para, no fim, ficarem impossibilitados de trabalhar — como ocorreu com a nossa fotógrafa em dois dos três shows que se enquadravam na nossa linha editorial. Que fique como uma crítica construtiva para os próximos eventos, pois acredito que só melhoria a relação produção/imprensa, e todos sairiam ganhando.

A cobertura de um festival dessa magnitude exige preparo físico. As distâncias entre os palcos eram enormes; logo na chegada, percorremos cerca de 2 km até alcançar a sala de imprensa. Felizmente, o clima colaborou: a temperatura estava amena e, apesar de uma leve garoa durante o dia, não enfrentamos frio, calor excessivo nem chuva intensa como no dia anterior. O domingo, dia 7, foi dedicado ao Rock, e o Metal na Lata esteve presente para registrar tudo.

O primeiro show que acompanhamos foi o de Bruce Dickinson, no palco Skyline, o principal do evento. Até poucos minutos antes de começar, a área ainda não estava lotada, o que nos permitiu encontrar um bom lugar para assistir à apresentação. Aos 67 anos, o vocalista do Iron Maiden parecia uma criança no palco: corria de um lado a outro, interagia o tempo todo e transmitia uma alegria contagiante. No ano em que completou 40 anos desde sua primeira vinda ao Brasil — no Rock in Rio de 1985 —, Dickinson fez questão de relembrar aquele momento histórico em seus discursos durante o show, claramente emocionado.

A apresentação foi marcada por fortes doses de emoção. O repertório privilegiou a carreira solo, com músicas que não deixaram saudade dos clássicos do Iron Maiden, tamanha a qualidade e o peso das composições. A banda soou extremamente coesa: os duetos entre guitarra e teclado foram um espetáculo à parte, enquanto a baixista irlandesa Tanya O’Callaghan e o baterista Dave Moreno garantiram uma cozinha sólida e segura. Em termos de sonoridade, foi, na minha opinião, o melhor show do festival — talvez também por ser a única atração de Heavy Metal.

Entre as músicas, Bruce não perdeu a oportunidade de ironizar políticos brasileiros antes de apresentar “Rain on the Graves”. Logo depois, surpreendeu o público ao cantar, de forma a capella, “Revelations”, do Iron Maiden, provando que, mesmo após superar um câncer na língua, sua voz segue impressionante. O encerramento foi histórico: “Flesh of the Blade”, faixa nunca executada por ele nem pelo Iron Maiden, do clássico álbum Powerslave. Um final apoteótico, coroado pela plateia que ovacionou a banda e gritou o nome de Bruce em uníssono.

Setlist:

Accident of Birth
Abduction
Laughing in the Hiding Bush
Road to Hell
Chemical Wedding
Resurrection Men
Rain on the Graves
Tears of the Dragon
Book of Thel
Revelations
(Iron Maiden) (a capella)
Flash of the Blade
(Iron Maiden)

No cronograma oficial do evento, quem subiria ao palco principal na sequência seria o lendário Sex Pistols. Porém, devido a um problema com o guitarrista Steve Jones, que quebrou o pulso, a banda precisou cancelar a apresentação. De última hora, o Bad Religion foi convidado — apenas uma semana antes do festival — para assumir a responsabilidade. Pela 13ª vez no Brasil, o grupo entregou um show inesperado e memorável.

O setlist veio repleto de clássicos, mas com uma pegada um pouco diferente: a maioria das músicas foi executada de forma mais cadenciada. Isso não significou falta de qualidade, apenas uma abordagem distinta. No início, as guitarras soaram baixas, mas o problema foi rapidamente corrigido. O show já começou em alto nível com “Recipe for Hate”, faixa do álbum homônimo, mostrando que o Bad Religion estava pronto para encarar a missão.

Substituir uma banda de peso como o Sex Pistols não era tarefa fácil. Muitos haviam comprado ingressos justamente para ver os ingleses, e no meio da plateia as opiniões eram divididas: alguns torceram o nariz, outros vibraram com a escolha. Mas o Bad Religion mostrou que não estava ali apenas para “tapar buraco”. Pelo contrário, fez uma apresentação fenomenal, com a multidão cantando em coro, sinalizadores acesos e rodas de mosh se abrindo no meio do público. Em alguns momentos, parecia que todos estavam ali só para vê-los.

Desta vez, preferimos ficar um pouco mais afastados, já que o espaço rapidamente ficou lotado e intransitável. O ponto alto, para mim, foi quando tocaram três músicas do clássico “Against the Grain” — na minha opinião, o melhor álbum da banda. Entre as músicas, Greg Graffin comentou sobre o convite inesperado, dizendo que tiveram de interromper as férias para tocar justamente no Dia da Independência do Brasil, antes de anunciar “You Are (The Government)”.

Para uma banda chamada às pressas para substituir outra que cancelou “aos 45 do segundo tempo”, o Bad Religion mostrou por que tem mais de 40 anos de estrada. Com experiência, presença de palco e um repertório matador, eles transformaram um imprevisto em uma das apresentações mais marcantes do festival.

Setlist:

Recipe for Hate
Supersonic
You Are (the Government)
Candidate
No Control
Struck a Nerve
New Dark Ages
Modern Man
My Sanity
I Want to Conquer the World
Fuck Armageddon… This Is Hell
Fields of Mars
Do What You Want
True North
Atomic Garden
We’re Only Gonna Die
Generator
You
21st Century (Digital Boy)
Infected
Cease
Anesthesia
Sorrow
American Jesus

Vou ser sincero: não esperava muita coisa do show do Green Day. Minha ideia era assistir duas músicas e sair, ainda mais porque, segundo dados oficiais do festival, havia aproximadamente 190 mil pessoas no local. Após o show do Iggy Pop — que infelizmente tivemos que escolher entre ele e outra atração, devido à enorme distância entre os palcos —, ficou praticamente impossível circular. Todos os outros shows já haviam terminado, e a festa ficou por conta do Green Day.

A introdução foi, sem exagero, a mais insana que já presenciei. Tudo começou com “Bohemian Rhapsody”, do Queen, seguida pela entrada de um sujeito vestido de coelho que incendiou o público ao som de “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones. Depois veio um mashup inusitado: “The Beautiful People”, de Marilyn Manson, “The Imperial March”, tema de Darth Vader em Star Wars, e novamente o Queen com “We Will Rock You”. Enquanto isso, uma contagem regressiva no telão anunciava a entrada da banda. E quando as luzes se apagaram de vez, a explosão veio com “American Idiot”, derrubando as “torres” do The Town logo na abertura.

O setlist foi um desfile de clássicos, executados com energia e precisão. A cada música, a ideia de ir embora desaparecia, substituída por um encantamento crescente. Efeitos de fogo no palco, fogos de artifício no céu e sinalizadores acesos no meio da multidão criaram uma atmosfera única, de verdadeira celebração. Em “Know Your Enemy”, Billie Joe Armstrong chamou uma fã ao palco para tocar com a banda — um momento inesquecível que, certamente, ela jamais esquecerá.

No fim, percebi que o Green Day não fez apenas um show: entregou um espetáculo digno de encerrar um festival desse porte com grandeza. Fui obrigado a engolir minhas próprias expectativas baixas e me render a esse grandioso “dia verde”.

Setlist:

American Idiot
Holiday
Know Your Enemy
Boulevard of Broken Dreams
One Eyed Bastard
Longview
Welcome to Paradise
Hitchin’ a Ride
Brain Stew
St. Jimmy
Dilemma
21 Guns
Minority
Basket Case
When I Come Around
Letterbomb
Wake Me Up When September Ends
Jesus of Suburbia
Bobby Sox
Good Riddance (Time of Your Life)

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