The Tracy G. Group – “Makkinagedoom” (2026)
Independente
#HeavyMetal #HardRock
Para fãs de: Black Sabbath, Dio, Queensrÿche
Texto por: Lucas David
Nota: 9,0
Depois de quase uma década longe dos holofotes sem lançar material inédito, o guitarrista Tracy G. está de volta com um projeto mais pessoal. Conhecido mundialmente por ter assumido as guitarras do Dio em sua fase mais pesada e experimental, ele participou dos discos Strange Highways (1993) e Angry Machines (1996). Tracy G. sempre carregou a fama de ser o responsável por trazer o Doom e o groove industrial para o universo de Ronnie James Dio.
Dessa vez, o guitarrista se une ao vocalista brasileiro Fabiano Negri e ao baixista Randy Oviedo para abraçar de vez o peso em Makkinagedoom, com lançamento marcado para 30 de outubro. Longe de qualquer tentativa de soar moderno ou pop, o disco é um manifesto de Metal cru, com riffs sujos e robustos. Além disso, traz uma atmosfera sombria e densa, marca registrada do músico.
A parceria com Fabiano Negri, vocalista com mais de 30 anos de experiência, também se destaca. A dupla trabalhou junta nas composições e alcançou um nível técnico e de qualidade altíssimo. Negri possui uma das vozes mais marcantes do Metal nacional, com timbres que remetem a grandes nomes como Dio, Tony Martin, Geoff Tate e Glenn Hughes, só para citar alguns.
Falando das músicas, a faixa-título abre o disco com um riff potente e uma bateria marcante, tocada pelo próprio guitarrista durante a gravação. Negri também mostra a que veio logo nos primeiros momentos em que canta. O andamento cheio de groove fica marcado na mente, e você não vai parar de bater cabeça em nenhum momento.
“Human Reptile” tem ainda mais groove e um riff de guitarra matador. A faixa segue por um caminho mais próximo do Hard Rock oitentista e aposta em ótimas linhas vocais de Negri. O baixo de Oviedo também merece destaque pelo peso e pela levada que mantém durante toda a execução. Assim, ele oferece uma base sólida para Tracy entregar um solo cheio de feeling e fritação.
“P.I.G.” tem um ritmo mais pesado e pulsante, além de um ótimo refrão. Negri se destaca ao alcançar notas extremamente altas, enquanto a bateria apresenta bumbos duplos que se encaixam perfeitamente na sonoridade. Tanto a faixa anterior quanto esta seriam ótimas adições a um show ao vivo. Afinal, ambas têm força suficiente, principalmente nos refrões, para fazer todos cantarem. Vale ressaltar também um dos melhores solos de Tracy, que faz de tudo para derreter sua face com uma guitarra rápida e cortante.
“Stagnation” é a primeira faixa com uma levada mais cadenciada, apostando no peso e nas melodias vocais. A menção ao Queensrÿche se mostra acertada, já que os vocais de Negri se assemelham muito aos de Todd La Torre em sua fase na banda. O cantor entrega emoção e força com a mesma intensidade. A melodia também aparece na guitarra de Tracy durante o solo, mostrando que o guitarrista vai além da velocidade desenfreada.
“Lycanthropy” se destaca por fugir do comum. A faixa começa com um violão dedilhado e um bongô, acompanhados por vocais mais soturnos e contidos. Logo depois, ganha peso com outro riff pesado e vocais agressivos, acertando o ouvinte em cheio. O solo também chama a atenção pelos sons mais dissonantes, sem abandonar a agressividade e a fritação. Essa alternância acontece mais algumas vezes e acaba marcando a música como uma experimentação que funciona.
“Cult Mentality” retoma o peso, com o baixo em destaque por meio de linhas pesadas e na cara. A bateria também apresenta ótimas viradas e batidas estrondosas, mostrando que a cozinha está bem afiada.
Próximo do fim, “The Idiot Thinker” traz de volta o som mais pesado e arrastado, com um clima sombrio, atmosférico e contagiante. A levada bem marcada, os ótimos riffs e as linhas vocais melódicas são lindos. Negri, que não precisaria provar mais nada a essa altura, entrega uma de suas melhores performances no disco. O solo é feito para ser ouvido e sentido, em um momento de fechar os olhos e apenas absorver cada nota desse trabalho incrível de Tracy.
Makkinagedoom não tenta reinventar a roda, e é exatamente por isso que funciona tão bem. Tracy G. entendeu que não precisava correr atrás de tendências modernas ou polir o som até perder a alma. Ao se unir a Fabiano Negri e Randy Oviedo, encontrou a formação ideal para entregar o disco mais coeso, honesto e pesado do The Tracy G. Group em anos.
É um trabalho que respeita o legado dos anos em que o guitarrista tocou com o lendário Dio. Ao mesmo tempo, Negri se prova um dos melhores vocalistas em atividade no Brasil, carregando cada refrão com uma autoridade impressionante.
Makkinagedoom é um lembrete de que o Metal feito com alma e verdade ainda tem muito a dizer. Se você sentiu falta da sonoridade mais arrastada e sombria do Dio dos anos 1990, ou procura um álbum para bater cabeça do início ao fim, esta é uma das melhores pedidas do ano.

