The Troops Of Doom – “A Mass To The Grotesque” (2024)
Alma Mater Records | Voice Music
#DeathMetal #ThrashMetal
Para fãs de: Sepultura, Attomica, Possessed, Slayer, Kreator, Sodom, Celtic Frost
Texto por Johnny Z.
Nota: 10
Eu sempre gostei de fazer comparações entre novos lançamentos e os trabalhos anteriores da mesma banda. Meu objetivo é mostrar — ou não — a evolução, a estagnação ou até mesmo o retrocesso de um grupo, sempre mantendo uma crítica construtiva. Embora a palavra “crítica” possa ter uma conotação negativa, isso está longe de ser o caso aqui.
Com este novo trabalho do The Troops Of Doom, vou traçar um paralelo não apenas com seus lançamentos anteriores, mas também com a evolução da carreira do Sepultura. Todos conhecem a história e a relação entre as duas bandas, então não preciso me aprofundar nisso, certo?
A Mass To The Grotesque é o segundo álbum completo do grupo, precedido por alguns EPs que serviram como um excelente material para comparação. Tudo o que foi lançado antes de A Mass… é excelente e sempre será, mas ainda carregava aquele sentimento de começo de jornada, algo semelhante ao que aconteceu com Bestial Devastation e Morbid Visions na trajetória do Sepultura, com uma abordagem mais crua e voltada ao Death Metal. Em A Mass…, temos uma evolução comparável ao salto observado em Schizophrenia e Beneath The Remains.
Vou explicar melhor: neste novo trabalho, tudo está mais técnico, empolgante, pesado e robusto. A produção, mixagem e masterização se encaixam perfeitamente nessa proposta de evolução. O som agora caminha mais pelo Thrash/Death Metal do que pelo Death Metal mais extremo apresentado anteriormente. Entenderam a comparação? Querem saber um dos responsáveis por isso? Jim Morris. Sim, ele mesmo, um dos nomes por trás do lendário Morrisound Studio, em Tampa, na Flórida, a verdadeira meca do metal extremo no final dos anos 80 e início dos anos 90. Jim pegou a produção de André Moraes e simplesmente a deixou impecável, algo que agradará 101% dos fãs daquele clássico som floridiano.
E isso não parece ter sido algo forçado ou calculado. A qualidade do The Troops Of Doom sempre foi inquestionável. Mais cedo ou mais tarde, eu sabia que eles chegariam a esse nível. E A Mass… superou, e muito, minhas expectativas. Eles acertaram um chute de fora da área bem no “ninho da coruja”, como diria o saudoso comentarista esportivo Sílvio Luiz. Foi um golaço daqueles que arrancam aplausos por vários minutos e fazem até o juiz parar o jogo! (risos)
Arrisco dizer que estamos diante do melhor álbum lançado em território nacional neste ano. E quem discordar tem todo o direito de estar errado. (risos)
Voltando à inevitável comparação com o Sepultura, o som do The Troops Of Doom jamais pode ser considerado uma cópia. Estamos falando de uma banda com identidade própria, que entrega exatamente aquilo que muitos gostariam que o Sepultura ainda fizesse. Temos a sorte de contar com as duas bandas, mesmo que o Sepultura esteja encerrando suas atividades (eu ainda duvido disso!). De qualquer forma, o Troops estará pronto para preencher qualquer lacuna que eventualmente surja.
Alex Kafer (vocal e baixo), Jairo Guedz (guitarra), Marcelo Vasco (guitarra) e Alexandre Oliveira podem bater no peito e afirmar, sem medo, que não vivem à sombra de ninguém. O quarteto produz música de primeira linha e não precisa provar mais nada. Os vocais de Kafer estão mais encorpados e sinistros, o baixo aparece de forma exuberante e cristalina, os riffs de Jairo e Marcelo soam mais proeminentes e cavalgados, enquanto Alexandre conduz a bateria como um verdadeiro trator. Tudo funciona de maneira impecável — e isso não é puxa-saquismo, beleza? (risos)
Se você aprecia aqueles riffs extremamente palhetados e baterias repletas de mudanças de andamento típicas de “Schizophrenia” e “Beneath The Remains”, encontrará aqui o puro suco do caos servido em doses cavalares, com fortes influências do Slayer em sua fase áurea.
“Psalm 7:8 – God Of Bizarre” é uma música que não sairá da sua playlist por muito tempo. Simplesmente genial, impactante e absurdamente pesada. Algumas passagens remetem vagamente a “Innerself”, especialmente nos riffs, como se a música tivesse sido gravada pelo Slayer.
Destacar outras faixas seria quase uma petulância da minha parte, porque estamos diante de mais uma verdadeira obra-prima do metal pesado nacional pronta para ganhar o mundo. A outra é o novo disco do Genocídio, mas essa já é outra história. Vá conferir a resenha dele na seção de lançamentos. (risos)
E eu já consigo ouvir os gritos ecoando nos shows: “Troops Of Doom! Troops Of Doom! Troops Of Doom!”
Esse filme vocês já viram. E sabem muito bem como ele se desnrola.

