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Theatre of Tragedy – “Remixed” (2019)

Theatre of Tragedy – “Remixed” (2019)
AFM Records
#IndustrialGothicMetal#ElectronicMusic

Para fãs de: LaibachThe kovenantSamael (atual)

Nota: 4,0

Voltando no tempo, temos uma banda de inegável importância, que lançou de forma consecutiva três grandes obras de incontestável valor para o Heavy Metal, falo sobre o norueguês Theatre Of Tragedy, seu primogênito álbum homônimo de 1995, foi um dos pioneiros a trazer os vocais femininos junto aos masculinos numa fórmula que ficou conhecida, e hoje saturada, como: “A bela e a Fera”. O seguinte, “Velvet Darkness They Fear” de 1996 trazia a classe e volúpia do Gothic Metal junto aos cenários soturnos e frios do Death Doom Metal; já o “Aégis” de 1998, é o retrato sonoro da banda em seu apogeu criativo – a produção cristalina e detalhista junto a atmosfera misteriosa e sensual do álbum marcaram época e uma legião de fãs, certamente uma das mais esplendorosas obras musicais já concebidas e também uma das mais influentes.

Por curiosidade, outras duas grandes bandas norueguesas lançaram suas obras definitivas nesse mesmo ano – The Sins Of Thy Beloved com o imaculado, “Lake Of Sorrow” e o Tristania que trazia a rainha Vibeke Stene na soturna e tétrica ópera, “Widow’s Weeds”.

Os anos 2000 trouxeram consigo mudanças significativas à identidade do Theatre Of Tragedy, a antiga odisseia ganhava agora parágrafos eletrônicos, industriais e experimentais, a drástica metamorfose apresentada em “Musique” foi acolhida por parte do público e sumariamente repudiada pelos mais céticos.
Os lançamentos seguintes seguiram a mesma fórmula, mergulhados ainda mais nos experimentos eletrônicos; “Assembly” de 2002 marca a saída/expulsão de Liv Kristine, “Storm” de 2006 e “Forever Is The World ” de 2009 encerram o período ativo e produtivo da banda, pelo menos referente a material inédito.

Compilações são um mau necessário, ainda que de forma ambígua, por vezes cumprem a missão de angariar novos fãs (e alguns trocados) e noutras servem apenas como ítem (mais um) dentro das coleções dos fãs mais ardorosos.

“Remixed”, titulo sugestivo e auto explicativo, reúne alguns “hits” da banda sob uma “nova” roupagem, nem tão nova assim, é verdade, visto o caminho que a banda já vinha trilhando. Sem rodeios e indo direto ao ponto, esse definitivamente não é um lançamento que tem o público Metal como alvo, sendo mais um “bate estaca” pra pseudo gótico frequentador de raves e festas do gênero (nada contra quem gosta, que fique claro), servindo também como baluarte de exibicionista eclético de rede social, como aquele “tiozinho legal” que vive por narrar suas aventuras no Rock In Rio edição em Jerusalém no século IV.

Confesso que durante a audição foram poucas às vezes em que senti algo próximo a satisfação e empatia, especificamente em “Reverie”, “Deadland” e “Frozen”, já que as mesmas remetem a fase controversa (e boa, ao menos para mim), do Paradise Lost (leia-se “Host”). Todo o resto é repetitivo, enfadonho e sumariamente, chato, pelo menos para mim, fã da época de ouro da banda (leia-se, os três primeiros álbuns).

Pode agradar ecléticos, seres noturnos, ouvintes da Jovem Pan e alucinados no ácido que às quatro da manhã tomam Heineken quente chamando DJ de músico e Aloki de Deus.

PS: O que fizeram com “And When He Falleth”, “Black As The Devil Painteth” e “Lorelei”, deveria ser configurado como crime.

Fábio Miloch

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