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Threshold – “Legends of The Shires” (2017)

Threshold “Legends of The Shires” (2017)
Nuclear Blast
#ProgressiveMetal#ProgressiveRock

Nota: 10

Perto de completar 30 anos de uma carreira repleta de ótimos lançamentos, o Threshold entrega agora em setembro seu décimo primeiro álbum completo de estúdio.

O disco vem com duas novidades importantes. A primeira é a troca de vocalista. Damian Wilson, vocalista da banda pela maior parte de sua história, foi substituído pelo igualmente competente Glynn Morgan, que já havia integrado a banda no meio dos anos 90. A segunda é o fato de ser um disco duplo, com 14 músicas e mais de 80 minutos. O disco é conceitual e, segundo a banda, conta a história de uma nação que tenta encontrar o seu próprio lugar no mundo – ou a de uma pessoa em busca da mesma coisa.

A banda vem tratando esse lançamento como um recomeço, o início de um novo capítulo em sua trajetória, apesar de estar em ótima fase com “March Of Progress” (2012) e “For The Journey” (2014), que rendeu até um ao vivo. E não dá pra discordar. Os elementos básicos de seu som (lindas melodias, refrões épicos, corais de voz, forte utilização dos teclados e elementos eletrônicos, etc..) estão presentes. Mas a banda vai além. Aqui há mais peso nas guitarras, mais intensidade, mais arrojo e, fundamentalmente, mais “progressividade” do que nunca.

A forte energia presente no disco começa a se mostrar logo em “Small Dark Lines”. Uma música de abertura vigorosa e com um riff principal bem “metalzão”, além de um refrão extremamente melodioso e marcante. Outra faixa que merece destaque é “Trust The Process”, que vai de passagens fluídas e puramente setentistas (e devo dizer que o Threshold volte e meia me remete ao Yes), a outras com a força típica do Prog Metal do século 21. O mesmo ocorre em “The Man Who Saw Through Time” e seus quase 12 minutos.

Mesmo em músicas de levada mais cadenciada, como “On The Edge”, a banda acha espaço pra encaixar passagens com tempos quebrados e riffs pesados. “Snowblind” e “Superior Machine”, por exemplo, são pesadas e diretas de uma forma não usual no som da banda. As baladas propriamente ditas, como “The Shire” (partes I, II e III), mantém o alto padrão de qualidade, com harmonias construídas cuidadosamente e linhas melódicas belíssimas.

Uma obra absolutamente cheia de energia, ambiciosa e grandiosa, épica, cativante e revigorante. Falo sem medo de errar que já é o meu preferido dentre os muitos bons trabalhos do Threshold. Também sem medo de errar, já achei espaço pra esse disco na minha lista de melhores do ano. Se é um recomeço, os britânicos recomeçaram com dois pés direitos. Lançamento ABSOLUTAMENTE OBRIGATÓRIO pra quem curte Metal Progressivo!

Luiz Gustavo Santos

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