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Thy Catafalque – Jai Club, São Paulo/SP (01/05/2026)

Thy Catafalque – Jai Club, São Paulo/SP (01/05/2026)

Produção: Xaninho Discos
Texto e fotos por Rodrigo Faustino

O que seria mais icônico em um primeiro de maio? O feriado do Dia do Trabalho? Os 32 anos do fatídico acidente que tirou a vida de Ayrton Senna? Ou, ainda, a estreia em palcos brasileiros de uma banda húngara que está na estrada desde 1998? Sou fã de todos: do feriado, do Senna e, principalmente, do grupo de que lhes falo.

Cheguei ao Jai Club por volta das 19h15 e, logo de cara, me deparei com a casa relativamente cheia. O diferencial do local são os bares adjacentes ao salão, com destaque para a promoção de dois espetinhos por R$ 17,00 (o X-Burguer saía pelo mesmo preço). Sendo adepto fervoroso de energético, confesso que fiquei um pouco decepcionado ao encontrar apenas Red Bull; ainda assim, acabei optando por uma Coca-Cola Zero. Na TV do bar, passava o icônico show de Ozzy Osbourne na Filadélfia (1989). Ver a performance de Ozzy, Zakk Wylde, Geezer Butler e Randy Castillo foi, sem dúvida, um lembrete do que é o rock de verdade.

Voltando aos nossos amigos magiares, entrei no salão às 19h50. Em seguida, fiz o credenciamento, montei meu equipamento e aguardei o início do show, previsto para as 20h. O grande desafio que imaginei foi: como o pequeno palco do Jai Club comportaria os oito membros da banda? O time é composto por Tamás Kátai (fundador e baixista), as vocalistas Ivett Dudás e Martina Horváth, os vocalistas Bálint Bokodi e Gábor Dudás, os guitarristas Zoltán Vigh e Krisztián Varga e o baterista Árpád Szenti. Poucas bandas de metal possuem tantos integrantes; portanto, trata-se de uma proposta ousada, que se mostrou dinâmica e original, condizente com o estilo Avant-Garde Metal do grupo.

Rigorosamente às 20h, a banda subiu ao palco. O que mais chamou a atenção foi a faixa etária: um público maduro, majoritariamente acima dos 35 anos. “Maturidade”, aliás, é a palavra certa para definir a apresentação. Além disso, outro ponto relevante foi o calor considerável. Assim como testemunhei no show dos georgianos do Psychonaut 4 em fevereiro, os músicos sofreram com a temperatura, especialmente o líder Tamás Kátai.

O show foi impecável e técnico do início ao fim. O instrumental foi executado com maestria e, ao mesmo tempo, os dois duos de vocais se complementavam perfeitamente. As músicas mais cadenciadas e dançantes, com forte influência do folclore húngaro, ficavam a cargo das mulheres, que realizavam movimentos envolventes (lembrando, por instantes, o Orphaned Land). O único porém, contudo, foi o espaço limitado do palco, que restringia maiores performances. Já o duo masculino assumia as passagens de Black e Death Metal, mas, ainda assim, com muitos vocais limpos e pitadas de metal progressivo, com destaque para a frenética “Köd Utánam”.

A dinâmica alternada entre os vocais tornou o show fluido, criando cenários que pareciam atos de uma peça. Além disso, o fato de todas as letras serem em húngaro torna o reconhecimento internacional da banda ainda mais impressionante. Por volta das 21h20, tocaram a última do set regular, uma bela balada cantada por todos juntos. No bis, por sua vez, atenderam aos pedidos da plateia com a pesada “Móló”, desta vez apenas com os vocais masculinos.

Não é todo dia que vemos uma banda de nicho tão peculiar por aqui. Dessa forma, a satisfação estava estampada no rosto de todos. Foi uma noite leve e intensa ao mesmo tempo — em outras palavras, uma maneira honrosa de encerrar uma sexta-feira de feriado. A turnê continua hoje, dia 02/05, no CDM Metal Festival, em Minas Gerais.

Um agradecimento especial ao Xaninho Discos por tornar isso possível.

Setlist:

Szíriusz
Néma vermek
Trilobita
Napút
Szarvas
Mezolit
Embersólyom (Kaláka cover)
Köd utánam
Csillagkohó
Töltés
Kel keleti szél
Vasgyár
Ködkirály
Szélvész
Jura
Aláhullás
A gyönyörű álmok ezután jönnek
Móló (Encore)

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