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Tiamat – “Wildhoney: 25th Anniversary Edition” (2019)

Tiamat “Wildhoney: 25th Anniversary Edition” (2019)
Cold Art Industry Records 2.0
#AlternativeRock#GothRock#DoomMetal#ProgressiveRock

Para fãs de: Lacuna CoilMoonspellRotting Christ

Nota: 10

Segundo o Enûma Eliš, o mito de criação babilônico, Tiamat é a deusa primordial, a mãe de todos, a senhora do oceano. Representa a beleza e a criação, mas também o caos e a ameaça. É também o dragão de cinco cabeças do desenho Caverna do Dragão. Último na ordem, mas não o menos importante, Tiamat é o nome de uma das bandas pioneiras do metal sueco, responsável por um dos álbuns mais marcantes, diversificados e ousados da história do metal.

Lançado originalmente em 1º de setembro de 1994, “Wildhoney” foi um dos muitos exemplos datados desse ano de que a Escandinávia não estava de brincadeira: meses antes, os noruegueses do Emperor haviam lançado “In the Nightside Eclipse”, e o Darkthrone, também da Noruega, “Transilvanian Hunger”, e “Tales from the Thousand Lakes”, segundo álbum dos finlandeses do Amorphis e considerado por muitos como o melhor da banda. Mais que isso, o quarto disco do Tiamat mostrou que o vocalista e guitarrista Johan Edlund — à época acompanhado pelo baixista Johnny Hagel e com Waldemar Sorychta desempenhando mais do que o papel de produtor — era capaz de ir muito além da temática mórbida e da sonoridade restrita aos clichês do Black e do Death Metal.

Sendo assim, Edlund, que vinha ouvindo muito Pink Floyd na época, resolveu incorporar elementos psicodélicos e atmosféricos à receita, dando origem ao que a Metal Hammer chama de dark metal, mas que ouvidos mais leigos entenderão como um improvável meio-termo entre o gótico suave de “Whatever That Hurts” e o progressivo menos virtuose e mais World Music — notavelmente nas instrumentais “25th Floor”, “Kaleidoscope” e “Planets” —, com pinceladas até de Folk Music, na acústica “Do You Dream of Me?”.

No que diz respeito às letras, tem-se desde o diabo falando em primeira pessoa (“Visionaire”) até um manifesto em apoio a uma eventual sede de vingança da Terra com um quê de visão de fim do mundo (“Gaia”). Já na extensa “A Pocket Size Sun”, que encerra o disco, o assunto é pura e simplesmente o LSD. A estrofe a seguir não possibilita quaisquer dúvidas: “A menina me ofereceu um sol que cabe no bolso / Eu reparei em seu sorriso inocente / Ela disse: ‘Se você quer se divertir / Isto levará você para o céu por um tempo”. Vale dizer que todas as texturas aplicadas ao panorama desse épico visam à ambientação da viagem lisérgica habilmente descrita na letra.

Para comemorar os 25 anos de lançamento de “Wildhoney”, a Cold Art Industry desenvolveu uma edição comemorativa limitada exclusiva para o mercado brasileiro, que, além de vir com slipcase com acabamento em hot-stamping prateado — em clara alusão ao jubileu de prata do disco —, traz como bônus as faixas do EP “Gaia”, também de 1994, cujos destaques são o cover da instrumental “When You’re In”, do Pink Floyd, e o remix industrial/eletrônico de “The Ar”. Adquira já a sua peça — antes que esgote — e ateste você também a beleza atemporal desse clássico. E, de quebra, descubra a fonte onde Lacuna Coil, Moonspell, Rotting Christ e muitos outros noventistas beberam antes de lançar alguns de seus melhores trabalhos.

Marcelo Vieira

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