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Tomb Of Love – “Nekropolis” (2021)

Tomb Of Love“Nekropolis” (2021)
Eclipsys Lunarys Productions
#GothicRock #PostPunk #DeathRock

Para fãs de: The Sisters Of Mercy, Fields Of The Nephilim

Nota: 9,0

Tomb Of Love é um projeto que presta tributo aos anos 80, mas não às gloriosas telas do Heavy Metal clássico ou a sua fragmentação em vertentes extremas —, e sim, ao Gothic Rock e Post-Punk — na forma como foram concebidos e não na deturpação que os desfigurou nas décadas seguintes. Sabendo disso, não espere por experimentações ou releituras e nem por vocais femininos líricos a suspirar para uma lua etérea. Tampouco espere por antagônicas dramatizações masculinas embargadas em vinho e em melancolia de quem acabou de ler Baudelaire ou Augusto Dos Anjos — a poesia, aqui, existe, mas é crua, viva e que faz sangrar’. Também não espere por opulências sinfônicas. Aqui, a gênese é a protagonista, o processo merece elogios e o resultado é literalmente hipnótico.

O projeto é formado por dois músicos conhecidos e respeitadíssimos no Underground Nacional — especificamente, por suas abordagens musicais extremas e multifacetadas. Thiago Satyr (Absent,  Witching Altar, ex-Beast Conjurator) e Luan Lima (Absent, Kurgan, Burial Temple, Subterror). Satyr, no projeto, cuida dos vocais, programações e sintetizadores; Luan, no que lhe concerne, se divide entre as guitarras, baixo, teclados e também sintetizadores. Lembrando que “Nekropolis” é o segundo ep do duo, que debutou em 2019 com o ep (também excelente) “A Permanent Reminder Of Our Failure”.

“Nekropolis” porta 5 composições tão bem escritas quanto bem arranjadas e produzidas, todas elas com diversas texturas, camadas sonoras e características únicas. O maior acerto quando em conjunto, é a pseudo simplicidade que elas transmitem, e embora, não sejam nada ostensivas ou complexas, elas possuem muitos detalhes e entrelinhas que as tornam ainda mais belas e singulares (ainda que sejam de uma beleza triste, pálida e de poucos sonetos).

“Darker Days Ahead” ambienta o ep com teclados, sintetizadores e o sampler de um diálogo da série “True Detective” (HBO), especificamente entre os personagens Rust Cohle (Matthew McConaughey) e Martin Hart (Woody Harrelson). “Pollice Verso” exibe dinamismo e boas bases de guitarra; as linhas de bateria, ainda que programadas, soam naturais e fluidas. “Through Endless Gloom” é mais tétrica e carregada — sombria como pedem os estilos praticados pelo duo. Seria o destaque maior, não fosse o ep fechado  com uma peça de relicário chamada “The Coffin City”. A faixa seguinte é “Tombs Of Love” com guitarras e teclados incríveis, vocais sensacionais e nostalgia sendo disseminada por todos os seus pouco mais de 5 minutos. Eu realmente odeio músicas com (fade in/fade out), mas o Tomb Of Love me proporcionou uma noite tão singularmente mágica que perdoarei tal artificio e que me perdoem pelas bobagens escritas (risos). “The Coffin City” é algo para além dos sentidos como os concebemos. Que música! Que letra! Que arranjos e harmonias! Possui pouco mais de 7 minutos, mas eu realmente não me importaria se tivesse 20 ou 30, a emoção seria a mesma e com certeza o repeat seria pressionado continuamente.

Não ousarei recomendar apenas este ep, pois, tomo os dois por obrigatórios e que a banda continue produzindo com a mesma paixão e intensidade. É justamente disso que a boa música se nutre, de emoção e sinceridade (e das verdades tão bem expostas aqui, tanto nas letras quanto no texto que acompanha o ep). Um excelente ep e um resgate mais que válido de sonoridades sempre fascinantes e atuais.

Fábio Miloch

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