Tool – “Fear Inoculum” (2019)
RCA Records
#AlternativeMetal, #ProgressiveRock, #ArtRock
Para fãs de: King Crimson, Alice in Chains Deftones
Nota: 10
Conheci o Tool em 94. Nessa época estava entediado com a onda grunge e, de certa forma, de saco cheio do Metal dos anos 80: o álbum preto do Metallica já tinha dado no saco; o exagero dos “Use Your Ilusions”; as bandas Glam de Los Angeles dragadas pelos seus próprios excessos.
Foi bem nessa época que comecei a olhar para os lados e passei a flertar com Janis Addiction, Ministry, Nine Inch Nails, Soup Dragons, Primal Scream e o Tool – cujo clipe para “Prison Song” me fisgou de imediato – na época em que a MTV era ainda um canal sério de música.
O Tool sempre teve algo de inclassificável em seu estilo, aquele toque genial que logo torna a banda singular – para o bem (inovações aos montes) e para o mal (pretensiosos, na visão de alguns). De todo modo, sempre preferi bandas do tipo “falem bem ou falem mal…” do que as que não se arriscam e sempre entregam o mesmo arroz com feijão para o público.
Não vou nem entrar no mérito sobre a “demora” no lançamento deste novo álbum dos caras: primeiro porque isso é pilha da imprensa comercial, que vive de lançamentos para vender revistas e, ao que tudo indica, o Tool não tem rabo preso com esse povo; em segundo lugar, o compromisso da banda sempre foi com a arte, nunca foram grupo de Walmart, esquema álbum-tour-rehab-album-tour, então, tudo a seu tempo.
Chegando, enfim, nas músicas, não espere novidades aqui: sim, é o Tool de sempre, te surpreendendo e se reinventando a cada faixa, a cada mudança estranha de andamento, como se não houvesse barreiras entre métrica musical, gêneros e instrumentos – chame isso de alt metal, avant-garde metal, art rock ou do que quiser!
O CD abre com a faixa-titulo, com uma levada percussiva destacada, logo prenunciando que a preocupação com os instrumentos de percussão será uma tônica ao longo da audição do longo álbum que se segue (10 músicas, sendo que 6 delas ultrapassam a barreira dos 10 minutos, 3 são vinhetas e 1 é instrumental, mais curta). Alíás, o arregaço percussivo definitivo fica por conta da faixa instrumental “Chocolate Chip Trip”, que começa com experimentações eletrônicas à Kreftwerk e termina com um solo de bateria estonteante.
Com “Pneuma” estamos, enfim, dentro do mundo de Tool, com direito a destaque para as notas que ecoam do baixo e as intervenções de guitarras timbradas naquela tradição progressiva, tipica de David Gilmour, King Crimson, etc., desembocando em bases poderosamente pesadas e vocais classudos de Maynard James Keenan e mais arregaço de bateria. Já em “Culling Voices” os acordes de guitarra dão um peso bem na linha Black Sabbath para o andamento central da música, enquanto Maynard canta letras enlouquecidas de alguém preso em sua própria mente.
Para encerrar, “7empest”, e Adam Jones continua dando as cartas, com o baixo poderoso de Justin Chacellor sempre em evidência e a bateria de Danny Carey buscando notas e conduções diversificadas para tirar o andamento da música do lugar comum (vale um estudo das variações de tempo, para quem entende melhor do assunto), enquanto Maynard vai encontrando espaço para encaixar as letras com impecável senso de oportunidade. Sem dúvidas, uma banda em sua melhor forma mostrando a que veio depois de longo hiato!
Eis que, quando achei que Devin Townsend, Rammstein, Mercic entre outros já haviam dificultado o topo de minha lista de melhores do ano, vem o Tool e atrapalha a porra toda! Imperdível, pra quem gosta.
Wallace Magri
