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Torch – “Reignited” (2020)

Torch – “Reignited” (2020)
Flying Dolphin Entertainment Group | Hellion Records Brazil
#HeavyMetal

Para fãs de: AcceptIron AngelPicture

Nota: 9,0

“Reignited, and it feels so good…” Se você entendeu a piadoca, parabéns, mas saiba de antemão que o novo disco de inéditas do Torch não tem nada de Peaches & Herb. Aqui, Dan Dark (vocais), Ian Greg (baixo), Steve Streaker (bateria) e os guitarristas Håkky e Chris J. First retomam de onde haviam parado nos anos 80 (voltando de maneira intermitente nas décadas posteriores) ainda fazendo jus ao lema “mais rápido, mais pesado e mais alto!” que adotaram para si desde a formação da banda no longínquo ano de 1981, na pequena Eskilstuna, Suécia: heavy metal ao estilo churrasco de motoclube, daqueles que fecham a rua num sábado à tarde com direito a campeonato de sinuca e porco no rolete.

À indumentária clichê de roupas de couro, barbas e tatuagens, um som relativamente primário, mas indiscutivelmente empolgante. Mas de modo algum o caráter simplório da maioria das músicas depõe contra a competência de cada integrante – não é porque uma música não é repleta de firulas e solos de dar nós nos dedos que o responsável por ela é menos músico que aquele que emprega N técnicas e é capaz de tocar mil notas por segundo. Aliás, isso é ponto positivo para o conjunto: na falta de um destaque individual, todos se destacam. Tô certo ou tô errado?

Só que não é só uma ferocidade potra e indiscriminada que se ouve em “Reignited”. Ok que a abertura com “Knuckle Duster” parece dar o tom de um rolo compressor, posteriormente retomado com “Feed the Flame” e passagens aqui e ali que se confundem com salvas flamejantes, mas a cadência de números como “Collateral Damage” – um mid-tempo nos moldes de alguns clássicos do Accept, repare nos backing vocals – e “Intruder” reforça a tese de que palhetadas rápidas não são ingrediente fundamental para um metal “do mal”, por assim dizer.

Agora, as surpresas mesmo ficam por conta da dobradinha que extrapola os cinco minutos de duração: “In the Dead of Night” (5:26) traz guitarra limpa nos versos, letra aterrorizante a la roteiro de filme e um refrão que empolga, não tem jeito; já a derradeira “To the Devil His Due” (7:22), com seus versos “there’s nowhere to hide, there’s nowhere to run, the countdown has just begun”, veste como luva ao mundo em megacrise provocada pela pandemia do novo coronavírus. E há quem diga que metal é coisa de alienado… Discaço!

Marcelo Vieira

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