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Torch – “Torch” (1983/2019) (Relançamento)

Torch – “Torch” (1983/2019) (Relançamento)
Hellion Records Brazil
#HeavyMetal

Para fãs de: Black SabbathJudas PriestIron Maiden

Nota: 7,0

Seguindo firme na missão de apresentar nomes obscuros do metal de trinta anos atrás ao público brasileiro, a Hellion Records Brazil aposta, agora, no sueco Torch. A história da banda teve início em meados dos anos 1970, quando os guitarristas Chris J. First e Claus Wildt e o batera Steve Streaker fundaram o Black Widow. O trio, que cresceu ao som de nomes como Black Sabbath, Deep Purple e Judas Priest, logo incorporaria o baixista Ian Greg. O anãozinho Dan Dark assumiria os vocais somente em 1981, completando a formação clássica do Torch, responsável por este autointitulado debute — que só é autointitulado porque a gravadora na época esqueceu-se de incluir o título “Sinister Eyes” na capa.

Musicalmente, o quinteto não apenas não nega as influências, como também, digamos, pega emprestado alguns elementos de eficácia previamente comprovada: “Beauty and the Beast” é Iron Maiden puro enquanto “Watcher of the Night” possui a mesma levada de bateria de “Exciter” do Judas. Por outro lado, “Rage Age” é Anthrax muito antes de “Madhouse” ser escrita. No quesito vocal, a rouquidão tabagista de Dark se transfigura num castrato quase carnavalesco na curtinha “Hatchet Man”. O registro varia também em “Sweet Desire”, que com uma letra que não faria feio no repertório do RATT, é o ponto fora da curva temática ditada por títulos Conan, o Bárbaro como “Warlock” e “Gladiator”.

Vale mencionar que, por mais datada que soe hoje em dia, a produção privilegia vozes e instrumentos em pé de igualdade, coisa rara de se ouvir em se tratando da quarta divisão do heavy metal. Uma pena que a qualidade não tenha reflexo na capa, horrorosa, digna dos piores ilustradores da história do jogo Magic: The Gathering.

Para finalizar, a presente edição conta com nada menos que oito faixas bônus, oriundas dos EPs “Fire Raiser !!” (1982) e do promocional sem nome de dois anos depois, que soa mais como uma demo do que qualquer outra coisa. Material interessante de se ouvir a título de comparação e também pela presença de uma balada, “Pain”: prova de que sob o invólucro do metaleiro malvadão, muitas vezes existe um cara sensível, que ouve REO Speedwagon e chora no banho.

Marcelo Vieira

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