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Torches of Nero – “Martyr of Disbelief: The Exposure” (2026)

Torches of Nero – “Martyr of Disbelief: The Exposure” (2026)

Hammer of Damnation | Black Metal Store
#BlackMetal #RawBlackMetal

Para fãs de: Mayhem, Sarcófago, Mystifier, Venom, Holocausto

Texto por Lucas David

Nota: 8,0

Ao falarmos de Black Metal, uma das primeiras coisas que vêm à mente é um som extremo e cru. Nos anos 90, bandas como Mayhem, Darkthrone e Gorgoroth, por exemplo, buscaram moldar sua identidade se afastando do metal mais produzido da época, representado por bandas de Death Metal da Flórida, e se aproximaram de uma estética lo-fi, com forte apelo ao satanismo e às críticas às religiões.

Essa abordagem ajudou a gerar toda uma segunda onda de bandas que continuam inspirando muitos até os dias de hoje. Bebendo diretamente dessa fonte, o Torches of Nero apresenta Martyr of Disbelief: The Exposure, seu primeiro álbum de estúdio e um verdadeiro testamento de sua mensagem profana, altamente distorcida e feita para incomodar.

Trazendo uma sonoridade crua e visceral, a banda conseguiu reunir, em 10 faixas, um som caótico, valorizando uma atmosfera sombria e suja que encontramos em discos como Live in Leipzig (1993), Transilvanian Hunger (1994) e I.N.R.I. (1987). Começando pela parte gráfica, o material físico reúne artes carregadas de blasfêmias, com cada música sendo retratada em um desenho. A proposta pode ser comparada a uma Via Crucis, mas apresentada de maneira profana e criada para ser desconfortável aos olhos mais sensíveis.

Outro ponto são as homenagens presentes em alguns desses desenhos, que fazem referência a bandas como Sarcófago, Sepultura e Celtic Frost. Liricamente, a banda foge do ataque mais comum utilizado por muitos artistas do gênero, optando por tratar a religião como uma forma de controle mental e criticando suas regras e mecanismos de submissão.

Falando sobre as músicas, o disco abre com “HVHY – ISRC”, entregando riffs cortantes e blast beats brutais, enquanto os vocais maníacos cospem um veneno tão nocivo que parece penetrar na pele logo na primeira audição. “Blessed Be The Lepers That Yeshua Didn’t Cure” mantém a pegada mais rápida e visceral, porém alterna com momentos mais cadenciados. A faixa conta ainda com um riff principal hipnotizador e de tom ritualístico.

“The Exposure” deixa a instrumentação de lado e traz apenas o vocalista vociferando palavras brutais que deixariam qualquer religioso horrorizado. A faixa funciona como um respiro dentro do álbum, mesmo mantendo a agressividade lírica e conceitual do disco. “Yeshuaitan – Messiahrlatan” retoma a brutalidade com mais uma avalanche de riffs e blast beats, formando uma atmosfera sufocante.

“Rotting Corpse Of Christ (And The Whore Impaled)” começa apenas com baixo e bateria, criando uma base sólida para alguns dos melhores riffs de guitarra do disco. Aqui, a banda aposta novamente na alternância entre momentos mais rápidos e passagens cadenciadas, conseguindo entregar uma das melhores faixas do álbum.

Martyr of Disbelief: The Exposure não é um trabalho feito para todos. Mesmo para quem está acostumado com o gênero, serão necessárias algumas audições para absorver tudo o que o Torches of Nero buscou apresentar e se acostumar com sua sonoridade mais crua. As faixas são sufocantes e caóticas, mas também conseguem homenagear alguns dos grandes nomes do metal extremo.

A produção lo-fi pode acabar afastando algumas pessoas, algo que, de certa forma, tira um pouco do poder que o álbum realmente poderia ter. Ainda assim, trata-se de um disco carregado de raiva, força e atitude, que merece ser apreciado por quem busca uma experiência extrema e sem concessões.

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