Torture Squad + Living Metal – “Living For Torture” (Split) (2019)
Music Media Metal
#DeathMetal, #ThrashMetal, #HeavyMetal
Para fãs de: Coroner, Sadus, Nervochaos, Judas Priest, Running Wild, Accept
Nota: 9,5
Quando foi anunciado essa união entre Torture Squad e Living Metal fiquei bastante curioso, afinal, são bandas de estilos e épocas diferentes, então o que seria tramado para esse Split? Quão atrativo poderia ser?
A resposta ao ouvir o trabalho é mais do que satisfatória, com os dois grupos em ótimos momentos, seja o veterano Torture Squad que a cada dia deixa com sua formação mais recente o nome marcado na história do metal brasileiro ou o Living Metal, que resgata um pouco daquela veia mais tradicional, mais clássica do Heavy Metal.
Cada grupo colocou no trabalho 5 faixas de sua autoria. A grande sacada do “Esquadrão da Tortura” foi dar ao ouvinte algo mais intimista e mais uma vez a escolha foi algo, digamos, mais caseiro, algo que já vem acontecendo em suas mídias digitais, mas que dessa vez foi colocado de forma oficial e física, aqui no caso com músicas gravadas nos estúdios Zstudios e na Bay Area Sessions
O legal de termos esse tipo de material mais “in loco”, é que dá um certo tom de show, e você acaba sentindo a energia presente e quando menos se espera, você acaba se pegando batendo de cabeça. O destaque aqui fica para as faixas “Blood Sacrifice”, “A Soul In Hell” e “Inner Strenght”, que demonstram o total entrosamento e qualidade de todos os integrantes, afinal, Torture Squad é sinônimo de peso, brutalidade, porém com muita técnica, mostrando que nunca será apenas “barulho”.
“Where Satan is Falling…” que abre a participação do Living Meta,l traz a participação da Mayara do Torture Squad, que aqui deixa de lado seu estilo mais gutural e se arrisca com linhas mais rasgadas, mostrando um bom casamento com a voz de Pedro Zupo. Sabe aquele tipo de música que jamais deve ser esquecida?
Pois bem, os caras fazem isso, do começo ao fim, trazendo riffs cortantes e certeiros, com um instrumental completo daqueles que você acaba sentindo a música batendo no peito, aquela vontade de ir marcando os compassos e sempre com o punho erguido, fora as letras grudentas com refrões fáceis. Você escuta e sai cantarolando por aí, ou melhor, sai espalhando palavra do puro aço por aí, afinal, é isso que o mais temos de prazeroso no som dessa grata surpresa do cenário metálico.
Algo que sempre me chamou atenção quando comecei a ouvir Heavy Metal, foram as guitarras cheias de harmonias, ou como conhecemos, guitarras gêmeas, aqueles solos que podemos ficar cantando. Nas 5 músicas escolhidas pelo Living Metal, temos uma releitura da cartilha escrita pelos mestres na final dos anos 70 e começo dos anos dourados, os anos 80. Por aqui, tudo foi seguido à risca, por muitas vezes acho isso um erro, mas mostra que as vezes o que importa é exatamente resgatar o que está perdido, ou melhor dizendo, as origens nunca devem ser esquecidas.
Aqui uma faixa em especial me traz uma boa dose de nostalgia, algo que traz o clímax Iron Maiden em algumas partes da linha instrumental, falo de “Hail The True Metal (Will NeverDie!)”, que acaba remetendo aos anos dourados de “Piece Of Mind” e “Powerslave”.
Ao final, essa “brincadeira” se torna obrigatória em qualquer coleção de respeito.
William Ribas
