Tosco – “Conectados Até o (Nosso) Fim” (2026)
Independente
#ThrashMetal #Hardcore #Crossover
Para fãs de: Slayer, Hatebreed, Ratos de Porão, Korzus
Texto por: Lucas David
Nota:10
Chegando ao seu quarto disco de estúdio e se consolidando como um dos nomes mais raivosos do Thrash Metal/Hardcore nacional, o Tosco retorna ainda mais agressivo e certeiro em Conectados Até o (Nosso) Fim. O quarteto formado por Osvaldo Fernandez (vocal), Ricardo Lima (guitarra), Carlos Diaz (baixo) e com o retorno do baterista Paulo Mariz, ainda mantém a veia crítica e sem rodeios intacta, mas agora mirando em um dos maiores paradoxos da atualidade.
Depois do mais agressivo e técnico Agora é a Sua Vez (2023), a banda mergulhou de cabeça na temática da hiper conexão, focando em como cada pessoa está cada vez mais exposta nas redes, a cultura do cancelamento, a polarização política e como essas conexões talvez nem mesmo a morte pode encerrar. Ou seja, são pontos que estão em nosso dia a dia e a banda conseguiu expor de forma clara e brutal, entrando em nossa mente e trazendo luz para momentos tão sombrios como os que vivemos.
Musicalmente, o DNA que definiu a identidade da banda segue preservado. O peso do Thrash Metal de bandas como Slayer e Exodus encontra a atitude Hardcore, criando uma sonoridade agressiva, rápida e sem misericórdia. Produzido, mixado e masterizado por Ivan Pellicciotti no O Beco Estúdio, em Curitiba, o disco tem a sujeira na medida certa, não deixando nada limpo demais e parecendo sem alma, com cada instrumento tendo seu merecido destaque. A arte feita por Jean Michel (Metal Church, Queensrÿche) também acerta em cheio ao reproduzir o clima sombrio que o conceito pede.
“Casco Duro”
“Casco Duro” abre o disco com um ataque furioso da bateria e riffs pesados. Os vocais de Fernandez surgem cuspindo palavras agressivas e venenosas, aumentando ainda mais a atmosfera de brutalidade da faixa. É o tipo de música perfeita para abrir um disco e que certamente fará sucesso quando tocada ao vivo, com sua energia pulsante e rápida, e será responsável por grandes mosh pits.
“Me Cancela”
“Me Cancela” vem em seguida com um ritmo mais voltado para o Hardcore e com two step viciante. Os riffs de Lima conduzem a faixa com precisão e brutalidade, misturando sujeira e força de forma única e criam uma parede sonora gigantesca com uma letra tão atual e real que ficaria difícil ignorar cada palavra dita aqui.
“Tem que Manter o Pobre, Pobre”
“Tem Que Manter o Pobre, Pobre” é mais rápida e com excelentes viradas de Fernandez. O ritmo Thrash Metal é sufocante e não dá um segundo de trégua, sendo uma das mais agressivas do disco. Certamente, mais uma que irá figurar nos shows.
“Insanidade Reborn”
“Insanidade Reborn” tem um início mais cadenciado, com algumas mudanças de andamento aparecendo em diversos momentos e apresentando um riff de guitarra extremamente pesado. O solo de Lima é fritador e feito para deixá-lo no chão, tamanha a fúria disparada com as seis cordas.
A letra merece um destaque já que fala de uma das piores “tendências” que surgiram recentemente. Ela critica sem papas na língua e de uma forma que muitos de nós gostaríamos de falar.
“Não De Munição ao Inimigo”
As próximas faixas apostam em grooves nervosos e marcantes, com a cozinha cada vez mais afiada. Mariz conduz tudo com maestria, com batidas pesadas e viradas brutais, como visto em “Não De Munição ao Inimigo”, que mesmo com um ritmo mais cadenciado ainda aposta em um peso absurdo de cada um dos integrantes.
“Conectados Até o (Nosso) Fim”
A faixa-título vai direto ao ponto com riffs sujos e um baixo extremamente pesado e pulsante de Diaz. O ritmo cadenciado é feito para bater cabeça e não têm misericórdia dos mais sensíveis, com cada nota e palavra sendo disparada para acertar como um soco no estômago. Além disso, os vocais de Fernandez transmitem autoridade e revolta na medida exata, pronto para comandar a todos no caos.
“A Lesson in Violence”
O disco fecha com o cover de “A Lesson in Violence”, do Exodus, funcionando como uma homenagem a uma das maiores bandas do Thrash Metal mundial, com o Tosco imprimindo sua marca enquanto destrói tudo à sua frente. É uma forma perfeita de encerrar um trabalho tão brutal como esse, sem deixar nenhuma dúvida da mensagem e da forma com que o Tosco deseja que sua música seja passada: com sangue, violência e sem piedade.
No fim, Conectados Até o (Nosso) Fim é o trabalho mais maduro e coeso do Tosco até aqui. As letras atravessam temas pertinentes e que todos deveriam ouvir e refletir. Esse é um dos pontos mais fortes desse trabalho que não tem medo de apontar o dedo na cara de quem precisa.
Conclusão
São faixas brutais, com riffs poderosos e feitos para o mosh. Além de refrãos que grudam na mente e letras que cutucam as feridas que muitos preferem ignorar. A banda mantém o compromisso de entregar um Thrashcore moderno e bem executado, tornando o disco obrigatório, urgente e destruidor.





