
Triumph – “Allied Forces” (2018) (Relançamento)
Hellion Records Brazil
#ClassicRock, #AOR
Para fãs de: Rush, REO Speedwagon, April Wine
Nota: 8,0
Há quem se refira ao Triumph como um “Rush de soja”. A comparação até que faz sentido, tendo em vista que ambos os trios são canadenses e que seu som, marcado nos anos 1970 por incursões jazzísticas e progressivas, na década seguinte convergiu de tal modo a posicioná-los lado a lado entre as lideranças do rock de arena — isso antes que a profecia de “Video Killed the Radio Star” (The Buggles, 1979) se cumprisse com a chegada da MTV em 1981. A diferença é que o Rush não apenas sobreviveu ao teste do tempo, como também lançou alguns de seus melhores trabalhos nos anos 1990 e 2000. O Triumph, por sua vez, sucumbiu pouco após a saída do guitarrista Rik Emmett — substituído por um jovem Phil X, atualmente no Bon Jovi — e o lançamento do derradeiro e inegavelmente fraco “Edge of Excess” (1993).
Curiosamente, foi em 1981 que o Triumph lançou “Allied Forces”, considerado seu álbum definitivo pelos fãs e, justamente por isso, o primeiro a receber lançamento nacional pela Hellion Records — que já confirmou que o próxim será o também clássico “Never Surrender” (1982). Mas o que torna “Allied Forces” essa Coca-Cola toda? É simples: em 1979, “Just a Game” mostrou a que o Triumph veio, elevando-os de destaque local a atração a nível continental. Só que no ano seguinte os caras bobearam, e o equivocado/feito às pressas “Progressions of Power” deu uma esfriada nos motores da autoproclamada rock and roll machine. “Allied Forces” é, portanto, o Triumph correndo atrás do prejuízo, e fazendo isso como uma verdadeira equipe, com Gil Moore, Mike Levine e Emmett compondo juntos e gravando no ambiente mais relaxado possível: seu próprio estúdio, Metalworks, localizado em Toronto.
Na dianteira de “Allied Force”, a trinca que resume o apogeu do Triumph: “Fight the Good Fight” (uma ode de contornos épicos e levemente metafóricos aos pequenos heroísmos do dia a dia — resultantes de uma conduta sujeita ao que diz o “Good Book”), “Magic Power”, cuja letra fala com aqueles que respiram música e reconhecem sua capacidade poderosa e mágica de tornar a vida melhor, e a investida messiânico-militar que é a faixa-título, com suas “tropas de jeans” que “marcham noite adentro” munidas de “armas estratégicas contra a frustração e a alienação em massa” — profundo, não?
No âmbito dos lados b, a tenacidade prevalece: “Fool for Your Love”, “Ordinary Man” e “Say Goodbye” são vigorosos exemplos de como o coletivo, por mais enxuto que seja, faz a diferença e de como menos pode ser muito, mas muito mais em se tratando de rock. Os mais de um milhão de fãs que compraram o álbum somente nos Estados Unidos não podem estar errados.
Marcelo Vieira




