Trivium – “In The Court of The Dragon” (2021)
Roadrunner Records
#Metalcore, #GrooveMetal #ThrashMetal
Para fãs de: Machine Head, Lamb of God, Killswitch Engage
Nota: 9,0
Uma das sobreviventes da onda do “metalcore”, típico de bandas americanas na década passada, o Trivium foi – na opinião deste quem vos escreve – a que mais se aventurou e obteve frutos se destacando dentre as milhares outras que praticavam o mesmíssimo tipo de som. Apesar dos seus dois primeiros álbuns não fugirem dos clichês do estilo, o Trivium já se destacava pelas linhas de guitarras incríveis e pelo vocal de Matthew Heafy, que evoluiu a cada disco e, principalmente, pela complexidade das canções, como em seu álbum “Ascendancy” (2005).
A cada disco a banda arriscava mais, aprimorando seu som e com a tríade “The Crusade” (2006), “Shogun”(2008) e “In Waves”(2011) a banda entrou para o primeiro escalão do metal mundial e apesar ainda de manter alguns detalhes da sua antiga sonoridade, podemos afirmar que a banda evoluiu absurdamente.
E após mais alguns álbuns (não tão prolíferos como essa trinca citada acima), a banda nos entrega seu novo álbum “In The Court of The Dragon”. E o que temos aqui é uma banda que ainda busca uma expansão do seu estilo, mas já começa a esbarrar em suas próprias limitações criativas. Não vemos aqui muita diferença para seus últimos álbuns, e o Trivium começa perigosamente a flertar com uma zona de conforto o que para os fãs da banda provavelmente será ótimo, mas quando se pensa no processo de evolução musical em seus primeiros discos bate aquela sensação de que a banda está começando a estagnar.
Apesar disso, tudo que se encontra em um disco do Trivium está aqui: riffs e solos inspiradíssimos, Matt está cantando como nunca e controla perfeitamente o balanço entre seus vocais gritados e os mais melodiosos e uma variedade musical que passeia com maestria por quase todos estilos do metal. Curioso que aqui vemos blast beats em uma grande quantidade, apesar de que a banda sempre flertou com essa característica do metal mais extremo dessa vez incorporou ao seu som definitivamente e é uma adição bem vinda, bem como algumas partes tão intrincadas que beiram o prog e deixariam a galera do Dream Theater orgulhosos.
As canções são longas, com muitas mudanças de climas, ritmos e muita variedade. Temos desde o metalcore mais clássico de “A Crisis of Revelation” até um groove a lá Machine Head na faixa título “In the Court of The Dragon”. A coesão da banda é algo assustador, as músicas são extremamente bem construídas e este é um álbum gostoso de se ouvir.
Em um álbum tão equilibrado onde não tem nenhuma música ruim ou “pulável”, é até um citar destaques, mas existem três músicas que são muito boas e que merecem a menção que são: “Like a Sword Over Democles” com um refrão empolgante e com sessões rítmicas de tirar o fôlego, a épica “The Phalanx” com riffs épicos e linhas vocais incríveis e um instrumental intrincado e extremamente bem feito e a pesadíssima “Fall Into Your Hands”, com uma rifferama insana bem rápida.
É aquilo, os caras sabem o que estão fazendo. Seu som por mais que tenha poucas novidades, mostra uma maturidade absurda em suas composições e arranjos. Com certeza vai estar na minha lista de melhores do ano. E que capa, meus amigos. Uma das mais lindas que já vi em um disco de metal.
Thiago Barcellos
