Ícone do site METAL NA LATA

Tuatha de Danann – “In Nomine Éireann” (2020)

Tuatha de Danann – “In Nomine Éireann” (2020)
Independente
#FolkMetal#FolkPowerMetal

Para fãs de: CruachanTurisas, Skyclad

Nota: 9,0

Se um dia provaram que o tempo é relativo, os mineiros do Tuatha de Danann provaram por “A” + “B” que a distância também é. Afinal, os 9.126 quilômetros entre a Irlanda e a cidade de Varginha (Minas Gerais) podem parecer um longo caminho. Já para Bruno Maia e companhia, é apenas a pequena distância entre sua cidade natal no interior de Minas e suas influências musicais do outro lado do Oceano.

“In Nomine Éireann” (ou, “Em Nome da Irlanda”) é o sugestivo nome do sétimo álbum do Tuatha, maior nome do Folk Metal brasileiro, que desde 1995 vem cravando suas raízes em solo irlandês e vendo seus galhos florescerem em terras tupiniquins. Dessa vez, o setlist é quase 100% focado em releituras de músicas tradicionais irlandesas. Ou seja, o time está jogando em casa e com o apoio da torcida.

A festa comandada por Bruno, dono dos vocais, guitarras, banjo e outros instrumentos teve convidados de honra, com destaque para Daísa Munhoz (Soulspell), uma das maiores cantoras brasileiras de Metal de todos os tempos, que emprestou sua voz em “The Wind That Shakes The Barley”, canção tradicional.

Mas engana-se quem acha que “In Nomine…” é um disco comum de Folk Metal. Isso porque o lado “Folk” fala bem mais alto do que o lado “Metal” e em muitas partes o rico e variado instrumental tradicional se sobrepõe à distorção das guitarras. Está aí uma boa oportunidade para apreciar esse gênero.

Outro destaque é o single “Molly Maguires”, daqueles feitos para beber, cair e levantar. A música também é inspirada em melodias tradicionais e conta com ninguém menos que Keith Fay, da banda irlandesa Cruachan, que tem lugar de fala ao cantar sobre as lendas de seu país. Como não só de releituras vive o disco, vale o destaque para “King”, a faixa que fecha os trabalhos. Escrita por Bruno Maia e Tadeu Salgado, a música tem um instrumental mais uma vez bastante variado, com o banjo de Maia comendo solto.

Por fim, o Tuatha entregou um trabalho riquíssimo, como manda a cartilha do Folk. Para quem prefere aquele Folk mais inspirado no Death Metal, o disco pode causar estranheza. Mas para quem prefere aquelas músicas típicas de uma taverna de bardos ou de Hobbits dançando, “In Nomine Éireann” cai como uma luva. Se beber, ouça!

Gustavo Maiato

Sair da versão mobile